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sábado, 22 de março de 2014

Luz e Sombra

Título: Luz e Sombra
Série/ Saga: The Grisha (The Grisha, #1)
Autor: Leigh Bardugo
Edição: Asa
Colecção: 1001 Mundos
ISBN: 9789892324852
Nº de páginas: 312

"Só ela consegue vencer as trevas... Rodeada por inimigos, a outrora grande nação de Ravka foi dividida em duas pelo Sulco de Sombra, uma faixa de escuridão quase impenetrável cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Agora, o seu destino pode depender de uma só refugiada. Alina Starkov nunca foi boa em nada. Órfã de guerra, tem uma única certeza: o apoio do seu melhor amigo, Maly, e a sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa do regimento militar, numa das expedições que tem de fazer ao Sulco de Sombra, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros volcra e ficar brutalmente ferido. O seu instinto leva-a a protegê-lo , e ela revela um poder adormecido que lhe salva a vida, um poder que poderia ser a chave para libertar o seu país devastado pela guerra. Arrancada de tudo aquilo que conhece, Alina é levada para a corte real para ser treinada como um membro dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina no seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir o Sulco de Sombra. No entanto, nada naquele mundo pródigo é o que parece. Com a escuridão a aproximar-se e todo um reino dependente da sua energia indomável, Alina terá de enfrentar os segredos dos Grisha... e os segredos do seu coração."

Como devem ter reparado, não tenho parado muito por aqui e esta é, na verdade, uma das várias opiniões que tenho em atraso (já sei, já sei... shame on me!! Não devia deixar as coisas atrasar tanto que depois até me esqueço dos pormenores). Embora a coisa já não esteja fresquinha vou tentar dar o meu melhor!!

No início do livro, e apesar de alguma confusão muito por culpa da estratificação social, o leitor sente-se um pouco baralhado, fora da narrativa. Contudo, há algo que torna a leitura interessante e nos impele a continuar. Esse algo são as personagens principais e os desenvolvimentos iniciais da trama. Escuso de dizer muito sobre a trama em si porque a sinopse já diz tudo o que há para dizer. Enquanto, numa missão para o exército de que ambos fazem parte, Alina e Mal, atravessam o Sulco de Sombra (que só por acaso é isso mesmo, um rasgão anti-natural a meio de Ravka, onde a luz do sol não entra e reinam umas criaturas estranhas e sedentas de sangue e carne humana) são atacados por volcras (as tais criaturas) e a rapariga acaba por salvar o amigo sem saber muito bem como. A partir daqui, a vida de ambos vai mudar completamente e vão deixar para trás o mundo que sempre conheceram. Alina, por quem ninguém dava 5 tostões, é afinal a maior esperança do reino no que respeita à destruição do Sulco e ao desenvolvimento económico e social de toda a nação. E aqui a coisa começa a descambar um bocado, a trama vira completamente e o livro transforma-se num romance de adolescentes passado num liceu. Há as meninas mimadas sempre a cochichar e a engendrar planos para derrotar a "concorrência"; há a rapariga dotada que é posta de parte por não ser riquinha ou por ter supostamente mais capacidades que os demais; há os professores mauzinhos e os condescendentes; e há até o raio do triângulo amoroso (devo confessar que este não me irritou tanto como o habitual mas... está lá).  Pois é, Alina, que durante toda a vida amou Mal (embora não o queira reconhecer a viva voz) vai ver-se completamente enfeitiçada pelo vilão da história - o Darkling. Não é isso que está mal, é mesmo a incongruência da situação. Então a moçoila acredita mesmo que o seu mentor/ professor, o homem mais poderoso de todo o reino, se apaixona por ela? Um homem lindo como um deus grego, poderoso como um imperador (e curiosamente velho como as montanhas)... Ora, poupem-me...!! Se bem que este vilão, é um vilão muito atraente a vários níveis! É um dos meus personagens preferidos neste livro.

Mas nem tudo é mau. Lá mais para o final a coisa sofre novo volte face e voltamos ao mistério e à aventura, às intrigas de poder. E o final é até bastante satisfatório. Além disso, há alguns aspectos do livro que me agradaram mesmo muito. Por exemplo, a dicotomia presente no título é, na verdade, uma constante em toda a narrativa. Ravka é um lugar de extremos onde os muito ricos e poderosos (de várias formas) se opõem ao povo miserável e oprimido, onde a luz e cor  não conseguem penetrar em determinados locais... Até nos dois vértices masculinos do triângulo amoroso esta dicotomia está presente.  Outro ponto que me agradou bastante foi a aproximação à Russia dos Czares. Para tal contribui e muito a grande capacidade descritiva (principalmente a nível de cores) da autora pois esta referência é conseguida através dos cenários e festas palacianos, dos trajes utilizados pelos personagens e por pequenos mas importantes detalhes. O mistério que envolve alguns dos personagens (ainda estou para saber quem são realmente determinadas "pessoas" como o "Rasputin", por exemplo!!) também serve não só para adensar o mistério da trama mas para prender o leitor.

Em suma, pareceu-me um volume introdutório que consegue cativar, pelo menos eu já estou com vontade de ler os outros. Tem o handicap de ter aquele triângulo amoroso algo ridículo mas a ideia principal é bastante prometedora e com algum aprofundar de certos aspectos em volumes posteriores o world building é muito atraente. Espero que a autora continue a valorizar os aspectos positivos que referi e enfatize mais o suspense e a aventura nos próximos volumes.

7,5/10 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Os Adivinhos

Título: Os Adivinhos
Saga/série: Os Adivinhos (The Diviners, #1)
Autor: Libba Bray
Edição: Edições ASA
Nº de páginas: 580
ISBN: 9789892324692


"Evie O'Neill foi exilada da sua monótona e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas de Nova Iorque - e fica radiante! Nova Iorque é a cidade dos bares clandestinos, das compras e dos cinemas! Pouco depois, Evie começa a andar com as glamorosas «Ziegfield Girls» e com atraentes carteiristas. O único problema é que Evie tem de viver com o seu tio Will, curador do Museu Americano de Folclore, Superstição e Ocultismo - também conhecido como «O Museu dos Arrepios», homem com uma pouso saudável obsessão pelo oculto.

Evie receia que ele descubra o seu segredo mais sombrio: um poder sobrenatural que até ao momento só lhe causou problemas. Porém, quando a polícia encontra uma rapariga morta que tem um estranho símbolo gravado na testa e Will é chamado ao local, Evie percebe que o seu dom pode ajudar a apanhar o assassino em série.
Quando Evie mergulha de cabeça numa dança com um assassino, outras histórias se desenrolam na cidade que nunca dorme. Um jovem chamado Memphis é apanhado entre dois mundos. Uma corista chamada Theta anda a fugir do seu passado. Um estudante chamado Jericho esconde um segredo chocante. E sem que ninguém saiba, algo sombrio e maligno despertou."


Já muito tinha lido na blogosfera acerca de Libba Bray e dos livros por ela escritos e nunca me tinha debruçado sobre nenhum talvez pelo facto de não haver muitos traduzidos para a nossa língua. Esta realidade mudou depois do natal por causa de uma das prendas que recebi :) E ainda bem!!

Ora, não é que o livro seja uma obra prima mas a verdade é que o li quase em tempo record e não conseguia deixá-lo de lado. A leitura rapidamente se tornou compulsiva apesar de a meio do livro a narrativa assumir contornos um pouco estranhos. Mas... lá estou eu. Os contornos podem ter-se tornado algo estranhos para mim, ou eu podia não estar à espera daqueles desenvolvimentos mas a verdade é que um morto que não está morto mas está morto não é coisa que se me encaixe com a maior das facilidades (desculpem lá o spoiler mas também acho que ficaram na mesma e não perceberam nada... :) ). Adiante...

O ponto forte deste romance policial e paranormal, como já foi escrito muitas vezes por aí, é sem qualquer margem de dúvidas o retrato dos anos 20. Nota-se que a autora se deu a um enorme trabalho de pesquisa para poder fazer um enquadramento realista da sua história e, melhor que isso, chega mesmo a parecer que viveu nessa época. Não é só o leitor conseguir perceber que houve muita pesquisa, é a qualidade das gráficas e coloridas descrições que de tão vividas nos deixam com a ilusão de que a autora viu de facto aquela realidade, viveu nos anos 20 frequentando os speakeasy e dançando ao som dos blues e jazz tocados por músicos negros cheios de swing. Adorei, momentos houve em que parecia que estava a ver um filme tal era o realismo das descrições. Para este realismo e para a criação do ambiente bem como para a contextualização da narrativa na época, servem também os personagens. Para ser muito sincera devo dizer que o mais fraco personagem de toda a galeria que nos é apresentada é mesmo Evie, a personagem principal. Uma menina mimada que tem a mania que é "muito à frente", muito rebelde. Consegui rir-me de algumas circunstâncias ligadas a esta personagem mas não gostei especialmente dela, chegou a ser enervante em determinadas alturas. Ainda assim, há muitos outros personagens que compensam a personalidade da Evie e que nos servem para conhecer melhor as realidades de uma época em que nem tudo são luzes e brilhos. Temos a jovem que casou cedo e fugiu do marido abusivo, o jovem talentoso que esconde que é gay, o típico gangster de trazer por casa que é como quem diz o jovem desordeiro que só precisa de alguma atenção, o Dr. inteligente e conceituado cuja fortuna se encontra completamente delapidada, o jovem negro que quer uma vida melhor...  Embora dito assim se possa ficar com a ideia de que são apenas estereótipos posso garantir que estão longe disso e que a grande maioria são personagens com profundidade e que se vão revelando ao longo da narrativa. São uma panóplia sem fim de personagens cativantes e com as quais nos identificamos de uma maneira ou de outra.

Além dos personagens e do magnifico ambiente dos anos 20 temos os aspectos paranormal e suspense que, como podem calcular, se encontram interligados. Cedo na narrativa nos apercebemos que existe um sem número de pessoas que possuem talentos verdadeiramente surpreendentes e muito pouco naturais que os tornam diferentes. Mais tarde conseguimos compreender que esses talentos os podem colocar seriamente em perigo mas nem no final do livro conseguimos compreender completamente o porquê. Até porque os talentos que estas pessoas possuem são muito distintos uns dos outros. É como se os Adivinhos pudessem, sozinhos, fazer uso dos seus dons para melhorar pequenas coisas à sua volta mas precisassem de se unir todos para poder combater o grande mal que aí vem. Saberemos mais nos próximos volumes. Quanto ao suspense... O mistério está lá e a coisa está bastante bem concebida. Assassínios macabros e praticamente inexplicáveis acontecem em circunstâncias estranhas e deixam a cidade em pânico. De um modo ou de outro, os personagens vêm-se envolvidos nesses mesmos crimes... O leitor vai conseguindo adivinhar alguns dos passos dados pelos personagens mas há alguns twist's interessantes. Ainda com relação ao sobrenatural, ao paranormal e toda a sorte de crenças e superstições, a autora apresenta-nos de forma mais ou menos breve inúmeras igrejas e cultos religiosos e liga o mistério directamente à passagem do cometa Halley. É interessante compreender todas as catástrofes e superstições ligadas à passagem do cometa ao longo da História do mundo. A única coisa que estraga um pouco a narrativa neste aspecto é o desenlace paranormal que se prende com o grande vilão da história. Não fiquei satisfeita com este desfecho. Foi algo confuso e não ficou muito bem explicado. Mas talvez este seja outro aspecto que possa vir a mudar em futuros volumes pois este volume é, em minha opinião, uma espécie de introdução para algo maior e muito mais obscuro que está para vir.

Concluindo, gostei bastante desta narrativa em que a descrição e os factos históricos se entrelaçam muito bem com os aspectos paranormais e de suspense, embora sejam muitas as coisas que ficam por explicar e que o leitor não consegue mesmo alcançar. (Tenho pena de não me conseguir explicar muito melhor sem entrar em spoilers enormes - mais ainda do que os que a sinopse apresenta!!) Vou, sem dúvida alguma, ler os próximos volumes. Recomendo a quem goste de um bom thriller e dos loucos anos 20.

7,5/10

sábado, 13 de julho de 2013

Sacrifício de Sangue

Título: Sacrifício de Sangue
Série/Saga: A Casa das Comarré (A Casa das Comarré, #2)
Autor: Kristen Painter
Tradução: Elsa T. S.Vieira
Edição: Asa
Nº de páginas: 392
ISBN: 9789892323343

"O sangue de Chrysabelle é rico, puro e poderoso… Ela é uma comarré que ousou desafiar o destino. Chrysabelle nunca imaginou que a liberdade teria um preço tão alto. Estranhos acontecimentos afastaram-na de Malkolm, o vampiro renegado a quem prometeu ajudar a quebrar uma maldição. Mas não por muito tempo, pois a atração que os une é mais forte. Para o salvar, Chrysabelle precisa de encontrar a única pessoa que pode ter a resposta: a Aureliana. Nada parece demover a comarré, nem mesmo quando descobre que cumprir a promessa exige um sacrifício de sangue, do seu próprio sangue. A chegada do enigmático Thomas Creek a Paradise City, também ele atraído pelo poderoso e inebriante sangue da comarré, vai arrastá-la para um perturbante triângulo amoroso. Dividida entre a promessa que fez a Malkolm e que lhe pode custar a vida, e o caminho de luz que Creek lhe tem para oferecer, ela terá de escolher… Intenso e arrebatador, Sacrifício de Sangue é o segundo volume da série Casa das Comarré, de Kristen Painter, e um best-seller internacional."

Ler excerto aqui

Em Fevereiro li o primeiro volume desta saga e , ainda que não tenha adorado, decidi ler este segundo volume porque havia alguns aspectos do mundo criado pela autora que me tinham agradado bastante. Ora, foram precisamente esses aspectos que foram suprimidos neste volume (sou mesmo uma rapariga cheia de sorte!!!).

Pelo que já consegui perceber no GR e nos blogues que sigo, não sou a única que pensa que este volume deixa muito a desejar em relação ao primeiro e àquilo que aquele prometia. A fluidez da narrativa e a escrita simples mantém-se mas também se mantém o enredo previsível e estereotipado - para resolver alguns problemas, em que previamente se envolveram, os já nossos conhecidos personagens, metem-se em embrulhadas difíceis de ultrapassar. Tudo isto enquanto são perseguidos por uma louca vingativa  que não olha a meios para atingir os fins. Se antes parecia que a Buffy, a Mercy e a Sookie se tinham encontrado com um misto de Edward e Mr. Hide no Paço dos SaDiablo, desta vez  uma Sookie desejosa de ajudar e a Bella Swan encontram-se com alguém que não consigo precisar bem num triângulo amoroso para lá de muito irritante. Pois é, a Chrysabelle está muito apagada e perde aqueles traços de bad ass que me tinham conquistado e torna-se numa tonta que não sabe o que quer. Os dois jeitosos do livro são ambos para ela e sabem-no, concordam em partilhá-la numa cena algo estranha tipo "de dia para mim e de noite para ti" (W.T.F????!!!!!). 

O livro acaba por sobreviver às custas da maldade da Tatiana e das maquinações que ela engendra (que a bem da verdade lá para o meio se torna enervante. Ninguém extermina aquela cabra vingativa??); da personalidade negra do Malk, ainda que o moço passe por umas fases estranhas; das estórias paralelas e... do final. Pois é, a autora este o livro todo a encher chouriços, não se passou mesmo nada de importante por mais de 30 capítulos e quando a coisa começa a aquecer e o leitor já está contente porque vai finalmente ver alguma acção, o livro acaba. (Maravilha!!). Claro que isto serve para aguçar o apetite e deixar o leitor esperançado no que respeita ao retomar da linha que tínhamos visto no primeiro volume da saga porque as questões que se levantam são todas bastante entusiasmantes. Espero sinceramente que este seja apenas um volume de ligação e que no próximo já possamos saber mais sobre alguns mistérios e a trama recomece a desenvolver.

Em resumo, é um volume que não faz jus ao seu antecessor e que não adianta muito à saga. No entanto, quem gostou do primeiro vai gostar de reencontrar alguns personagens e a leitura é fácil e rápida.

4/10

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Direitos de Sangue

Título: Direitos de Sangue
Saga/ Série: A Casa das Comerré
Autor: Kristen Painter
Tradução: Elsa T. S. Vieira
Edição: Edições Asa
Nº de páginas: 367
ISBN: 9789892321639

Chrisabelle esconde no corpo as marcas douradas e os segredos das comarré - uma raça especial de humanos criada para alimentar a elite de vampiros nobres com o seu sangue rico e poderoso. O destino dela está traçado desde sempre: servir incondicionalmente o seu patrono. Mas quando este é assassinado, a vida de Chrysabelle muda por completo. Finalmente pode ser livre, um sonho que nunca se permitira ter e que depressa se transforma num pesadelo. Ela é a principal suspeita do crime e do roubo de um anel mágico. O anel que a ambiciosa Tatiana está decidida a recuperar, custe o que custar. Chrysabelle atravessa o Atlântico para provar a sua inocência, e nesta demanda o seu caminho cruza-se com o de Malkolm, um poderoso e irresistível vampiro que foi renegado e alvo de uma maldição. Ambos tentam combater a inegável atração que os une. Mas o tempo urge. Ambos têm de unir esforços para travar os planos de Tatiana, que pretende acabar com o mundo tal como eles o conhecem e fundar um reino de trevas. Direitos de Sangue é o primeiro volume da série Casa das Comarré e um best-seller internacional.

Ler primeiras páginas aqui

Aquilo que me levou à leitura deste livro foi uma amálgama de coisas, às vezes completamente contrárias entre si. Gostei imenso da capa logo na primeira vez que vi a imagem. Depois, olhei para o aglomerado de informação que a sobrecarrega e franzi o sobrolho, normalmente quando dizem que os fãs de autor X ou Y estavam à espera de determinado livro o resultado não é o melhor. Procurei informações no goodreads e rapidamente percebi que é um daqueles livros que ou se adora ou se odeia. Nada de bom...  Finalmente, no passado sábado, na página de livros do Jornal i, vinha este título dado com "Reprovado". E porquê? Por causa da capa. Aparentemente, quem se dedica à secção de livros do jornal nem leu o livro mas olhou para a capa e decidiu logo que a coisa não prestava. Foi quanto bastou para o começar a ler de seguida. Tenho certa alergia às opiniões literárias dos jornais e revistas especializadas do género, são todas tão intelectuais, tão analíticas, tão contra aquilo que as pessoas normais costumam ler... e, ainda por cima, nesta situação, nem crítica havia!! 

Enfim, considerações à parte confesso que tenho uma certa dificuldade em classificar este livro. Não sei se será a melhor analogia, ou se todos a vão compreender, mas é como se a Buffy, a Mercy e a Sookie se encontrassem com um misto de Edward e Mr. Hide no Paço dos SaDiablo. Estranhamente, a coisa até acaba por resultar bem. Não achei uma grande revolução no mundo da literatura sobre vampiros nem uma obra de arte mas gostei bastante desta leitura (devo ser das poucas pessoas que têm meio-termo em relação a este título...!!!). As personagens principais são as típicas do romance paranoral e não têm a profundidade que a história pedia, apesar de haver alguns aspectos que me fazem pensar que este ponto pode sofrer alterações em volumes futuros e pode haver uma evolução positiva (afinal, este é um volume introdutório). Já as personagens secundárias são quase as típicas personagem-tipo e não dão sinais de grande evolução. 

A escrita é muito simples e fluída e a trama é muito previsível e estereotipada  - um crime; uma menina mimada injustamente acusada; um vampiro mauzão que, por qualquer motivo, não lhe enfia os dentes no pescoço; tensão sexual a rodos; um rapto e consecutiva missão de salvamento - mas de algum modo acabamos por nos ver presos à história. Além disso, há o "twist revelação" final e a autora perde o seu tempo para nos contar histórias paralelas e o passado dos personagens. Longe de ser um aspecto negativo, este introduzir de informação acaba por surgir de forma natural e serve não só para o leitor conhecer um pouco melhor os protagonistas e seus acompanhantes mas também para deixar algumas coisas a pairar no ar e despertar curiosidade para os futuros volumes da saga.

Apesar de a considerar uma boa leitura para aqueles dias em que não se quer ler nada muito maçudo, em que o que apetece é descontrair há um lado deste livro que parece mais complexo e que, por acaso, foi aquele que mais me agradou. O ambiente gótico e o mundo sobrenatural que a autora criou tem aspectos bastante originais e que cativam. As comarré  com os seus corpos dourados pelo ouro com que se marcam e o cheiro irresistível que acaba por lhes proporcionar uma vida longa mas pejada de segredos e mistérios. As famílias de vampiros nobres e a hierarquia dentro desta espécie. Os  Castus Sanguis, anjos caídos, antepassados dos vampiros  cujo nome muitos têm medo de pronunciar tal é a maldade que lhes consome a alma. Tudo isto compõe um mundo negro e misterioso em que uma guerra está prestes a começar e nada parece ser aquilo que parece (uma redundância estranha mas verdadeira.). Espero que a autora continue a explorar estes aspectos e não dê uma excessiva importância à relação amorosa e sexual dos protagonistas pois a saga tem potencial para crescer e se tornar numa das preferidas tanto dos ("novos") fãs de vampiros com dos de fantasia urbana.

7/10

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Aroma das Especiarias

Título: O Aroma das Especiarias
Autor: Joanne Harris
Tradução: Ana Saldanha
Edição: Asa
Nº de páginas: 496

"Vianne Rocher recebe uma estranha carta. A mão do destino parece estar a empurrá-la de volta a Lansquenet-sur-Tannes, a aldeia de Chocolate, onde decidira nunca mais voltar. Passaram já 8 anos mas as memórias da sua mágica chocolataria La Céleste Praline são ainda intensas. 

A viver tranquilamente em Paris com o seu grande amor, Roux, e as duas filhas, Vianne quebra a promessa que fizera a si própria e decide visitar a aldeia no Sul de França. À primeira vista, tudo parece igual. As ruas de calçada, as pequenas lojas e casinhas pitorescas… Mas Vianne pressente que algo se agita por detrás daquela aparente serenidade. O ar está impregnado dos aromas exóticos das especiarias e do chá de menta.
Mulheres vestidas de negro passam fugazes nas vielas. Os ventos do Ramadão trouxeram consigo uma comunidade muçulmana e, com ela, a tão temida mudança. Mas é com a chegada de uma misteriosa mulher, velada e acompanhada pela filha, que as tensões no seio da pequena comunidade aumentam. E Vianne percebe que a sua estadia não vai ser tão curta quanto pensava. A sua magia é mais necessária do que nunca!"


Adorei os cheiros e as cores deste livro. Não o cheiro das páginas, não... Que já leu os anteriores volumes desta trilogia - Chocolate e Sapatos de Rebuçado - compreende com certeza. Tudo nesta trilogia é magia, cheiro e cor. Cheiro a chocolate, a compotas acabadas de fazer, a pêssegos maduros, ao vento que muda... As cores fortes que passam, os fugazes vislumbres coloridos captados pelo canto do olho, a cor suave que fica e marca...

Em Paris, Vianne sente o quente vento de verão mudar, um vento que pede mudança, pede viagem. Quase inacreditavelmente, recebe uma carta da sua defunta amiga Armande. Se algo a empurrava para Lansquenet-sur-Tannes, esta carta vem selar definitivamente esse destino e Vianne acaba por aproveitar o período de férias de verão para rumar à aldeia com Anouk e Rosette.

Se no início tudo parece igual ao que haviam deixado para trás 8 anos antes, rapidamente nos apercebemos que, tal como antigamente, ali nada é o que parece e que as mudanças são muitas e profundas. Não tardamos muito a ter vislumbres de uma silhueta negra, sempre à margem mas sempre presente. É através dela que vamos compreender o motivo das mudanças e cisões na comunidade de Lansquenet. A comunidade árabe veio para ficar e instalou-se ali mesmo do outro lado do rio - em Les Marauds - com os seus costumes, as suas estranhas comidas, trazendo novas cores e odores a especiarias exóticas, chocando com a indumentária das suas mulheres. Estranhamente, monsieur le Curé, foi dos primeiros a estender a mão a estes forasteiros acabando por ver-se enredado numa trama obscura de mal entendidos e tornando-se um homem atormentado cuja fé e as convicções vacilam a cada minuto.

Com uma habilidade fora do normal e uma enorme subtileza, usando sempre a comida e a "magia caseira" das donas de casa, Joanne Harris trata de questões tão sensíveis como o choque de culturas, o fundamentalismo (não apenas o islâmico), o suicídio e as dúvidas que, em determinadas fases da vida, assaltam toda a alma humana. Para o fazer usa a voz de Vianne Rocher e a do monsieur le Curé que nos vão guiar pela trama de mistério e intrigas que levam aos desafortunados e fatídicos acontecimentos que terão lugar na pequena aldeia. Através dos seus olhos vamos conhecer os novos habitantes de Les Marauds, ficamos a saber mais sobre alguns dos costumes mais retrogrados (aos olhos ocidentais) de uma  cultura e religião que cresce todos os dias e  temos o prazer rever os antigos amigos de Vianne (muitos deles com alguns "esqueletos no armário").

Uma estória que nos transporta de novo à atmosfera mágica de Chocolate. Uma narrativa que nos prende e nos envolve a ponto de sentirmos de uma forma estranhamente vivida, além da angustia e das alegrias dos personagens, os cheiros e sabores de Lansquenet-sur-Tannes. Adorei


Podem ler um excerto aqui




"Alguém me disse uma vez que, só em França, duzentas e cinquenta mil cartas são enviadas todos os anos aos mortos.
O que ela não me disse foi que, por vezes, os mortos respondem…"


(Apesar de não ser hábito, não resisti a colocar aqui a minha passagem preferida de todo o livro. )

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Encomendação das Almas

Título: A Encomendação das Almas
Autor: João Aguiar
Edição: Edições ASA
Nº de páginas: 146

“Num mundo rural em decomposição acelerada, minado pela poluição física e mental, pelos media e pelas arremetidas da "Aldeia Global", um homem de setenta anos e um adolescente aliam-se para construir um pequeno universo privado, fantástico, parado no tempo, onde vivem os velhos ritos e as superstições do passado.

Porém, esse universo, frágil e vulnerável, não poderá resistir durante muito tempo à sociedade hostil que o cerca. Então, é preciso encontrar uma saída...


História de uma amizade e de uma revolta, A Encomendação das Almas é também um retrato-caricatura do nosso tempo. Com ele, João Aguiar abre uma nova frente no seu trabalho de romancista e, renovando-se, confirma que é hoje um dos mais versáteis narradores portugueses.”




D. Gonçalo é um idoso que decide retirar-se sozinho para uma aldeia chamado Poiais de Santa Cruz, antes de que os seus queridos filhos (que ele acha uns hipócritas) e a sua “amantíssima” (de quem está farto) o internem num lar de terceira idade de luxo ou, do seu ponto de vista, num asilo.

Zé da Pinta é um rapaz simples com um fascínio pelo céu, em especial pelas nuvens, e com jeito para invenções mecânicas. Todos os que o conhecem, até a família, acham que ele é “apoucadinho” e que não serve para nada. Como já não sabem o que fazer com ele, recambiam-no para casa de um tio em Poiais de Santa Cruz.

As duas personagens acabam por se encontrar e tornar amigos. Entre mitos e lendas, fantasia e magia, D. Gonçalo e Zé da Pinta vivem num mundo à parte só deles.

Com uma escrita simples e cheia de ironia é feita uma crítica à sociedade urbana e rural, onde vemos que todos aqueles que não seguem os mesmo valores que a maioria acabam por ser postos de parte. É uma leitura fácil que nos arranca muitas gargalhadas e com um final que depende da interpretação de cada um: podem chorar, ficar felizes ou até mesmo horrorizados. Eu fiquei com um misto das três.


Boas leituras!


7/10

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

em Outubro na ASA

Título: Laços Eternos
Autora: Kate Jacobs


"O tão aguardado regresso ao terno e hilariante mundo d’O Clube de Tricô de Sexta à Noite.
A época festiva que se aproxima é a altura ideal para a jovem Dakota Walker exibir os seus dotes culinários, isto se não estiver demasiado ocupada a tricotar na Walker & Filha, a mais acolhedora loja de lãs de Manhattan… Graças à família e às amigas do Clube de Tricô, Dakota conhece o verdadeiro valor da amizade. Nos anos que se seguiram à morte da mãe, todos a acarinharam e ajudaram a crescer. Entre confissões, desabafos, novas e antigas paixões, o grupo resiste à dura rotina nova-iorquina e continua a manter os seus hilariantes encontros de sexta-feira. Para Dakota abre-se agora a possibilidade de visitar a família materna, na Escócia, e rever as pessoas e os locais que marcaram a infância e juventude da mãe. Mas algo que pode ser determinante para o seu futuro está a prendê-la a Nova Iorque e a colocá-la perante um dilema que não permite segundas oportunidades…"



Título: Sunset Park
Autor: Paul Auster



"O mais recente romance de um dos nomes cimeiros da literatura mundial
Publicado simultaneamente com a edição original
Um romance sobre a América contemporânea e os seus fantasmas, com o colapso económico de 2008 como pano de fundo

Durante os meses sombrios do colapso económico de 2008, quatro jovens ocupam ilegalmente uma casa abandonada em Sunset Park, um bairro perigoso de Brooklyn. Bing, o cabecilha, toca bateria e dirige o Hospital das Coisas Escangalhadas, onde conserta relíquias de um passado mais próspero. Ellen, uma artista melancólica, é assaltada por visões eróticas. Alice está a fazer uma tese sobre a forma como a cultura popular encarava o sexo no pós-guerra. Miles vive consumido por uma culpa que o leva a cortar todos os laços familiares. Em comum têm a busca por coerência, beleza e contacto humano. São quatro vidas que Paul Auster entrelaça em tantas outras para criar uma complexa teia de relações humanas, num romance sobre a América contemporânea e os seus fantasmas."



Título: SMILLA e os Mistérios da Neve
Autor: Peter Hoeg



"A primeira obra a despertar o apetite internacional pelos thrillers escandinavos. Publicado em mais de trinta países, tendo vendido mais de 2 milhões de exemplares.
Considerado o melhor livro de 1993 pela Time, People e Entertainment Weekly.
Adaptado para o cinema por Bille August, num filme protagonizado por Julia Ormond.

Smilla Jaspersen tem a neve em muito melhor conta do que o amor. Ela é especialista das propriedades físicas do gelo e vive num mundo de números, ciência e memórias. E, agora, está convencida de que ocorreu um crime terrível cuja vítima é Isaiah, um rapaz de seis anos. Para além da amizade que os unia, Smilla e Isaiah tinham em comum o facto de pertencerem à pequena comunidade de esquimós a viver em Copenhaga. Quando as conclusões do inquérito oficial apontam para acidente, Smilla suspeita. E à medida que reúne informação sobre o caso, apercebe-se das suas sombrias ligações. De uma expedição secreta à Gronelândia a uma estranha conspiração que data da Segunda Guerra Mundial, muito parece estar por explicar. Pelo seu amigo e por si, ela embarca numa jornada arrepiante de mentiras, revelações e violência que a levará de volta ao mundo branco que em tempos deixou para trás e onde um segredo explosivo aguarda debaixo do gelo…"


Título: Os Pecados de Lord Easterbrook
Autora: Madeline Hunter

“Christian é excêntrico, enigmático, o mais famoso recluso da aristocracia inglesa. Vive isolado, não tem amigos e o seu coração nunca foi tomado por ninguém… com excepção de Leona, uma mulher determinada, exótica, belíssima. Mas isso aconteceu em Macau, naquela que parece ter sido uma outra vida.
As notícias da chegada de Leona a Londres deixam-no aturdido. Christian decide então que nada o impedirá de finalmente a possuir. Não podia saber que entre as famílias de ambos pulsam segredos impossíveis de ignorar… e que o grande amor da sua vida acalenta um mortal desejo de vingança!
Uma viagem no tempo até uma era marcada por escândalos, intriga e desejos secretos, no novo e sensual romance de Madeline Hunter: a história de um homem capaz de arriscar tudo pela mulher que ama – até a revelação do seu mais secreto pecado.”



Título: Um Crime no Expresso Oriente

Autora: Agatha Christie

“Pouco depois das doze batidas da meia-noite, um nevão obriga o Expresso do Oriente a parar. Para aquela época do ano, o luxuoso comboio está surpreendentemente cheio de passageiros. A manhã seguinte vai começar da pior maneira. Embora o nevão tivesse isolado o comboio, impedindo quaisquer movimentações, um dos passageiros foi assassinado durante a noite.
Poirot aceita o caso, aparentemente fácil, que acaba por se revelar um dos mais espantosos de toda a sua carreira. É que existem inúmeras pistas e outros tantos suspeitos, sendo que todos eles estão circunscritos ao universo dos passageiros da carruagem. Para mais, o morto é reconhecido como sendo o autor de um dos crimes mais hediondos do século. Com a tensão a aumentar perigosamente, Poirot acaba por esclarecer o caso… de uma maneira a todos os títulos surpreendente!”



Título: Anúncio de um Crime
Autora: Agatha Christie

"Anuncia-se um assassinato, a ter lugar em Little Paddocks, sexta-feira 29 de Outubro, pelas 18h30. Amigos, aceitem este convite, será o único.
É desta forma que o jornal local apresenta o enigmático anúncio que vai despertar grande entusiasmo em Chipping Cleghorn. Curiosos, todos os amigos e conhecidos de Letitia Blacklock, proprietária de Little Paddocks, decidem não faltar ao convite. Todavia, também Letitia é apanhada de surpresa; mas, como boa anfitriã que é, acha por bem participar na festa. Todos esperavam uma partida ou um jogo – escolhe-se um «assassino secreto», apagam-se as luzes, a «vítima» cai e os jogadores tentam adivinhar quem foi o culpado. Prometia ser divertido, até que é encontrada a vítima… assassinada! Um jogo tão mortífero como este requer o melhor jogador de todos: Miss Jane Marple."