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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

El Libro del Cementerio

Título: El Libro del Cementerio (The Graveyard Book)
Autor: Neil Gaiman
Tradução: Mónica Faerna
Edição: Roca Editorial
Nº de páginas: 304

"Escuchad esta trágica historia: una familia que duerme, un asesino sin compasión y una criatura aventurera, un huérfano que escapa de la muerte. ¿O no?El pequeño escapa del peligro y consigue gatear hasta lo más alto de la colina. Detrás de la valla que se encuentra, existe un lugar oscuro y tranquilo, un cementerio lleno de una vida especial.El niño es recibido allí donde los muertos no duermen y todos los que allí habitan deciden brindarle su protección, porque fuera, tras la valla que separa a la ciudad de sus fantasmas, el asesino vil espera pacientemente. El niño sin padres, sin lugar en el mundo, sin nombre, será acogido por los espíritus amables, que hacen un pacto para protegerlo. Lo llamarán Nadie, porque no se parece a nadie más que a sí mismo. Será Nad para sus “padres”, Nad para sus compañeros de juegos, niños que nunca más crecerán, Nad para su mentor. Y Nadie para el hombre que lo busca para matarlo."
Como muitos dos seguidores deste blog já sabem, não resisto a Neil Gaiman e foi por esse motivo que, apesar de não ler em espanhol há já pelo menos um ano, não consegui deixar de comprar este livro assim que lhe pus a vista em cima. E ainda bem que assim foi.
A escrita de Gaiman é deliciosa, tão simples na sua complexidade tão própria que nos transporta de uma forma única para o universo descrito; as páginas sucedem-se e novos mundos são revelados de uma forma tão imaginativa que a leitura se torna quase mágica.
Neste livro somos apresentados não só a Nadie Owens, uma criança orfã e perseguida por um assassino implacável e misterioso, mas também a toda a comunidade de mortos que habita o velho cemitério no cimo da colina e que acaba por o adoptar e defender dos males do mundo. À primeira vista, um livro para crianças cuja acção se centra num cemitério pode parecer algo tétrico e até incongruente mas, na verdade este livro não é nada assim. A narrativa é tecida de forma tão inteligente e com tanto humor que até as passagens algo mais tristes ou negras se tornam uma verdadeira delícia sendo um erro classificar este volume como literatura infantil ou juvenil. A morte é abordada com tanta alegria que até nos esquecemos da temática, o mundo criado à volta de Nadie, as suas aventuras e desventuras são dignas da melhor adaptação cinematográfica levada a acabo por Tim Burton e os defuntos assumem características tão humanas, sentimentos tão reais que simplesmente deixamos lembrar aquilo que pretendem ser e simbolizar.
Tenho pena de não terem sido explicados e explorados de uma forma mais satisfatória alguns elementos mais, digamos, místicos mas suponho que o público alvo iria achar estes desenvolvimentos de pouca importância e não passariam de um elemento extra que veriam como dispensável. Ainda assim, é um livro simples e extremamente positivo, com um final muito comovente e uma mensagem forte que espero sinceramente poder ver traduzido para o português (quem sabe na colecção Via Láctea que tanto tem apostado neste autor). Enquanto tal não acontece apenas posso recomendá-lo a todos os fãs de Gaiman que o possam ler na versão original ou numa das línguas para as quais já foi traduzido.
9/10
Para a página pessoal do autor carreguem aqui.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Deuses Americanos

Título: Deuses Americanos
Autor: Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença
Tradução: Fátima Andrade
Nº de páginas: 493

"Sombra, acabado de sair da prisão, aceita trabalhar para um estranho, o Sr. Quarta-Feira, que não é nada mais nada menos que a encarnação de um deus antigo. Por estarem a ser ultrapassados por ídolos modernos, os deuses antigos encontram-se em vias de extinção, e Sombra e Quarta-Feira têm de reunir o maior número de divindades para se prepararem para o conflito iminente que paira no horizonte. Mas esperam-nos inúmeras surpresas… Bestseller distinguido com diversos prémios, Deuses Americanos é uma aventura onde o mágico e o mundano, o mito e o real, caminham lado a lado, levando-nos numa viagem repleta de humor ao extraordinário potencial da imaginação humana."
Mais um fantástico livro da Colecção Via Láctea da Presença ao qual não pude resistir (esta colecção tem destas coisas...) principalmente porque o autor é um dos meus preferidos. Contudo, e para começarmos, devo dizer que não é um bom livro para uma primeira abordagem à literatura de Gaiman. Se querem conhecer este autor e nunca leram nada dele sugiro que comecem por Neverwhere, Bons Augúrios ou os Filhos de Anansi (para não falar em Coraline). Esta é mais uma incursão à mente de Gaiman e, atrevo-me a dizer, uma das mais estranhas e surreais.
Com a chegada dos colonos e escravos ao mundo novo deu-se também a chegada dos deuses por eles trazidos, deuses fortes e presentes mas que não faziam parte daquela terra, apenas dos corações daqueles que agora a habitavam. Através desta premissa o autor leva-nos a conhecer a miscelânea cultural e racial que povoa a América do Norte, os deuses importados que coexistem e se sobrepõem aos deuses nativo-americanos e que têm dificuldades em criar raízes numa terra que não foi feita para a sua espécie, numa terra em que são esquecidos com o passar das gerações até atingirem o ponto de extinção eminente.
Actualmente, a sociedade capitalista vive para o consumo, o mundo não sabe em que acreditar optando por virar-se para a informação e as tecnologias de ponta que são veneradas como se de deuses se tratassem. Contudo, neste mundo qualquer avanço ao nível tecnológico se torna obsoleto em curtíssimos lapsos de tempo e até estes novos deuses são esquecidos com facilidade. Os humanos apenas se interessam pelo dinheiro e poder que podem alcançar através dos bens materiais e a crise ideológica é evidente. São estes os pontos chave focados por Gaiman nesta viagem ao coração profundo não só da América mas da Humanidade e que nos deixam a pensar naquilo que vemos acontecer à nossa volta e no que realmente acreditamos.
Embora possa à primeira vista parecer uma leitura pesada não o é, o tom da narrativa é leve e alegre, fortemente marcado pelo humor (às vezes um pouco negro) que é caracteristico deste autor e a tradução está muito boa - aspectos que nos fazem rapidamente chegar à última página sem que de tal nos demos conta.
8/10

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Coraline e a Porta Secreta

"Na nova casa de Coraline Jones existem vinte e uma janelas e catorze portas.Treze estão abertas mas há uma que está sempre fechada. E é precisamente essa porta misteriosa que desperta uma curiosidade inquietante em Coraline, levando-a a descobrir uma passagem secreta para uma casa aparentemente igual à sua. Mas depressa se apercebe de que algo de estranho se passa. Incrédula, Coraline assiste a um cenário invulgar: anjos que flutuam, livros com imagens que se contorcem, crânios de pequenos dinossauros que tiritam os dentes quando ela passa, cães e gatos que falam, brinquedos animados e os seus próprios pais que a acolhem neste novo mundo. Mas como podem os seus pais ter botões pretos no lugar de olhos? E por que motivo querem estes novos pais aprisionar os antigos num espelho existente no corredor? Será que ela está simplesmente a sonhar ou na verdade já não pertence ao mundo real?"

Uma vez que o filme estreia amanhã, dia 19, voltei esta semana a ler história de Coraline - gosto de ir ao cinema sempre após ter lido o livro e sempre com a narrativa ainda bem fresquinha na memória. Manias...

Coraline não é o típico livro para crianças - apesar da personagem principal ser uma criança como todos fomos com os seus medos, a sua vontade de explorar e de saber e coma qual não temos dificuldade nenhuma em identificarmo-nos. Coraline não é um livro para crianças que pode ser lido (com prazer) por adultos. Coraline é um livro adulto para crianças. Nesta obra, Neil Gaiman serve-se da sua mestria para criar uma história sublime que nos faz pensar verdadeiramente na vida e no que ela representa para nós, bem como naquilo que é realmente importante.
A história tem o seu início quando Coraline e os pais se mudam para uma velha casa remodelada na qual ela descobre a existência de uma porta que, por vezes, não leva a lugar nenhum mas que em determinadas circunstâncias a leva a um mundo, à primeira vista, muito idêntico aos seu onde tudo parece perfeito.

No decorrer desta história Gaiman aborda não apenas os nossos receios mais infantis mas também as nossas inquietações mais adultas como o medo da solidão, a morte, a desilusão, a perda e sobretudo a necessidade de encontrar uma força interior que nos leve a avançar e enfrentar aquilo que a vida nos reserva. Patente está também a temática bastante actual que, na minha opinião, é um dos grandes problemas da vida moderna - tudo aquilo que perdemos, às vezes sem querer; as coisas realmente importantes, que não se repetem e que nos passam ao lado simplesmente porque não estamos a olhar, porque não lhes prestamos a devida atenção.

Enfim, não quero adiantar muito sobre a história em si, apenas posso dizer que é bastante interessante e agrada tanto a miúdos como a graúdos. Ainda assim, para quem já tem mais maturidade, a mensagem subjacente e a forma como é transmitida demonstram claramente o génio de Gaiman. Uma coisa não me sai da cabeça depois de reler este livro... Nunca queremos verdadeiramente aquilo que desejamos...


9/10