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terça-feira, 14 de março de 2017

Título: Marcado na Pele
Título Original: Marked in Flesh
Série/ Saga: Os outros #4 (The Others #4)
Edição: Saída de Emergência
ISBN: 9789897730245
Nº de páginas: 432 páginas


"Durante séculos, os Outros e os humanos viveram lado a lado numa paz precária. Mas quando a Humanidade ultrapassa os seus limites, os Outros terão de decidir o que estão dispostos a tolerar.
Desde que os Outros se aliaram às Cassandra Sangue, os frágeis mas poderosos profetas humanos que estavam a ser explorados pela sua própria espécie, tudo se transformou na relação entre humanos e os Outros. Alguns como Simon Wolfgard, metamorfo e líder, e a profetisa Meg Corbyn, encaram a nova parceria como vantajosa. Mas nem todos estão convencidos. Um grupo de humanos radicais procura usurpar terras através de uma série de ataques violentos contra os Outros. Mal sabem eles que existem forças mais perigosas e antigas que vampiros e metamorfos e que estão dispostas a fazer o que for necessário para proteger o que lhes pertence…"


Antes de mais devo dizer-vos que, à semelhança do que acontece com todas as outras séries desta autora que já li, adoro esta saga. É ligeiramente diferente daquilo a que estamos habituados nela mas não perdeu aquele humor característico e as linhas mais negras que definem a sua escrita e os mundos que constrói, continuando a consegui produzir no leitor alguns calafrios. Ainda assim, este volume é fraquinho quando comparado com os anteriores. Sempre achei que nesta saga Anne Bishop nos alerta muito para os perigos do aquecimento global, para o que pode acontecer se nos esquecermos de tomar conta daquela que é o nosso lar num sentido mais lato do termo. As preocupações continuam a estar lá bem como os alertas para os perigos da falta de aceitação das diferenças do outro, da descriminação em função de raça ou comportamento mas... faltou algo.

O mundo de Os Outros é um mundo com que nos conseguimos identificar automaticamente pois, na sua raiz, é o nosso mundo, aquele em que o leitor vive. As personagens são muito diversificadas mas também muito reais pois que pejadas de problemas, dúvidas, sonhos e convicções pelos quais devem lutar na medida das suas forças. Estas mesmas personagens vão evoluindo a olhos vistos desde o primeiro volume e sempre na medida em que os acontecimentos têm impacto nelas e nas alterações de comportamento que vão manifestando em relação àqueles que as rodeiam. Claro que a evolução tem que ser mais lenta ou estancar temporariamente nalgum ponto da narrativa, é impossível conseguir um ritmo de evolução constante, e foi isso que aconteceu neste livro. A evolução dos personagens parou, não surpreenderam, não reagiram de modo inesperado, mantiveram um comportamento constante e que fez com que a narrativa perdesse. Em certos momentos chegou a parecer-me que não sabiam como se comportar na sua própria história, pareciam perdidos. Além disso, neste volume aparecem novos personagens que se juntam ao já numeroso elenco e foi aqui que mais me pareceu que a autora perdeu o rumo do que estava a fazer.  Não houve um controlo efectivo dos personagens pré-existentes e a adição de novos elementos apenas serviu para aumentar a confusão o que fez com que o livro perdesse imenso. Há muita coisa a acontecer em vários cenários diferentes e com inúmeros personagens e quer-me parecer que a autora não conseguiu gerir com sucesso todo o volume de informação e acção que nos queria passar.

A dificuldade na leitura é gerada unicamente pelos personagens e pela falta de acção efectiva nos primeiros 3/4 do livro. As coisas vão acontecendo mas não há impacto, a inercia marca a acção dos intervenientes que vão sempre adiando uma reacção por várias ordens de razões. Vemos as coisas acontecer a um ritmo lento à medida que passamos as páginas mas ninguém se apercebe realmente do que está a acontecer, os personagens estão tão adormecidos que não juntam 2+2 e não há quem reaja como esperaríamos (parecia que a autora andava a encher chouriços sem saber muito bem que caminho seguir para atingir o resultado que queria). Quando finalmente há uma resposta às acções e provocações dos vilões ela é de facto arrasadora e a acção aumenta de forma muito considerável. Os acontecimentos finais são  uma visão verdadeiramente apocalíptica e é aqui que vemos, pela primeira vez neste volume, a Anne Bishop de sempre. Implacável, mortífera e destrutiva mas sempre justa, conseguindo deixar o leitor com mais perguntas que respostas como é seu apanágio.

O aumento da acção do outro lado do Oceano foi um dos pontos mais positivos bem como a definitiva adopção de uma "alcateia humana" por parte da comunidade de habitantes do Pátio de Lakeside. A primeira deixa antever viagens e novas interacções, a segunda faz-nos pensar no impacto que tal comunidade pode vir a ter no desenrolar do fim do mundo. Quanto à relação entre Meg e Simon... lamento mas não estou mesmo assim tão interessada em saber se vão finalmente formar um par amoroso. Não é esse o elemento que me faz adorar esta saga que prima sobretudo pela mensagem subjacente que nos é deixada.

Não me interpretem mal, gostei bastante deste penúltimo volume e estou mortinha pela edição do próximo mas, comparativamente, é de longe o mais fraco até à data.

5.5/10


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Justiça de Kushiel

Título: A Justiça de Kushiel
Série/Saga: Kushiel's Legacy (Kushiel,#6)
Autor: Jacqueline Carey
Tradução: Teresa Martins de Carvalho
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 384
ISBN: 9789896375263


"Kushiel barra o caminho de Phèdre, severo e ameaçador. Numa mão, segura uma chave de bronze, e na outra… um diamante, enfiado num cordão de veludo. Phèdre nó Delaunay, a eleita dos deuses para suportar um indizível sofrimento com infinita compaixão é a vítima perfeita, a "oferenda sem igual" cuja profanação assegurará a ascendência de Angra Mainyu, O Senhor das Trevas. A morrer, pensa Phèdre, será às mãos do amor. Mas o amor é uma força assombrosa, e amor há que desafia todas as probabilidades…
E o Amor reina em força neste volume pungente, a encerrar a saga de Kushiel. O amor de Joscelin por Phèdre, seu Companheiro Perfeito que tudo dá por ela. O amor de Phèdre pela sua rainha, que quer Imriel de la Courcel de volta, o amor de Phèdre por Hyacinthe, seu único e verdadeiro amigo, por toda a eternidade condenado ao cativeiro como Senhor do Estreito. O amor de Phèdre por Imriel, apenas amor simples e destituído de adornos. O Lungo Drom de Phèdre e Joscelin continua, por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.
Ousará Phèdre? Ousará Phèdre receber o Nome de Deus e com ele obrigar a que libertem Hyacinthe? "Para receber o Seu Nome", instruiu o místico yeshuíta Eleazar ben Enokh, "d'Ele nos deveremos acercar em perfeita confiança e amor, do nosso ser fazer um recetáculo onde o nosso ser não esteja." Logrará Phèdre fazê-lo?"


Quando nos propomos, e nos dedicamos a isso, a escrever uma opinião sobre os livros que vamos lendo há sempre alguns textos que se complicam. Seja por falta de inspiração, porque não gostámos muito do livro, porque não queremos cair em spoilers... Os motivos são variados. Esta, para mim, é uma dessas opiniões. É tão difícil, tão complicado que já li o livro em Maio e ainda não consegui escrever duas linhas sobre o mesmo!! Acontece que gostei tanto do livro, aliás, gostei tanto da trilogia toda e dos seus personagens que até tenho medo de estragar. Esta é uma daquelas trilogias que primeiro se estranha e depois se entranha e apesar do leitor ter uma enorme vontade de saber como é que as coisas terminam, o final acaba por ser agridoce. Agora, depois de uma espera que parecia interminável,  acabou, já não há mais (até há :) mas é só em inglês!!) e não há nada que possamos fazer para o evitar. 

No volume anterior - O Avatar de Kushiel - (da edição portuguesa, claro está, e que corresponde à segunda metade do terceiro volume na versão original) Phédrè estava numa situação complicada e , apesar de sabermos que de algum modo os personagens se iam conseguir livrar de todos os males que os rodeavam, parecia não haver muita esperança. As coisas acabam por se resolver até bastante rápido (não vou dizer como... leiam...) mas liberdade física não é sinónimo de liberdade de espírito e, à boa maneira de Carey, todas as conquistas têm o seu preço. Depois da verdadeira descida ao inferno pessoal de cada um num local em que toda a luz esperança lhes são arrancados à força, é preciso sarar e perdoar mas o caminho é longo e pejado de dificuldades e cada um tem que o trilhar sozinho. A viagem física empreendida por Phédrè, Joscelin e Imriel acaba por ser um espelho da viagem interior que os sobreviventes de Drujan terão que fazer afim de conseguir perdoar-se a si e aos outros,  de conseguir voltar a amar mas, acima de tudo, aceitarem-se tal como são aceitando aquilo a que foram submetidos.

Embora com alguns aspecto um pouco "à la" Indiana Jones dos quais não estava à espera, esta é uma viagem que nos marca, nos revolta e nos enternece, levando-nos de Drujan até aos territórios mais recônditos e esquecidos do mundo criado por Carey. A aventura e o descobrir de novas culturas e lugares, servindo de atenuador relativamente aos aspectos mais negros e dolorosos, aos pesadelos da luta interior  travada a cada passo. Ao longo da jornada, a paz vai sendo alcançada à medida que cada um dos personagens aceita as modificações sofridas por si e pelos demais e abraça com renovada alegria o preceito do abençoado Elua "Ama à tua vontade". Mas a demanda dos três personagens em busca do nome de deus não é destituída de perigos, invejas e ameaças e o amor assume muitas formas... Por vezes salva-nos, outras condena-nos. É este o cerne da narrativa, o amor e as várias formas que este pode assumir, o modo como o amor e a dor muitas vezes e andam de mãos dadas. É uma história de gente, de sentimentos e não uma mera ficção sobre as intrigas de uma corte num país em crise. 

No final, apesar de tudo se resolver muito ao agrado do leitor (sim, a autora não foi muito má neste final), todas as peças encaixam e todas aquelas pequenas pontas que pareciam soltas e esquecidas são atadas no seu devido lugar, a teia da intriga e do amor, da amizade, do ódio e do perdão, completa e revelada em toda a sua complexidade. Claro que, à boa maneira da autora, a curiosidade relativamente ao futuro de alguns personagens é aguçada ao extremo. Ainda assim, temos sempre a possibilidade de ler a trilogia seguinte (eu já estou a ler. É mais forte que eu, não consegui resistir...) e ninguém pode negar que Jacqueline Carey encerra com mestria uma das melhores trilogias publicadas em Portugal. 

Adorei. Vai directamente para as melhores leituras do ano.

9/10

domingo, 12 de maio de 2013

Assassin's Creed - Renegado

Título: Assassin's Creed - Renegado
Saga: Assassin's Creed, #5
Autor: Oliver Bowden
Tradução: João Félix
Edição: Saída de Emergência
ISBN: 9789896375171
Nº de páginas: 320


"Sou um mestre espadachim. Sou especialista no ofício da morte. Não tenho qualquer prazer na minha arte. Simplesmente, sou bom no que faço.
1735 — Londres. Haytham Kenway aprendeu a usar uma espada desde que conseguia segurar nela. Quando a casa da sua família foi atacada — o seu pai assassinado e a sua irmã raptada por homens armados —, Haytham defende-a da única forma que conhece: matando.
Sem família, é protegido por um tutor misterioso que o treina de modo a fazer dele um assassino letal. Consumido pela sua sede de vingança, Haytham embarca numa demanda por retaliação, confiando em ninguém e questionando tudo o que lhe é mais próximo."


Devo começar por ser completamente sincera e dizer-vos desde já que não conheço o jogo - AC3 - e que nunca joguei nenhum dos jogos desta saga. É verdade que já vi jogar (tenho dois viciados em casa) mas que com as minhas habilidades para a coisa nunca me atrevi a tal. Comecei a ler os livros apenas por curiosidade, por querer saber o que estava por detrás daqueles "bonequinhos encapuzados" que corriam no ecrã lá de casa. Gostei muito do primeiro volume e depois disso não parei, tenho lido todos os volumes editados pela SdE. Ao contrário do que acontece com a maior parte dos leitores jogadores, os meus livros preferidos são os que se focam em Altaïr  apesar de ter um "carinho" especial pelo Ezio Auditore. 
Não achei, nem de perto, que este Renegado fosse dos melhores livros da saga. Antes pelo contrário (mas são opiniões e nem todos podemos gostar do mesmo).

A narrativa é um pouco diferente daquilo a que nos habituámos nos livros anteriores. Aqui, logo de inicio percebemos que alguém (só mais tarde sabemos quem) está a ler o diário de uma outra pessoa. É através desse diário que o protagonista Haytham nos vai narrando a sua vida e a história de como se tornou um exímio assassino (assassino. Não "hashashin" - atenção...). Haytham é um personagem complexo e denso que conhecemos desde a infância, em Londres, e vamos acompanhar até à América onde, já em adulto, tenta desempenhar várias funções de uma vez só e contribui para o conflito que foi a guerra da independência daquele país. A personagem vai evoluindo e mudando ao longo da narrativa, vai descobrindo o seu passado e conseguindo lançar luz sobre segredos algo bem escondidos e que determinam não só o seu futuro e as suas acções, mas também a sua maneira de ser e de estar no mundo. Numa fase final, achei que se tinha tornado em algo enfadonho e cheio de rancores que recusava pôr para trás das costas quando podia marcar a diferença e fazer as coisas de maneira diferente (mas enfim, não é o meu livro e talvez os acontecimentos tenham servido para, num volume posterior, justificar acções de outros personagens...). O protagonista é mesmo dos poucos personagens interessantes do livro. Todos os outros são... secundários demais, muito tipificados e sem profundidade suficiente. Desempenham o seu pequeno papel mas não vão além disso.

Quanto ao enredo em si... Não é que seja fraco, não é isso. Acho apenas que foi algo mal desenvolvido e que foram aproveitadas poucas das coisas mais interessantes que dali podiam sair. A ordem dos Templários fica muito mal na fotografia (a intenção devia ser essa) mas de uma forma algo vaga. Não ficamos a conhecer a Ordem por dentro e ao pormenor, não conhecemos o seu treino, as suas maiores ambições e nenhum dos seus maiores feitos acaba por ser focado. Os únicos "Assassin" que aparecem em toda a narrativa tem uma participação muito secundária e embora se possa adivinhar que um deles pode vir a ser importante em volumes futuros, desta feita não sabemos quase nada da sua história pessoal. E se por um lado, na fase inicial da narrativa, o enredo de Londres é interessante, bem construído e tão misterioso que acaba por lançar o mote para toda a restante história, a verdade é que depois da chegada à América o enredo é confuso, aborrecido e nada tentador. A independência americana e a guerra que a ela levou não foram, a meu ver, bem aproveitadas pelo autor - é a parte mais estúpida e cansativa de todo o livro e, no entanto, prometia ser a melhor (desilusão!!).

Concluindo, não me arrependo de ter lido o livro porque a primeira metade foi bastante boa, o personagem principal é interessante e cativante e porque, já no fim, deixa antever boas possibilidades para futuros livros. Ainda assim, não é, no meu entender, indispensável na saga e de Hashashin's tem muito pouco. Compensa algumas das falhas com boas cenas de luta mas a trama vai-se tornando fraca e perdendo o seu sentido inicial com o desenrolar da história.

5.5/10

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias

Título: O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias
Autor: George R. R. Martin
Tradução: Jorge Candeias
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 480

Cerca de um século antes dos eventos narrados em A Guerra dos Tronos, um jovem escudeiro parte em busca de fama e glória num dos mais famosos torneios de Westeros. Mas o destino prega-lhe uma partida e coloca-o no caminho de um rapaz misterioso que irá mudar a sua vida para sempre. A não perder para os fãs da melhor série de fantasia da atualidade. 

O Cavaleiro de Westeros abre esta coletânea com os melhores contos de George R. R. Martin. Nela encontrarão também uma cidade dominada por uma elite de lobisomens, onde ocorrem horrendos acontecimentos; um magnata excêntrico com gosto por espécies exóticas que vai ser confrontado com o que não esperava; um padre em crise de fé num mundo distante; uma mulher que vasculha universos em busca do amor perdido; ou um homem que se vê confrontado com a derradeira escolha, num mundo em que o fim da vida não equivale necessariamente à morte. Dez histórias nascidas da imaginação do criador de As Crónicas de Gelo e Fogo.

Neil Gaiman escreveu um dia que o que tem de bom um livro de contos é que mesmo que te depares com um do qual não gostas, certamente, umas páginas depois irás encontrar um que adoras. Ora, mesmo tendo sido escrito por um mestre como Martin, este livro encaixa na perfeição nesta frase de Gaiman.  Houve apenas um conto que não consegui acabar de ler por não ter mesmo conseguido entrar no espírito, outros (poucos) revelaram-se um pouco mais confusos mas, no geral, adorei este livro. Não gostei desta leitura apenas pelos contos em si mas também pelo modo como os mesmos nos são presentados. Antes de cada um dos contos propriamente ditos, Martin faz-nos uma introdução (às vezes não muito pequena) sobre cada um deles e aquilo que lhes deu origem, revelando, assim, ao leitor alguns pormenores de determinados momentos da sua própria vida. Estas introduções ajudam-nos não só a compreender melhor as histórias mas também a conhecer melhor o autor.

Penso que seria penoso para quem visita esta página que me pusesse aqui a dissertar sobre cada um dos contos, além de que, tal possibilidade, poderia retirar-vos algum do prazer que é a descoberta de todos os pequenos pormenores nas diversas histórias (porque ia inevitavelmente cair em spoillers por muito que o tentasse evitar). Por isso, penso que a melhor maneira de realizar esta tarefa hoje será deixar-vos uma lista dos contos incluídos nesta edição, dando-vos uma pequena opinião apenas sobre aqueles de que mais gostei, e ficar à espera dos vossos comentários - gostava que me dissessem de vossa justiça, qual a leitura que mais vos agradou, a que menos gostaram...

Assim sendo:

  • As Canções solitárias de Larren Dorr - Gostei bastante deste conto. Fala-nos da solidão e da necessidade de amor, carinho e companhia que é inerente ao ser humano. A título de  curiosidade posso dizer-vos que aqui começamos a notar a queda especial do autor para o uso do termo Canção e vemos o que talvez seja o nascer dos Sete (os deuses de Westeros).
  • O Cavaleiro de Westeros - Qualquer fã de Martin vai adorar ficar a saber mais sobre o passado das famílias que tão bem conhecemos de Canções de Gelo e  de Fogo. Adorei. (Esta é a história da BD publicada pela SdE de que vos falei aqui ).
  • Uma Canção para Lya
  • A Cidade de Pedra
  • Flormordentes - Um conto maravilhosamente simples sobre a mente humana e a sua capacidade de acreditar naquilo que quer. A mentir assumindo a forma de verdade e a desilusão que de nós se apossa quando a verdade é tudo o que resta. O mundo em que se passa esta narrativa é simplesmente mágico e deixou-me cheia de curiosidade e vontade de saber mais.
  • O Caminho de Cruz e Dragão - Talvez por ter passado muitos anos num colégio de freiras e por pôr em causa tudo aquilo que lá me diziam gostei desta pequena sátira religiosa e os seus Inquisidores interestrelares, de um novo messias e do poder que a mentira pode ter quando nos é apresentada como uma verdade superior, como uma doutrina ou fé.
  • Reis-de-Areia - Medoooooo...!! Apesar de logo no início da história sermos capazes de adivinhar que a coisa não vai acabar bem, Martin dá voltas e reviravoltas e quando chega o final consegue deixar-nos com aquele friozinho no estômago. Uma pitadinha daquele medo estúpido (porque sabemos que não há nada a temer) mas é isso mesmo que se espera de um conto de terror.
  • O Homem em forma de Pêra
  • Sob Cerco
  • Negócios de Peles - Suspense, mistério, polícias corruptos, crimes sangrentos, magia e lobisomens. Se tinha ficado super-fã dos vampiros deste senhor quando li o Fevre Dream com este conto fiquei a adorar os seus lobisomens. Tenho pena que não se tenha ainda dedicado a algo mais longo dentro do género (pelo menos não, que eu saiba) porque foi um final mesmo em grande para este livro.

Concluindo, quem está à espera de mais Gelo e Fogo que se desengane. Esta é uma apresentação das espectaculares capacidades deste autor nas diversas áreas sobre as quais já se debruçou. Uma selecção magnífica de contos para ler com calma (optei por nunca ler dois de seguida para não correr o risco de me confundir depois!!) e aproveitar.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Os Dragões do Assassino

Título: Os Dragões do Assassino
Saga/ Série: O Regresso do Assassino Vol.5
Autor: Robin Hobb
Tradução: Jorge Candeias
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 448

"Os Dragões do Assassino termina uma das séries de fantasia mais épicas de sempre. Por uma vez, todos parecem estar unidos num único objetivo: chegar ao dragão Fogojelo, sepultado sob o glaciar de Aslevjal. Uns pretendem libertá-lo, outros querem matá-lo. O que será que vai acontecer? No meio está o Príncipe Respeitador, preso pela vontade de paz a um casamento que depende da morte do dragão, mas ligado pela Manha a quem quer devolver ao mundo aquela grande vida. O dragão de Vilamonte, poderá ter uma palavra a dizer? E o Bobo, que profetizara que morreria naquela ilha; morrerá? No centro do turbilhão, como sempre, encontra-se Fitz, sempre o fulcro, sempre o Catalisador, sempre o agente da mudança. Que surpresas, que reviravoltas no fluxo do tempo poderá ele ainda causar?"



Os Dragões do Assassino vem encerrar a série O Regresso do Assassino de Robin Hobb. Por ser um volume que equivale à segunda metade do último livro na edição original, não há grandes "preliminares" e a acção prende o leitor logo no primeiro capítulo. É impossível "só deitar um olho", nas primeiras páginas começa tudo a acontecer.

Fitz e os companheiros encontram-se na ilha de Aslevjal com o intuito comum de alcançar Fogojelo, o dragão preso no glaciar. O único problema é que nem todos têm as mesmas intenções. Alguns membros do grupo pretendem soltá-lo e devolver os dragões ao mundo enquanto que, para outros, o mais importante é que Respeitador cumpra a sua promessa e deposite a cabeça do dragão na lareira da casa-mãe da sua noiva. Fitz está mais dividido que qualquer um dos membros do grupo e, simultaneamente, cresce dentro de si a preocupação com o Bobo e com o futuro por este previsto. É imperativo descobrir que é o misterioso homem de negro, alcançar o dragão e evitar a morte do Bobo. Todas estas tarefas exigem tomadas de decisão importantes e, em minha opinião, é este um dos pontos altos do livro. O evoluir de Fitz, o facto de termos um personagem cada vez mais forte, que começa a aceitar o seu passado, os seus erros e com uma vontade adulta de se redimir dos mesmos, toma decisões mais sábias e menos infantis.

Sendo o capítulo final dá saga, há algumas pontas soltas e arestas por limar. Hobb trata magistralmente desta questão proporcionando-nos um reencontro do leitor com personagens das quais sentíamos falta e, mais importante, o reencontro entre personagens que vem fechar algumas feridas e fases das suas vidas. Contudo, é este aspecto que dá um sabor agridoce ao livro. Se por um lado o leitor fica contente por pais reencontrarem e salvarem heroicamente os filhos, pelo assumir dos erros passados por parte de alguns e o aceitar de uma vida e novas condições por parte de outros; por outro lado, não deixamos de ficar literalmente com a lágrima no canto do olho com o final reservado a alguns dos nossos mais queridos companheiros nesta, já longa,  viagem pelos Seis Ducados. Há amores reencontrados, há novas relações de amizade e partilha mas esta é uma conclusão pejada de tristeza, morte, abandono e separação.

Adorei esta conclusão da saga, foi o melhor de todos os volumes, o mais bem conseguido e o que mais me tocou (se bem que estas coisas dependem muito do nosso estado de espírito quando lemos). Um desfecho magistral de uma série fantástica que, espero (a autora já disse haver essa possibilidade)  não seja a última vez que temos notícias de Fitz e do Bobo.

Podem ler um excerto aqui.

9/10

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Casa de Gaian - livro III Trilogia Pilares do Mundo

Título: A Casa de Gaian
Livro III - Trilogia dos Pilares do Mundo
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luis Coimbra
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 448


"Começou como uma caça às bruxas, mas o plano do Inquisidor-Mor para eliminar todos os vestígios de poder feminino que há no mundo preveem agora a aniquilação dos barões de Sylvalan que se lhe opõem… e a destruição do berço de toda a magia: a Serra da Mãe. Humanos e feiticeiras formam uma aliança difícil com os Fae para fazerem frente a esse imigo terrível. No entanto, mesmo unidos, não têm força suficiente para resistirem aos exércitos mobilizados pela Inquisição. Procuram por isso o apoio do último aliado ao qual podem recorrer: a Casa de Gaian. As feiticeiras que vivem isoladas na Serra da Mãe têm poder suficiente para criarem um mundo… ou para o destruírem. 
O antigo lema das bruxas: «Não fareis o mal», arrisca-se a ser esquecido por força de uma necessidade mais premente: a necessidade de sobreviverem."



Acabei o mês de Outubro em grande com a leitura deste terceiro e último volume da trilogia dos Pilares do Mundo. É, sem sombra de dúvida, o melhor dos três livros e aquele onde a autora se revela mais aquela Bishop que eu conhecia. Este é o volume mais cativante e intenso, conseguindo prender o leitor logo no primeiro capítulo. Começamos a ler e as coisas começam logo a acontecer e quando damos por nós já não há como largar.

Com a caça às bruxas de Sylvalan em marcha e uma aliança entre humanos e fae já consolidada, começam-se a fazer os preparativos para combater os Inquisidores e agora a Casa de Gaian tem bruxas mais que dispostas a quebrar a regra que rege a sua vida e toda a sua conduta se a tal forem obrigadas. Ficou para trás o morrer sem dar luta e exércitos humanos enfrentam exércitos mistos (fae, bruxas e humanos) na luta pelo território. E é aqui que a essência da escrita de Bishop se revela. A maldade e a hipocrisia dos vilões mas também o combate interior entre o bem e o mal, luz e sombras, dos nossos personagens preferidos. Nada é fácil e o lado negro de cada um sobressai evidenciando também a força para se manter fiel a  si mesmos e aos seus princípios.

Adorei as voltas e reviravoltas que este volume provoca na própria trilogia e o fim conseguido para alguns dos personagens. Muitos deles pagaram pela sua malícia e perfídia, pela ganância e hipocrisia enquanto  não menos foram compensados pela sua tenacidade e coragem. Contudo, principalmente nos momentos finais da narrativa, é impossível não ficarmos com um nó na garganta. A guerra deixa as suas marcas nas pessoas e na terra, nem a magia permanece intacta e a morte é uma das suas consequências. Não resistindo ao spoiller, tenho que vos dizer que houve uma morte em especial que, apesar de algo previsível, me deixou um amargo de boca. 

Os pontos altos da trama são definitivamente a força dos personagens femininos, à semelhança do que já acontecia nos volumes anteriores, e o dualismo presente em toda a narrativa (luz e sombras, bondade e maldade...) e o facto de sabermos muito, mas muito mais sobre a Casa de Gaian e as bruxas que continuam a habitar o foco primordial de magia deste território. Além disso, temos a escrita simples e fluída de Bishop que nos guia página após página, deliciando-nos e prendendo-nos com delicadeza.

Imperdível para os fãs da saga e/ou da autora.

Podem ler um excerto aqui

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Luz e Sombras - Anne Bishop


Título: Luz e Sombras
Autor: Anne Bishop
Saga/Série: Trilogia Pilares do Mundo
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 368
ISBN 9789896374273

"Desde o massacre das bruxas, os Fae, que deviam poteger as suas primas há muito esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira. Aiden, o Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas. Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…"


Quando, depois de ter lido o primeiro livro desta trilogia, dei a minha opinião sobre "Os Pilares do Mundo" afirmei que me parecia muito pouco para esta autora. Continuo a manter o que disse em relação a esse livro. Contudo, Luz e Sombras já é outra coisa... aqui já consegui ver a Anne Bishop que conheço. Apesar de algum aspectos da trama serem bastante previsíveis e, por vezes, algo naif conseguimos ver uma grande evolução e crescimento nos personagens. Por outro lado, neste novo volume os personagens mais negativos e malévolos já são mais característicos desta autora. A maldade e a hipocrisia já não estão tão disfarçadas como no volume anterior e isso nota-se, principalmente, em relação aos barãoes - aos seus discursos e acções - e a alguns fae inconformados e narcisistas. 
Um aspecto que caracteriza a escrita de Bishop e que volta aqui a estar presente são os personagens femininos fortes e de carácter vincado. As mulheres estão em destaque, todas muito diferentes umas das outras mas todas lutadoras e determinadas a conseguir aquilo a que se propõem. 

Quanto à trama em si apenas posso dizer (sem grandes spoillers) que depois de conhecerem o Ary, tocados pela sua história, o Bardo e a Musa estão determinados em salvar as Bruxas e aquilo que elas representam. Correm ambos os mundos avisando humanos e fae dos últimos acontecimentos mas poucos são os que os ouvem e menos ainda os que os recebem bem. Postos de parte por todos e sofrendo com as agruras da sua jornada decidem procurar ajuda onde menos se esperaria (tendo em conta que são fae). Acabam por travar conhecimento com os clãs menos bem aceites pela sua raça e descobrir que estes não estão assim tão errados, apenas não esqueceram quem são.
Este foi um dos aspectos de que mais gostei, ver as diferenças entre as culturas fae e os seus modos de interagir com os humanos. Este aspecto cruza-se com outro, o rever de personagens das quais havia gostado muito no volume anterior, conhecer o seu destino e ver as diferentes posturas face ao problema que têm entre mãos.

É um volume mais intenso do que o anterior, com novos e cativantes personagens, que consegue prender-nos logo nas páginas iniciais. Depois de entrarmos no espírito da narrativa já não conseguimos largá-lo.
No fim a autora deixa todas as possibilidades em cima da mesa e o leitor com uma enorme curiosidade.




Podem ler um excerto do livro aqui

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Avatar de Kushiel

Título: Avatar de Kushiel
Autor: Jacqueline Carey
Tradução: Teresa Martins de Carvalho
Edição: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374051
Nº de páginas: 400

"A nação de Terre d’Ange é um lugar de beleza e graça sem par. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa… e que a raça resultante da semente dos anjos e dos homens se rege por uma simples regra: Ama à tua vontade. Phèdre nó Delaunay é uma mulher atingida pelo Dardo de Kushiel, eleita para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. O seu caminho tem sido estranho e perigoso, e ao longo de todo ele o devotado espadachim Joscelin tem estado a seu lado. A natureza dela é uma tortura para ambos, mas ele jamais violou o seu voto: proteger e servir. Agora, os planos de Phèdre põem a promessa de Joscelin à prova, já que ela jamais esqueceu o seu amigo de infância, Hyacinthe. Passou dez longos anos em busca da chave para o libertar da sua eterna servidão, um acordo por ele feito com os deuses — tomar o lugar de Phèdre em sacrifício e com isso salvar uma nação. Phèdre não pode perdoar — nem a si própria nem aos deuses. Está determinada a agarrar uma derradeira esperança de redimir o seu amigo, nem que isso signifique a morte. A busca irá levar Phèdre e Joscelin mundo fora, para cortes distantes onde reina a loucura e as almas são moeda de troca, e por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de quase todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome."            

Para mim os pontos altos da obra de Jacqueline Carey são as suas personagens e a magnífica escrita, rica e cuidada, com que nos pinta cenas tão vividas que nos fazem sentir parte integrante da narrativa. Este volume não foge à regra.
Dez anos passaram sobre os acontecimentos de “A Promessa de Kushiel”, dez anos de paz que foram generosos para a maioria dos personagens. Contudo, sem que houvesse grandes avisos, os acontecimentos vão precipitar-se e Phédre vai ver-se mergulhada em duas demandas que, numa fase inicial, não parecem ter nenhuma relação entre si. Ainda assim, nada é o que parece a teia de intriga é tão densa e intrincada que nem sequer a herdeira de Delauney é capaz de abarcar a totalidade do mistério e quem poderá estar por detrás dele.
Correspondendo este volume da edição portuguesa a metade do livro na sua edição original, não é um texto que consiga responder-nos a todas as questões que haviam ficado pendentes mas, em muitos aspectos, é mais do que estávamos à espera. Também por causa desta divisão o ritmo da narrativa é bastante pausado em cerca de ¾  do mesmo sendo que a sua intensidade apenas começa a aumentar nos capítulos finais.  Apesar disso, a acção vai-se desenrolando a um ritmo constante e sem quebras, guiando-nos por terras que já conhecíamos  - Siovale, La Sereníssima…- passando por  locais que já haviam sido referidos em anteriores volumes – Aragonia e Menekhet – para terminar por nos levar ao território verdadeiramente assustador que é Drujan.
Neste ponto não posso deixar de referir a forma realista com que Carey nos pinta uma capital africana, com todas as misturas de culturas e povos que podemos encontrar nestes locais, no caso de Menekhet, e o pequeno frio no estômago com que consegue deixar o leitor à medida que o vai preparando para Drujan. Toda a geografia, a história deste povo, a sua cultura e o povo em si, estão fortemente marcadas pelo derramamento de sangue e  por uma entidade negra e mortal que ninguém consegue explicar porque ninguém conhece. E é aqui que a narrativa nos deixa, numa terra selvagem e inóspita onde, longe de se resolverem, as coisas apenas parecem complicar-se. O ponto fulcral de interrupção deixa –nos cheios de curiosidade…  O que se esconderá verdadeiramente na negra fortaleza de Drujan? De que será capaz um bem treinado cassiline quando levado às profundezas do desespero? Que alianças poderão vingar entre os prisioneiros no zenana? E, acima de tudo, quais as consequências que poderão advir do encontro da mais perfeita e única anguisette com o mais pérfido dos sádicos?...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Segredo de Prata

Título: Segredo de Prata
Autor: Patricia Briggs
Tradução: Manuel Alberto Vieira
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 288


"Bem-vindo ao mundo de Patricia Briggs, um lugar onde bruxas, vampiros, lobisomens e seres feéricos vivem lado a lado com os humanos. Só uma mulher invulgar como Mercy Thompson poderia sentir-se em casa num lugar assim.
Depois de ter escapado a custo das garras de Marsilia, a temível rainha dos vampiros, Mercy só deseja paz e sossego para se integrar no bando de lobisomens do seu companheiro. Mas as coisas começam logo mal…
Quando tenta devolver um livro mágico, descobre que este contém segredos que as fadas farão tudo para proteger. E de seguida informam-na de que um amigo desapareceu e que as fadas estão envolvidas. Ou seja, só lhe resta usar os seus poderes - sobrenaturais e humanos - para se salvar a si e aos seus amigos.
Como se não fosse suficiente enfrentar o mundo implacável e perigoso das fadas, Mercy ainda tem de lidar com o lado depressivo do seu amigo Samuel (mas será só um amigo?), cada vez mais atormentado pelo conflito entre a sua natureza humana e animal.
Conseguirá Mercy Thompson encontrar uma forma de manter o seu mundo e amigos ilesos?"

Não sei muito bem o que vos diga sobre este livro. No que respeita aos personagens e à trama central, bem como ao estilo de escrita este volume não tem nenhuma novidade a acrescentar aos anteriores. Se ppor um lado este elemento pode ser desapontante ou desencorajador para alguns leitores, para outros (como eu) é a garantia de dois serões agradáveis na companhia de personagens já nossos conhecidos e de um livro daqueles que não nos obriga a pensar muito. Se fosse verão, diria que é uma óptima leitura de praia.
Aquilo de que eu mais gosto é mesmo do humor que a autora imprime à sua escrita e, sobretudo, da heroina forte, segura e cheia de personalidade. Acho que é por isso que continuo a ler as aventuras da Mercy, pela personagem em si.

Quanto à trama neste volume, como a própria sinopse indica anda muito à volta dos seres feericos e das consequências que as escolhas amorosas da Mercy têm na vida daqueles que a rodeiam. Tive alguma pena que a questão dos seres feericos, principalmente no que respeita à rainha das fadas, não tenha sido muito aprofundada. Houve livros em que nos foi mostrado muito mais do mundo e do universo desses seres e em que não foram levantadas tantas questões. Por exemplo, porque é que a rainha das fadas (se é rainha) tem tanto medo dos senhores cinzentos? Porque tem ela que se socorrer de uma bruxa? De onde saiu a dita cuja e porquê? 
Gostei  de rever o Phineas e de conhecer a  sua avó mas apenas porque esta parte da estória está ligada com aquela que está mais bem construida e melhor conseguida - os resultados das escolhas românticas da Mercy...
Já sabiamos que o bando não tinha aceite bem a ligação entre Adam e Mercy e tão pouco do facto de um coiote ocupar  - por vias dessa mesma ligação - a segunda posição de poder dentro do próprio bando. O que não sabiamos era que alguns dos lobisomens conseguiam interferir na relação entre o alfa e a mecânica a ponto de tanto essa relação como a harmonia e equilibrio do bando entrarem em ruptura. Gostei desta pequena intriga, da forma como foi posta em prática e das suas implicações.

Um outro aspecto do qual gostei e que me conseguiu, em certa medida, surpreender foi a reacção de Sam. Até certo ponto da sua vida ele tinha visto a Mercy apenas como um meio de criar uma família; depois apercebeu-se que realmente os sentimentos que nutria por ela eram mais fortes do que aquilo que ele próprio suspeitava; agora... bem, os seguidores da série sabem o que acontece aos lobisomens que perdem o amor pela vida.  A solução encontrada pela autora foi, inicialmente prevísível - desculpem o spoiler mas... como as coisas nos são apresentadas, ninguém acredita que o Sam vai morrer no final - mas já mais no fim da narrativa, ainda que romântica demais para meu gosto pessoal, conseguiu surpreender-me. Não estava à espera de uma ligação do tipo desta que a autora criou agora - não posso dizer mais, desculpem.

Enfim, não é um grande clássico nem uma grande obra mas a leitura é agradável e os fãs desta série de livros vão gostar bastante.

quinta-feira, 8 de março de 2012

George R. R. Martin vem a Portugal em Abril


A editora Saída de Emergência avançou mais pormenores sobre a visita do pai de Songs of Ice and Fire (Crónicas de Gelo e de Fogo) ao nosso país. Para aqueles que, como eu, não pensam perder a oportunidade deixo aqui a informação até agora avançada.

18 de abril:
Teatro Villaret, Lisboa, a partir das 18h30: Sessão de apresentação de "O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias" e pré-venda exclusiva do livro com sessão de autógrafos (entrada livre)
Só será permitido um autógrafo por pessoa ou dois autógrafos no caso de ser adquirido exemplar do livro "O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias". O autor não irá autografar edições estrangeiras ou que não pertençam à Saída de Emergência.

19 de abril:
Evento SyFy: Ante-estreia do 1.º episódio da 2.ª temporada de "Game of Thrones" numa sala de cinema em Lisboa (por definir) - 21h, seguida de sessão de perguntas e respostas com autor (entrada limitada)

20 de abril:
Sessão com fãs na Fnac Norteshopping, Porto - 19h, com sessão de autógrafos limitada a 2 livros por pessoa (edições da SdE)

domingo, 4 de março de 2012

Os Reinos do Caos

Título: Os Reinos do Caos
Autor: George R. R. Martin
Tradução: Jorge Candeias
Edição: SdE

 O inverno aproxima-se de um mundo mergulhado no caos. No norte dos Sete Reinos está iminente uma batalha decisiva pelo que resta do antigo domínio dos Stark. Ainda mais a norte, Jon Snow luta por encontrar um equilíbrio entre as tradições da Patrulha da Noite e o que o seu instinto lhe diz ser o caminho correto a seguir. A sul, velhas alianças esperam o tempo certo para serem reveladas, enquanto os homens de ferro assolam os mares e as costas dos domínios Tyrell. Do outro lado do mar estreito, tudo converge para a Baía dos Escravos, onde Daenerys Targaryen tarda em ganhar a paz na inquieta cidade de Meereen. E os dragões? Qual será o seu papel no meio de tudo isto? Muitos estão certos de que a tão temida reconquista de Westeros está prestes a começar.

E aqui estou eu uma vez mais de regresso de Westeros :)  E com problemas... não é fácil falar deste livro sem cair em spoilers e mais spoilers tanto do Dança dos Dragões como deste volume em si. A tarefa está complicada...

A primeira impressão que tive mal acabei a leitura do livro foi algo do género "já? então e agora? Foi para isto que estivemos tanto tempo à espera?", na verdade, apesar de na recta final do livro as coisas avançarem um bocado, o ritmo da narrativa está um bocado mais lento que nos volumes anteriores e há POV que servem única e exclusivamente para "encher chouriços" - estou a falar dos POV da Daenerys que me custaram mais que muito a engolir. Não havia necessidade de prolongar tanto as coisas em Meereen.
Lá para o final as coisas começam a acontecer mas apenas para nos deixarem as habituais questões sem resposta a que Martin acostumou. Alguns dos meus personagens preferidos desapareceram sem deixar rasto ou estão na iminência de o fazer; há pistas de um ataque que nos levanta muitas questões relativamente ao facto de ter mesmo ocorrido; há profecia que, ao que parece, estão cumpridas ou prestes a cumprir-se... E o autor não se decide a avançar com a escrita e ainda nos deixa com a estória a meio.

O inverno está a chegar e eu estou verdadeiramente curiosa para saber se será o único que aí vem. Quer-me parecer que num próximo volume podemos ter várias surpresas até porque o prólogo do DwD começa agora a fazer algum sentido.
Um dos aspectos que mais gostei foi da provação de Cersei, se bem que de momento ela me parece calma demais. Dá a sensação de que está a tramar alguma mostrando-se conformada e arrependida ap'enas para que a deixem maquinar os seus esquemas em paz e sossego. Ainda assim, aquilo por que teve que passar foi mais do que merecido e deixa qualquer leitor com um sentimento de justiça cumprida.
Os desenvolvimentos na Muralha também são interessantes, Jon embora com pouca experiência toma algumas boas decisões (outras nem tanto) que me parece que ainda podem fazer correr muita tinta em volumes futuros. vemos um Jon inseguro ser nomeado comandante da Muralha e começar a actuar para ir ganhando cada vez mais força, embora não mais certezas. A única coisa que me desagradou aqui foi o facto de o novo senhor comandante se lembrar amiúde de que a Patrulha não toma partidos mas não conseguir mandar à fava o Stannis e a Selyse. A "rainha" anda por ali com os seus homens como se aquilo fosse tudo dela e quer dar ordens aos homens da Patrulha por tudo e por nada e ninguém lhe cala o pio. Irritou-me.
Outra coisa que me mexeu um bocado com o sistema nervoso foi o facto de Martin estar sempre a ressuscitar personagens. Assim já não dá, senhor... Por este andar a morte de todo e qualquer personagem perde todo o significado porque vamos estar sempre a pensar que depois ele volta milagrosamente dos mortos, ou que afinal aquele não era realmente o personagem x ou y mas alguém que se fazia passar por ele... É bom que a narrativa não seja previsível e linear mas andar sempre a  trazer personagens do outro mundo também já se torna maçador.

E por falar em prevísivel... Achei os acontecimentos do epílogo muito bem vindos e esclarecedores mas sem grandes surpresas. Ainda assim, gostei bastante deste final que parece trazer algumas certezas e poder vir a revelar um novo rumo dos acontecimentos futuros em Porto Real, além de nos dar a entender que vamos voltar a  "ver" mais de perto outra vez as maquinações de Varys.

Tenho realmente pena de não conseguir pôr aqui uma caixa de spoiler. Digo-vos apenas que prestem atenção ao Manderly, às profecias e ao bardo Abel. E já não digo mais nada senão ainda sou ameaçada ou algo que o valha :)

Concluindo, soube a pouco dado o tempo que os fãs estiveram à espera deste novo volume da saga mas gostei bastante. Fico agora à espera dos contos que vão ser publicados pela SdE em Abril e que têm (pelo menos alguns) Westeros como pano de fundo e que podem também dar novas pistas para os acontecimentos  nesta saga.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um toque de sangue

CONHEÇAM SOOKIE STACKHOUSE!
Uma excelente forma de experimentar pela primeira
vez a Saga do Sangue Fresco Sookie Stackhouse é a empregada de bar preferida de todos. Uma loura bonita e alegre... que consegue ler mentes. Mas está longe de ser a única residente em Bon Temps, Louisiana, com uma particularidade especial, com os vampiros locais reclamando os seus direitos inumanos e os lobisomens lutando por território... Aliás, Bon Temps tornou-se um sítio bastante animado por estes dias!"
  
Devo, para começar, dizer que não desgostei de todo do livro. Li-o num serão à lareira e digamos que "foi um ar que se lhe deu"... o tempo passou rápido e quase sem dar por ele mas, por qualquer razão que não sei especificar, não conseguiu encher-me as medidas. Talvez estivesse à espera de algo diferente ou as expectativas fossem demasiado altas para um livro de contos do universo Sangue Fresco... não sei.

A escrita da autora é a de sempre, simples e pejada de humor negro que nos deixa um sorriso nos lábios quando não nos leva às gargalhadas. Além disso, todos os nossos personagens preferidos estão presentes, é agradável rever alguns deles, principalmente os que sabemos que na saga já não vão aparecer. Ainda assim... o único conto de que realmente gostei foi Pó de Fada pela perspectiva que nos dá das fadas e do modo como vivem. E claro, temos Claudine, Claude e Claudette...
Não me parece que seja das coisas melhores que a autora já fez, mesmo dentro deste universo e, tampouco o recomendaria a alguém que se quisesse iniciar nas estórias de Sangue Fresco pelo facto de haver muitos, muitos spoillers para quem não leu a maior parte dos livros. Ainda assim, é uma boa leitura para um serão de inverno ou uma tarde na praia e entre a edição de um livro e outro... é sempre bom poder visitar alguns personagens.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

As mentiras de Locke Lamora

Título: As mentiras de Locke Lamora
Uma Aventura dos Cavalheiros Bastardos
Autor: Scott Lynch
Tradução: Ana Mendes Lopes
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 544

"Diz-se que o Espinho de Camorr é um espadachim imbatível, um ladrão mestre, um amigo dos pobres, um fantasma que atravessa paredes. De constituição franzina e quase incapaz de pegar numa espada, Locke Lamora é, para mal dos seus pecados, o afamado Espinho.
As suas melhores armas são a inteligência e manha à sua disposição. E embora seja verdade que Locke roube dos ricos (quem mais vale a pena roubar?), os pobres nunca vêem um tostão. Todos os ganhos destinam-se apenas a ele e ao seu bando de ladrões: os Cavalheiros Bastardos.
O submundo caprichoso e colorido da antiga cidade de Camorr é o único lar que o bando conhece. Mas tudo vai mudar: uma guerra clandestina ameaça destruir a própria cidade e os jovens são lançados num jogo de assassinos e traidores onde terão de lutar desesperadamente pelas suas vidas. Será que, desta vez, as mentiras de Locke Lamora serão suficientes?"

A primeira coisa que me chamou a atenção neste livro foi a capa. Não sei porquê, faz-me lembrar uma Veneza Renascentista ou, talvez, ainda mais antiga; despertou a minha curiosidade e não consegui mesmo resistir... Valeu a pena!

A acção passa-se em Camorr uma importante Cidade-Estado que, apesar de não ser a Veneza da minha imaginação, achei muito interessante. A estrutura política é-nos bem explicada pelo autor, assim como as tradições, traições e ligações sociais e outras que, na maioria dos casos, são bastante intrincadas.
Não achei que a narrativa decorresse a um ritmo alucinante, nem nada que se lhe pareça, mas de algum modo o autor conseguiu prender-me a atenção logo nos primeiros capítulos. Talvez tenha sido a curiosidade acerca de um ladrão que rouba demais, que rouba por gosto...  Além da semente da curiosidade que desde cedo começa a germinar no leitor, outra coisa que serve para nos deixar "agarrados" ao livro é o facto de Lynch ir alternando a narrativa presente com a de factos passados relativos às histórias pessoais de cada um dos personagens. Deste modo conseguimos não só conhecê-los melhor mas também compreender com maior alcance as suas acções e reacções. O humor também está sempre presente aligeirando algumas situações mais complicadas e conseguindo arrancar-nos algumas gargalhadas.

Quanto ao mistério e à intriga propriamente dita... adorei. As cenas do passado remetem para o presente e vice-versa, muitas vezes dando-nos a sensação de que já conseguimos antever os passos seguintes da trama mas nesses precisos momentos há sempre qualquer coisa, qualquer reviravolta e voltamos quase à estaca zero (mas é só às vezes...). Os  planos e as mentiras de Locke, tanto em adulto como em criança, são rebuscados e inteligentemente deliciosos, quase nos dão vontade de ter participação activa num dos seus crimes. Fiquei sem sombra  de dúvidas a desejar ser "espectadora" de mais um golpe de mestre em breve.

Quanto aos pontos negativos, tive pena de ver um fraco aproveitamento de alguns personagens que prometiam muito (não posso dizer nomes sem deixar aqui um spoiller do tamanho de hoje e de amanhã) e  que agora também já não vou conhecer melhor porque... morreram. Pois é, mas devia ter adivinhado que algo do género podia vir a acontecer visto Martin ter considerado a "história original e cheia de vigor" e Lynch "um novo autor brilhante". Por ai devia perceber que alguns dos meus personagens preferidos iam sofrer algum tipo de dano severo.
Também a magia e os magos foram pouco explorados, a meu ver. Mas como esses não tiveram um fim trágico penso que os vamos poder voltar a ler e saber mais sobre eles numa das próximas aventuras dos Cavalheiros Bastardos. Até porque com o final deste volume... o próximo promete!!

Gostei bastante. Recomendo

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os Pilares do Mundo - Anne Bishop

Título: Os Pilares do Mundo
Autor: Anne Bishop
Tradutor: Luís Coimbra
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 381

Ari, a última descendente de uma longa linhagem de bruxas, pressente que o mundo está a mudar... e está a mudar para pior. Há várias gerações que ela e outras como ela zelam pelos Lugares Antigos, assegurando-se de que o território se mantém seguro e os solos férteis. No entanto, com a chegada da primeira Lua Cheia do Verão, as relações com os seus vizinhos azedam-se. Ari já não está segura. Há muito que o povo Fae ignora o que se passa no mundo dos mortais. Só o visitam, através das suas estradas misteriosas, quando desejam recrear-se. Agora esses caminhos desaparecem a pouco e pouco, deixando os clãs Fae isolados e desamparados. Onde sempre reinara a harmonia entre o universo espiritual e a natureza, soam agora avisos dissonantes nos ouvidos dos Fae e dos mortais. Quando se espalham nas povoações boatos sobre o começo de uma caça às bruxas, há quem se interrogue se os diversos presságios não serão notas diferentes de uma mesma cantiga. A única informação que têm para os nortear é uma alusão passageira aos chamados Pilares do Mundo...



Este livro é a entrada num mundo de Bishop completamente novo, um mundo mais naif, mais ligado aos contos tradicionais e de fadas com que (quase) todos crescemos. Está bastante longe daquilo a que esta autora nos habituou, é uma narrativa algo mais leve, sem aquela aura negra e aquela dose de humor, também ele negro, que já nos são familiares. É um livro algo mais leve, mais doce e mais "inocente", não arrebatador como os demais títulos que conheço de Bishop. Enquanto o lia não me saiam da cabeça algumas das estórias de infância, as lendas celtas e irlandesas que nos falam dos fae... é mágico mas à sua maneira.

Ari é uma jovem considerada estranha por todos e, por isso solitária. Depois da perda da sua família mais chegada vive sozinha numa terra mágica e peculiar que pertence à sua família desde tempos imemoriais. Cedo nos apercebemos que esta rapariga é algo mais do que podemos considerar à primeira vista e que nestas terras há mais do que os olhos podem ver. É aqui que o mundo dos narcisistas fae se cruza com o dos humanos e que o improvável acontece. A estória cedo nos prende pela simplicidade e pela curiosidade no desenrolar das situações pois, apesar de alguns acontecimentos serem bastante previsíveis damos por nós a querer saber COMO se vai chegar àquele ponto.

Gostei muito dos personagens, sobretudo da força dos personagens femininos e dos (poucos) fae que se sentem divididos entre o seu mundo e este porque os amam, a ambos, não de igual modo mas de maneira semelhante. A minha personagem preferida é Morag, ainda que, em minha opinião, tenha demorado demasiado tempo a descortinar o mistério visto que tinha todas as "ferramentas" para tal na garupa do seu cavalo num ou noutro momento da história.
No que respeita a vilões, esta também é uma estória rica. Temos os tradicionais nobres gananciosos que procuram a qualquer custo alcançar mais riqueza e poder; os amantes mesquinhos e pouco atentos; os "homens" que, por qualquer razão, se pensam acima de todos os outros; os meninos (e meninas) "bem" que de bons têm muito pouco; os tios gananciosos que nos criam mas que nos desprezam acima de quaisquer outros; e, por fim, um homem ressentido, ressaibiado e que não compreende a sua herança mas que se dedica a caçar a sua própria "espécie" sem nenhum tipo de remorso, até com prazer. Ainda assim, com esta tão extensa lista, não houve nenhum vilão que me "enchesse as medidas". Ficou muito por explicar sobre Adolfo, sobre os seus discípulos e, sobretudo, acerca das criaturas de cria. É mau mas não é daqueles que teríamos medo de encontrar numa noite escura, pelo menos, ainda não o é.

Por último, não posso deixar de fazer uma chamada de atenção que me custa pessoalmente dado que sou uma verdadeira fã dos livros desta editora; contudo, não é a primeira vez que tal acontece e, nos últimos tempos, é cada vez mais recorrente... a revisão deste livro deixou muito a desejar. Não posso dizer que foi pavorosa mas definitivamente há algum problema nesta área que a editora devia analisar. É extremamente aborrecido comprarmos um livro, ficarmos todos contentes porque temos uma primeira edição, por finalmente podermos ler determinado título e depois o ritmo de leitura ser constantemente cortado por erros e gralhas, o livro não ter um capítulo (não foi o caso deste livro mas de outro desta autora), os verbos estarem mal conjugados e etc. Corta o feeling...

Concluindo, apesar de não ser a "tradicional" narrativa de Bishop e dos erros de revisão (acerca dos quais já contactei a editora), gostei bastante deste novo mundo e da estória em si. Uma estória mais naif que espelha a narrativa, intensa e mágica mas clean e que nos prende logo nas primeiras páginas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Avanço das novidades SdE para 2012

Apesar de a lista avançada pela SdE ser provisória e, portanto, sujeita a alterações futuras, confesso que já comecei a ter algumas dores na carteira. Pois é, adivinha-se um verdadeiro festim para os fãs de fantasia com a publicação de, entre outros, Marion Zimmer Bradley, Anne Bishop, Martin. Robin Hobb, Feist, Durham e jacqueline Carey.
Fica, então, a lista:

JANEIRO
Bruxa de Elite - Kim Harrison
Sangue Fresco – Contos – Um Toque de Sangue – Charlaine Harris
Acacia – Presságios de Inverno – David Durham
O Lado Negro da Lua – Sherrilyn Kenyon
Os Reinos do Caos – G.R.R. Martin

FEVEREIRO
A Cruz de Morrigan – Nora Roberts
Sombras Radiantes – Melissa Marr
Mago – Trevas de Sethanon – Raymond Feist
Rios de Prata – R. A. Salvatore
A Senhora da Magia – Marion Zimmer Bradley
Despertada – PC Cast

MARÇO
Staying at Daisy's – Jill Mansell
O Avatar de Kushiel – Jacqueline Carey
Testemunha Mortal – R.D. Robb
Silver Borne – Patricia Briggs
Highlander – Para Além da Névoa - KMM

ABRIL
The Dream Hunter – Sherrilyn Kenyon
S. Fresco V11 Dead Reckoning – Charlaine Harris
Oceanos de Fogo – Christine Feehan

MAIO
A Dança dos Deuses – Nora Roberts
A Luz e as Trevas (V2 de Os Pilares do Mundo) – Anne Bishop
For a Few Demons More – Kim Harrison
Seduced by Moonlight – L.K Hamilton
A Jóia do Halfling – R. A. Salvatore
A Rainha Suprema – Marion Zimmer Bradley
Regresso do Assassino V4 – Robin Hobb

JUNHO
Good at Games – Jill Mansell
Mago – Príncipe Herdeiro – Raymond Feist
Judgement in Death – J. D. Robb
Assassin's Creed – Revelações – Oliver Bowden
Destined – PC Cast

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Nota - Cruz de Ossos

Ontem deixei-vos aqui a minha opinião relativamente a Cruz de Ossos de Patricia Briggs. Referi algumas gralhas e expressões idiomáticas que, na minha opinião, poderiam não ter sido traduzidas da melhor maneira. Mas eu, como todos, não tenho sempre razão... Estamos sempre a aprender e devo reconhecer que, desta vez (e de outras, provavelmente) a ignorância estava comigo e quando fiz referência ao uso da palavra "guante" em vez de "luva", estava errada. Afinal, não se tratava de um qualquer erro ou distração, nem tão pouco de uma confusão com o castelhano. Neste caso em concreto, a palavra empregue no original não poderia ser traduzida por "luva" na medida em que é um tipo específico de luva que a autora refere - luva de ferro da armadura antiga; manopla.
Peço, portanto, desculpa pelo meu erro.

Não posso deixar de acrescentar aqui um sincero pedido de desculpas ao tradutor, Manuel Alberto Vieira. Quem lê o meu texto fica com a ideia de que lhe atribuo toda a responsabilidade pelas gralhas ou erros que o leitor possa encontrar e, tal ideia, não podia ser mais injusta. O tradutor é um ser humano e, como tal, é normal que possa cometer algum erro. Contudo, no processo de edição, existem outras pessoas responsáveis por rever o trabalho e corrigi-lo se necessário. Pessoas que, regra geral, esquecemos atribuindo a totalidade das responsabilidades a quem traduz. Mais uma vez...erro meu ao deixar passar a ideia.

Ficam o esclarecimento e o meu pedido de desculpas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cruz de Ossos


Título: Cruz de Ossos
Autor: Patricia Briggs
Tradução: Manuel Alberto Vieira
Edição: Saida de Emergência
Nº de páginas: 285
"Ainda a curar-se, tanto no espírito como no corpo, dos brutais acontecimentos ocorridos recentemente na sua vida, Mercy Thompson está longe de poder baixar a guarda. Agora é a rainha dos vampiros, a temível Marsilia, que está furiosa por descobrir que Mercy não só matou um vampiro com o também oculta uma identidade secreta ameaçadora para os da suaespécie... Mercy tem a proteção do bando local de lobisomens, e o seu interesse romântico pelo Alfa torna a ligação ainda mais intensa, mas é bom que a coiote em si esteja alerta, pois a rainha Marsilia não perdoa e irá atrás de Mercy de uma forma ou de outra..."

Uau, já tinha mesmo saudades da menina Mercedes, só assim se explica que tenha lido o livro em apenas um dia!!
Depois de finalmente ter feito uma opção no que respeita a Samuel e Adam e dos brutais acontecimentos do volume anterior terem visto um fim, seria de pensar que Mercy teria algum sossego. Mas esta rapariga parece ser perseguida pelo perigo e por personagens que a querem ver morta a qualquer custo. Apenas uma semana depois do ataque de Tim e ainda a recuperar do mesmo, Mercy descobre que Marsilia ficou a saber quem, de facto, matou Andre e tenta armar uma cilada à nossa heroina. Algo desesperada por sair da cidade e proteger os seus amigos, a jovem decide aceitar o convite de uma antiga colega da faculade e desloca-se a Spokane para a ajudar num problema com fantasmas. Contudo, e para não variar, nada é o que realmente parece e Mercedes acaba por dar por  si "na toca do lobo". Como não podia deixar de ser, tudo acaba bem mas... nós é que nos ficamos a roer de curiosidade devido às pontas soltas na narrativa.

No que respeita aos personagens e à narrativa em si, temos mais daquilo a que Briggs nos vem habituando. Acção, poucos ou nenhuns tempos mortos e uma heroina com uma força incrivel e que não deixa de surpreender não só os que a rodeiam como o leitor. Não posso deixar de referir que adorei voltar a encontrar Stefan. O vampiro é um dos meus personagens preferidos, talvez por não ser muito linear e por conseguir sempre provocar algumas situações de humor, e tinha estado ausente do último volume. Aqui a sua presença é uma constante :)

Apenas uma nota menos positiva para a tradução, além de alguns erros encontrei duas ou três gafes e a má tradução de algumas expressões idiomáticas. Também há algumas coisas  que não sei se estão totalmente erradas mas que me cortaram o ritmo em algumas ocasiões. A título de exemplo, traduzir guantes em vez de luvas. Pode ser apenas pela minha próximidade a Espanha mas... em português não costumo ouvir esta palavra, apenas em espanhol. Mas como disse, são pequenas coisas que não tenho a certeza de não estarem correctas.
6/10

NOTA

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Dança dos Dragões

Título: A Dança dos Dragões
Autor: George R. R. Martin
Tradução: Jorge Candeias
Edição: Saída de Emergência


Depois de uma longa espera, apesar de ser sempre óptimo voltar a Westeros, o certo é que este volume foi, em certa medida, uma desilusão. Não uma completa desilusão, afinal estamos a falar de Martin, mas depois de tanta expectativa, de tamanha espera e de tanto se ter falado sobre este novo volume das Crónicas de Gelo e de Fogo, esperava mais. Mas comecemos pelo principio...

A Dança dos Dragões é cronologicamente paralelo ao Festim dos Corvos e Mar de Ferro e aqui pode começar a confusão. Apesar de o autor nos avisar logo de início deste pormenor a verdade é que demoramos um bocadinho a assimilar a coisa. Supostamente, já vamos mais avançados na narrativa e, ainda que este volume nos traga personagens mais ausentes nos dois livros anteriores (da edição portuguesa), facilmente nos perdemos e esquecemos o aviso.

E uma vez que comecei por apontar um defeito talvez seja melhor continuar na mesma linha. A visita guiada às Cidades Livres é interessantissima em vários pontos mas longe de desvendar mistérios, adensa-os enquanto dá ao leitor a ideia de que esta mudança de cenário, ainda que necessária no desenrolar da estória e na introdução de novos personagens, serve sobretudo para "encher choriços". É frustrante o tempo que o autor leva a narrar determinados acontecimentos, nomeadamente nos capítulos dedicados a Daenerys, para depois a narrativa não avançar. Quando pensamos que uma decisão vai ser tomada, que se vai marcar uma posição e movimentar as peças no tabuleiro... não acontece nada. Este é o maior ponto negativo do livro e por ele me vou ficar, embora deva dizer que o ritmo lento e a sensação de não haver qualquer avanço marcou de forma definitiva a leitura.

Relativamente aos pontos positivos, fico feliz por poder afirmar que eles são mais que os negativos. Entre os mesmos destaco o novo alento dado a três personagens: Bran, Melisandre e Cheirete. Bran, que estava longe de ser uma das minhas personagens preferidas, renasceu daqueles seus sonhos estranhos e revela-se como alguém que pode vir a ser determinante no desenvolvimento da narrativa. Como não podia deixar de ser, esta nova faceta de Bran trás consigo inumeros mistérios relativamente aos quais temos, de momento, muito pouca luz.

Melisandre, também na minha lista negra, é aqui apresentada de uma forma mais humana, alguém que tem sonhos e aspirações e que pode errar, que tem medos como toda a gente. É-lhe conferida uma aura algo mais humana embora não menos assustadora. O Cheirete, por sua vez, é a grande personagem-revelação do livro. Absolutamente brilhante a reviravolta que Martin deu transformando alguém pura e simplesmente estúpido e arrogante num ser abjecto, desprezivel e sem um pingo de amor-próprio que chega a dar-nos pena enquanto nos dá volta ao estômago.

Não posso deixar de referir também os acontecimentos na Muralha. Jon está tacituro, melancólico e, em minha opinião, tal deve anteceder algum acontecimento importante. O novo comandante da Patrulha da Noite está em guerra consigo mesmo e o turbilhão de sentimentos dá-lhe outra intensidade mas também lhe revela mais as fraquezas. Podemos vê-lo forte e tentando fazer o correcto, enfrentando os desfios que lhe são impostos mas, em determinadas ocasiões, perdido e temeroso.

Apesar de tudo, gostei do livro e continuo a aguardar a segunda parte (que será editada em Janeiro) pois fiquei com a sensação de que o melhor está para vir. Se houver grandes revelações (mais... houve duas neste livro das quais não posso falar sem fazer grandes spoilers)iremos encontrá-las no próximo volume. Há ainda muitas peças à espera de serem movimentadas neste tabuleiro.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Despertar do Crepúsculo

Título: Despertar do Crepúsculo
Autor: Anne Bishop
Tradução: Cristina Correia
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 414

"Os "sombriamente fascinantes" romances das Joias Negras de Anne Bishop, autora de sucesso consagrada no top do New York Times, têm cativado igualmente leitores e críticos devido à mescla de fantasia, intriga e romance. Com o presente Despertar do Crepúsculo, Bishop regressa ao reino dos Sangue com quatro inéditas e fascinantes novelas.
Prendas de Winsol
Daemon, Príncipe dos Senhores da Guerra de Joias Negras de Dhemlan, está ainda a adaptar-se ao seu primeiro ano de casado com a sua Rainha Feiticeira, Jaenelle. Porém, com a aproximação da celebração do Winsol que se prolonga por treze dias, Daemon tem de lidar com demasiadas solicitações ao mesmo tempo que se assume como anfitrião da sua admirável família.

Cambiantes de Honra
Ainda a recuperar da provação que a deixou ferida e furiosa, Surreal regressa a Ebon Rih sob as ordens do Príncipe Lucivar. Quando o seu antigo amante Falonar desafia impiedosamente a autoridade da família à qual ela pertence, Surreal poderá, por fim, sucumbir às trevas que ardem no seu âmago.

Família
Quando alguém arma uma cruel cilada à Rainha Sylvia e aos seus filhos, as sequelas consomem por completo as vidas da família reinante de Dhemlan. Terão de desvendar a identidade do Senhor da Guerra conhecido somente como Sem Rosto antes que regresse para terminar o que começou.

A Filha do Senhor Supremo
Após a perda das duas pessoas mais importantes da sua vida, Daemon assumiu o papel de seu pai, Saetan, como Senhor Supremo do Inferno, construindo um muro em redor do seu coração. Porém, ao estabelecer inadvertidamente uma nova relação, bastará ela para o libertar da sua vida desprovida de amor?"


Com "Despertar do Crepúsculo", Bishop leva-nos mais uma vez ao fascinante mundo dos Sangue. O livro é formado por 4 pequenas histórias que complementam a não apenas a Trilogia das Joias Negras mas também os demais livros da autora cuo pano de fundo é este universo.
Apesar de a muitos estas pequenas histórias lhes poderem saber a pouco, qual é o fã de Bishop que resiste a mais uma visita aos seus personagens favoritos? Pois é, nenhum...
Este volume tem tudo aquilo que nos fez apaixonar pelos Sangue, as suas vidas e o seu fantástico mundo. Estão lá os nossos personagens favoritos, as histórias das suas vidas, o humor e violência... Enfim, são os Sangue e Anne Bishop. Que mais podemos pedir?

Para os que não leram todos os livros, desta autora, editados em Portugal há alguns pormenores que podem ser algo confusos mas que, simultaneamente, vão despertar a curiosidade e deixar-vos cheios de vontade de ler mais. Isto acontece porque três das histórias atravessam todo o período temporal já nosso conhecido e focam alguns dos acontecimentos que já conhecemos de narrativas anteriores, tornando-os mais completos e satisfazendo a curiosidade de muitos leitores.

Não queria falar muito dos contos a nível individual sob pena de haver spoillers, posso apenas dizer-vos que Prendas de Winsol decorre após os acontecimentos de Jóia Perdida e é um conto bastante ligeiro que tem como pano de fundo a celebração do Winsol e a preocupação dos personagens de que tudo corra da melhor forma. Reflecte-se um pouco sobre o sentido de família e aquilo que é verdadeiramente importante para cada um.

Cambiantes de Honra decorre antes dos acontecimentos de Aliança das Trevas e prende-se também com os acontecimentos de Jóia Perdida. Rainier e Surreal ainda recuperam dos ferimentos e do trágico desfecho da sua visita a uma casa assombrada quando são chamados para uma temporada de treino de recuperação em Ebon Rih com Lucivar. Contudo, nem tudo vai bem naquele território e Falonar - ainda ressaibiado com Surreal e a sua família - mostra-se cada vez mais descontente com a vida simples e familiar que Lucivar oferece aos eyrienos. Todos têm conflictos para resolver e a tarefa não se adivinha fácil. Surreal deve perdoar, Rainier deve aceitar-se e Lucivar tem que conciliar definitivamente a sua posição em Ebon Rih.

Os acontecimentos de Família têm lugar dez anos após os de Cambiantes de Honra e leva-nos mais uma vez ao lado mais obscuro e sombrio da natureza de alguns Sangue. O seu gosto pelo sofrimento e dor alheios, a sua perfídia e malvadez.
A familia de Sylvia é atacada durante aquela que devia ser uma visita informal e de cariz pessoal a uma das provincias na fronterira com a Pequena Terreille. Nada é aquilo que parece e o destino de alguns dos personagens pode estar longe de ser aquele que o leitor lhes imaginava reservado.

O último conto A Filha do Senhor Supremo, tem uma base temporal completamente nova. é um conto que atravessa décadas (mais ou menos 30 anos) e que tem lugar setenta anos depois do acontecimentos da trilogia das Joias Negras. Este foi o que mais me cativou, não apenas pela nova prespectiva mas também pelo facto de me deixar a pensar na possibilidade de a autora poder ter aqui a sua base para uma nova trilogia ou algo similar. Não posso adiantar muito sem vos contar a história toda de modo que vou apenas adiantar que se abre todo um leque de novas possibilidades e novas personagens que renovam este universo.

Concluindo, é leitura obrigatória para os fãs da autora (principalmente a última história) e deixa o leitor muito satizfeito no que respeita ao complemento a narrativas anteriores, embora nos deixe também uma sementinha de esperança e curiosidade relativamente a novos projectos da autora.
7/10