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sábado, 22 de março de 2014

Luz e Sombra

Título: Luz e Sombra
Série/ Saga: The Grisha (The Grisha, #1)
Autor: Leigh Bardugo
Edição: Asa
Colecção: 1001 Mundos
ISBN: 9789892324852
Nº de páginas: 312

"Só ela consegue vencer as trevas... Rodeada por inimigos, a outrora grande nação de Ravka foi dividida em duas pelo Sulco de Sombra, uma faixa de escuridão quase impenetrável cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Agora, o seu destino pode depender de uma só refugiada. Alina Starkov nunca foi boa em nada. Órfã de guerra, tem uma única certeza: o apoio do seu melhor amigo, Maly, e a sua inconveniente paixão por ele. Cartógrafa do regimento militar, numa das expedições que tem de fazer ao Sulco de Sombra, Alina vê Maly ser atacado pelos monstros volcra e ficar brutalmente ferido. O seu instinto leva-a a protegê-lo , e ela revela um poder adormecido que lhe salva a vida, um poder que poderia ser a chave para libertar o seu país devastado pela guerra. Arrancada de tudo aquilo que conhece, Alina é levada para a corte real para ser treinada como um membro dos Grishas, a elite mágica liderada pelo misterioso Darkling. Com o extraordinário poder de Alina no seu arsenal, ele acredita que poderá finalmente destruir o Sulco de Sombra. No entanto, nada naquele mundo pródigo é o que parece. Com a escuridão a aproximar-se e todo um reino dependente da sua energia indomável, Alina terá de enfrentar os segredos dos Grisha... e os segredos do seu coração."

Como devem ter reparado, não tenho parado muito por aqui e esta é, na verdade, uma das várias opiniões que tenho em atraso (já sei, já sei... shame on me!! Não devia deixar as coisas atrasar tanto que depois até me esqueço dos pormenores). Embora a coisa já não esteja fresquinha vou tentar dar o meu melhor!!

No início do livro, e apesar de alguma confusão muito por culpa da estratificação social, o leitor sente-se um pouco baralhado, fora da narrativa. Contudo, há algo que torna a leitura interessante e nos impele a continuar. Esse algo são as personagens principais e os desenvolvimentos iniciais da trama. Escuso de dizer muito sobre a trama em si porque a sinopse já diz tudo o que há para dizer. Enquanto, numa missão para o exército de que ambos fazem parte, Alina e Mal, atravessam o Sulco de Sombra (que só por acaso é isso mesmo, um rasgão anti-natural a meio de Ravka, onde a luz do sol não entra e reinam umas criaturas estranhas e sedentas de sangue e carne humana) são atacados por volcras (as tais criaturas) e a rapariga acaba por salvar o amigo sem saber muito bem como. A partir daqui, a vida de ambos vai mudar completamente e vão deixar para trás o mundo que sempre conheceram. Alina, por quem ninguém dava 5 tostões, é afinal a maior esperança do reino no que respeita à destruição do Sulco e ao desenvolvimento económico e social de toda a nação. E aqui a coisa começa a descambar um bocado, a trama vira completamente e o livro transforma-se num romance de adolescentes passado num liceu. Há as meninas mimadas sempre a cochichar e a engendrar planos para derrotar a "concorrência"; há a rapariga dotada que é posta de parte por não ser riquinha ou por ter supostamente mais capacidades que os demais; há os professores mauzinhos e os condescendentes; e há até o raio do triângulo amoroso (devo confessar que este não me irritou tanto como o habitual mas... está lá).  Pois é, Alina, que durante toda a vida amou Mal (embora não o queira reconhecer a viva voz) vai ver-se completamente enfeitiçada pelo vilão da história - o Darkling. Não é isso que está mal, é mesmo a incongruência da situação. Então a moçoila acredita mesmo que o seu mentor/ professor, o homem mais poderoso de todo o reino, se apaixona por ela? Um homem lindo como um deus grego, poderoso como um imperador (e curiosamente velho como as montanhas)... Ora, poupem-me...!! Se bem que este vilão, é um vilão muito atraente a vários níveis! É um dos meus personagens preferidos neste livro.

Mas nem tudo é mau. Lá mais para o final a coisa sofre novo volte face e voltamos ao mistério e à aventura, às intrigas de poder. E o final é até bastante satisfatório. Além disso, há alguns aspectos do livro que me agradaram mesmo muito. Por exemplo, a dicotomia presente no título é, na verdade, uma constante em toda a narrativa. Ravka é um lugar de extremos onde os muito ricos e poderosos (de várias formas) se opõem ao povo miserável e oprimido, onde a luz e cor  não conseguem penetrar em determinados locais... Até nos dois vértices masculinos do triângulo amoroso esta dicotomia está presente.  Outro ponto que me agradou bastante foi a aproximação à Russia dos Czares. Para tal contribui e muito a grande capacidade descritiva (principalmente a nível de cores) da autora pois esta referência é conseguida através dos cenários e festas palacianos, dos trajes utilizados pelos personagens e por pequenos mas importantes detalhes. O mistério que envolve alguns dos personagens (ainda estou para saber quem são realmente determinadas "pessoas" como o "Rasputin", por exemplo!!) também serve não só para adensar o mistério da trama mas para prender o leitor.

Em suma, pareceu-me um volume introdutório que consegue cativar, pelo menos eu já estou com vontade de ler os outros. Tem o handicap de ter aquele triângulo amoroso algo ridículo mas a ideia principal é bastante prometedora e com algum aprofundar de certos aspectos em volumes posteriores o world building é muito atraente. Espero que a autora continue a valorizar os aspectos positivos que referi e enfatize mais o suspense e a aventura nos próximos volumes.

7,5/10 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Luz e Sombras - Anne Bishop


Título: Luz e Sombras
Autor: Anne Bishop
Saga/Série: Trilogia Pilares do Mundo
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 368
ISBN 9789896374273

"Desde o massacre das bruxas, os Fae, que deviam poteger as suas primas há muito esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira. Aiden, o Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas. Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…"


Quando, depois de ter lido o primeiro livro desta trilogia, dei a minha opinião sobre "Os Pilares do Mundo" afirmei que me parecia muito pouco para esta autora. Continuo a manter o que disse em relação a esse livro. Contudo, Luz e Sombras já é outra coisa... aqui já consegui ver a Anne Bishop que conheço. Apesar de algum aspectos da trama serem bastante previsíveis e, por vezes, algo naif conseguimos ver uma grande evolução e crescimento nos personagens. Por outro lado, neste novo volume os personagens mais negativos e malévolos já são mais característicos desta autora. A maldade e a hipocrisia já não estão tão disfarçadas como no volume anterior e isso nota-se, principalmente, em relação aos barãoes - aos seus discursos e acções - e a alguns fae inconformados e narcisistas. 
Um aspecto que caracteriza a escrita de Bishop e que volta aqui a estar presente são os personagens femininos fortes e de carácter vincado. As mulheres estão em destaque, todas muito diferentes umas das outras mas todas lutadoras e determinadas a conseguir aquilo a que se propõem. 

Quanto à trama em si apenas posso dizer (sem grandes spoillers) que depois de conhecerem o Ary, tocados pela sua história, o Bardo e a Musa estão determinados em salvar as Bruxas e aquilo que elas representam. Correm ambos os mundos avisando humanos e fae dos últimos acontecimentos mas poucos são os que os ouvem e menos ainda os que os recebem bem. Postos de parte por todos e sofrendo com as agruras da sua jornada decidem procurar ajuda onde menos se esperaria (tendo em conta que são fae). Acabam por travar conhecimento com os clãs menos bem aceites pela sua raça e descobrir que estes não estão assim tão errados, apenas não esqueceram quem são.
Este foi um dos aspectos de que mais gostei, ver as diferenças entre as culturas fae e os seus modos de interagir com os humanos. Este aspecto cruza-se com outro, o rever de personagens das quais havia gostado muito no volume anterior, conhecer o seu destino e ver as diferentes posturas face ao problema que têm entre mãos.

É um volume mais intenso do que o anterior, com novos e cativantes personagens, que consegue prender-nos logo nas páginas iniciais. Depois de entrarmos no espírito da narrativa já não conseguimos largá-lo.
No fim a autora deixa todas as possibilidades em cima da mesa e o leitor com uma enorme curiosidade.




Podem ler um excerto do livro aqui