segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Cônsul desobediente

As imagens são algo arrepiantes mas, dada a temática e o período negro da História que retratam, só o poderiam ser.


Deixo-vos como sugestão mais esta aposta da Saída de Emergência que aqui acompanho com o trailler promocional do livro de Sónia Louro. Espero poder lê-lo em breve.



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

50 anos de Astérix e Obélix


Foi ontem dada a conhecer em Paris a capa da edição especial do livro que comemora os 50 anos Astérix. Com o título francês de “Livre d’Or”, em Portugal será conhecido como “O Aniversário de Astérix & Obélix - O livro de Ouro”. Este é um álbum de 56 páginas contendo pranchas inéditas de Uderzo e textos inéditos de Goscinny. A publicação do livro está agendada para 22 de Outubro e vai acontecer em simultâneo em 18 países. Será o primeiro álbum da série em quatro anos e terá uma tiragem estimada de dois milhões de volumes em todo o mundo.
A ASA está também a preparar diversas iniciativas para assinalar os 50 anos das Aventuras de Astérix, personagem de banda desenhada que se estreou em Portugal em 1961, dois anos após a sua primeira publicação em França, o seu país de origem. Dois grandes momentos estão já agendados: a chegada do livro dos 50 anos, assinalada às 00h da noite de 21 para 22 de Outubro na loja Fnac do Centro Comercial Colombo, e a festa dos 50 anos de Astérix, que terá lugar na Embaixada de França, em Lisboa, no dia 29 de Outubro.
Para os interessados posso também adiantar que a fnac está com uma campanha de pré-venda, para consultar a mesma basta carregar nas letras azuis.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Nome do Vento

Título: O Nome do Vento
Autor: Patrick Rothfuss
Tradução: Renato Carreira
Edição: Gailivro
Nº de páginas: 966

"Chamo-me Kvothe. Resgatei princesas dos túmulos de reis adormecidos, incendiei Trebon. Passei a noite com Felurian e parti com a sanidade e com a vida. Fui expulso da Universidade na idade em que a maioria dos alunos é admitida. Percorri caminhos ao luar que outros receiam nomear durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e compus canções que fazem chorar os trovadores. É possível que me conheçam."
Antes de começar a ler O Nome do Vento deparei-me com imensa informação sobre o livro, principalmente na internet. Fosse o que fosse que pudesse ler acerca da obra um ponto era comum, esta é considerada a melhor obra de fantasia dos últimos anos. Esta é uma fasquia bem elevada e já aprendi a nunca ter grandes expectativas relativamente a livro que trazem colados epítetos deste género mas desta vez não fiquei nada desiludida.

Enfim, não posso dizer que seja a melhor obra, ainda não conhecemos os demais volumes desta trilogia e, além disso, sou fã de George R. R. Martin... mas posso assegurar que é das melhores obras (não só de fantasia, eu diria de literatura em geral) que li nos últimos anos.
A escrita é muito simples e fluída mantendo-nos presos à história da vida de Kvothe que, agora um homem como qualquer outro, esperando por algo temível, narra as aventuras e desventuras da sua vida desde criança até ao "agora". Estão presentes todos os ingredientes indispensáveis a uma estória digna desse nome, personagens enigmáticas, tragédia, cenas repletas de humor, amor, intriga e mistério...
Neste volume conhecemos Kvothe criança feliz e amargurada, jovem prodígio com tendência para se colocar em apuros mas a narrativa termina mesmo quando queríamos saber o que acontece a seguir - é sempre assim...!!! Os acontecimentos passam-se numa espécie de Terra Média onde se falam várias línguas diferentes, inventadas pelo autor, e que deixam transparecer algumas influências de Tolkien. Gostei especialmente do modo como a história vai sendo contada, parecendo por vezes que o autor se esqueceu de continuar a narrar certo episódio para depois, quando já somos nós quem quase o olvidou, voltar a pegar-lhe de uma forma que faz todo o sentido.
A tradução está bastante bem, penso eu, e não encontrei grandes gralhas ou erros. Confesso que era isso que temia dadas as falhas encontradas na Saga de Luz e Escuridão publicadas pela mesma editora.
Recomendo vivamente.
8/10

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Cabana

Título: A Cabana
Autor: WM. Paul Young
Tradução: Fernando Dias Antunes
Edição: Porto Editora

"E se Deus marcasse um encontro consigo? As férias de Mackenzie Allen Philip com a família na floresta do estado de Oregon tornaram-se num pesadelo. Missy, a filha mais nova, foi raptada e, de acordo com as provas encontradas numa cabana abandonada, brutalmente assassinada. Quatro anos mais tarde, Mack, mergulhado numa depressão da qual nunca recuperou, recebe um bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à malograda cabana.Ainda que confuso, Mack decide regressar à montanha e reviver todo aquele pesadelo. O que ele vai encontrar naquela cabana mudará o seu mundo para sempre."
Aos que não me conhecem senão deste cantinho devo esclarecer. Pode ser que a crítica pareça um pouco estranha, em alguns pontos, algo antagónica mas tudo tem uma razão de ser. Esta foi talvez a mais difícil opinião que escrevi sobre um livro e ainda agora não sei se escrevi algo que se aproveite... Passei 10 anos num colégio de freiras e desenvolvi uma certa "alergia" a tudo o que respeita à Igreja, Religião e Teologia. Enfim, acredito nas minhas coisas (toda a gente acredita em alguma coisa) mas tenho teorias algo próprias e que amiúde não agradam muito aos demais. Assim, foi com algum cepticismo e, devo confessar, com os dois pés atrás que comecei a ler A Cabana.
Neste livro conhecemos Mack, um homem com uma infância e juventude difíceis graças a um pai alcoólico e violento ao qual acaba por conseguir fugir. Enquanto adulto torna-se um homem simples, de poucas falas que ama e é amado pela maravilhosa mulher com quem casou e que lhe deu 5 filhos. Contudo este homem é marcado por uma sentimento que o consome, a "Grande Tristeza" que se apossou dele quando durante um fim-de-semana com os filhos Missy, a filha de 6 anos, desaparece e é brutalmente assassinada. Confrontado com esta dura realidade, Mack começa a questionar Deus e a sua justiça, a razão pela qual as tragédias acontecem e nos deixamos levar pelo desespero enquanto Deus nada faz para o evitar ou para mitigar a nossa dor.
É este o ponto de partida, a estória de fundo que dá origem a uma análise pouco ortodoxa daquilo que é o grande mistério da vida, o ainda maior mistério da morte, da justiça divina e da (nem sei que palavra empregar agora...)...enfim, daquilo em que se tornou a Igreja. E aqui devo concordar que a Igreja enquanto instituição é completamente obsoleta, precisa há já muitos séculos de uma revisão de de uma mudança radicais e sobretudo precisa de começar a reger-se pelas regras que tenta impor aos demais - para variar um bocadinho. Todos estes temas complicados à partida, são respondidos e abordados de uma forma muito simples, coerente e até esclarecedora para quem se consiga identificar ou tenha mesmo fé.
Não sendo o meu tipo de livro foi com surpresa que me descobri a desfrutar bastante da leitura e a reflectir naquilo que lia. Percebo perfeitamente que num mundo em mudança constante e no qual o individualismo e o materialismo imperam A Cabana se tenha transformado num êxito mundial. Afinal de contas apela a uma mudança no modo de encarar a vida, no modo como nos relacionamos com os outros e naquilo que realmente sentimos e é importante para nós. Mais do que uma parábola sobre Deus, esta entidade que sustem e simultâneamente atormenta a todos (chamemos-Lhe o nome que Lhe chamemos), esta é uma incursão à vida e ao coração do Homem, à sua alma pejada de dúvidas e crenças, temores e esperanças. É uma viagem à cabana que guardamos bem no nosso interior, cheia de recantos - por vezes obscuros - que mais ninguém conhece.
7/10