quarta-feira, 16 de maio de 2012

Luz e Sombras - Anne Bishop


Título: Luz e Sombras
Autor: Anne Bishop
Saga/Série: Trilogia Pilares do Mundo
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 368
ISBN 9789896374273

"Desde o massacre das bruxas, os Fae, que deviam poteger as suas primas há muito esquecidas, ignoraram as necessidades do resto do mundo. Agora as sombras voltam a alastrar-se sobre as aldeias do oriente. Sombras negras e poderosas que ameaçam todas as feiticeiras, todas as mulheres e os próprios Fae. Apenas três pessoas podem fazer frente à loucura coletiva que se está a disseminar e impedir que mais sangue seja derramado: o Bardo, a Musa, e a Ceifeira. Aiden, o Bardo, sabe que o mundo está dependente da proteção dos Fae, mas estes recusam-se a escutar os seus avisos sobre o mal que se esconde nas florestas. Vê-se obrigado a partir com o amor da sua vida, Lyrra, a Musa, numa aventura arriscada em busca do único Fae capaz de fazer o seu povo despertar da indiferença. Se os Fae não agirem depressa, ninguém sobreviverá…"


Quando, depois de ter lido o primeiro livro desta trilogia, dei a minha opinião sobre "Os Pilares do Mundo" afirmei que me parecia muito pouco para esta autora. Continuo a manter o que disse em relação a esse livro. Contudo, Luz e Sombras já é outra coisa... aqui já consegui ver a Anne Bishop que conheço. Apesar de algum aspectos da trama serem bastante previsíveis e, por vezes, algo naif conseguimos ver uma grande evolução e crescimento nos personagens. Por outro lado, neste novo volume os personagens mais negativos e malévolos já são mais característicos desta autora. A maldade e a hipocrisia já não estão tão disfarçadas como no volume anterior e isso nota-se, principalmente, em relação aos barãoes - aos seus discursos e acções - e a alguns fae inconformados e narcisistas. 
Um aspecto que caracteriza a escrita de Bishop e que volta aqui a estar presente são os personagens femininos fortes e de carácter vincado. As mulheres estão em destaque, todas muito diferentes umas das outras mas todas lutadoras e determinadas a conseguir aquilo a que se propõem. 

Quanto à trama em si apenas posso dizer (sem grandes spoillers) que depois de conhecerem o Ary, tocados pela sua história, o Bardo e a Musa estão determinados em salvar as Bruxas e aquilo que elas representam. Correm ambos os mundos avisando humanos e fae dos últimos acontecimentos mas poucos são os que os ouvem e menos ainda os que os recebem bem. Postos de parte por todos e sofrendo com as agruras da sua jornada decidem procurar ajuda onde menos se esperaria (tendo em conta que são fae). Acabam por travar conhecimento com os clãs menos bem aceites pela sua raça e descobrir que estes não estão assim tão errados, apenas não esqueceram quem são.
Este foi um dos aspectos de que mais gostei, ver as diferenças entre as culturas fae e os seus modos de interagir com os humanos. Este aspecto cruza-se com outro, o rever de personagens das quais havia gostado muito no volume anterior, conhecer o seu destino e ver as diferentes posturas face ao problema que têm entre mãos.

É um volume mais intenso do que o anterior, com novos e cativantes personagens, que consegue prender-nos logo nas páginas iniciais. Depois de entrarmos no espírito da narrativa já não conseguimos largá-lo.
No fim a autora deixa todas as possibilidades em cima da mesa e o leitor com uma enorme curiosidade.




Podem ler um excerto do livro aqui

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Avatar de Kushiel

Título: Avatar de Kushiel
Autor: Jacqueline Carey
Tradução: Teresa Martins de Carvalho
Edição: Saída de Emergência
ISBN: 9789896374051
Nº de páginas: 400

"A nação de Terre d’Ange é um lugar de beleza e graça sem par. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa… e que a raça resultante da semente dos anjos e dos homens se rege por uma simples regra: Ama à tua vontade. Phèdre nó Delaunay é uma mulher atingida pelo Dardo de Kushiel, eleita para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. O seu caminho tem sido estranho e perigoso, e ao longo de todo ele o devotado espadachim Joscelin tem estado a seu lado. A natureza dela é uma tortura para ambos, mas ele jamais violou o seu voto: proteger e servir. Agora, os planos de Phèdre põem a promessa de Joscelin à prova, já que ela jamais esqueceu o seu amigo de infância, Hyacinthe. Passou dez longos anos em busca da chave para o libertar da sua eterna servidão, um acordo por ele feito com os deuses — tomar o lugar de Phèdre em sacrifício e com isso salvar uma nação. Phèdre não pode perdoar — nem a si própria nem aos deuses. Está determinada a agarrar uma derradeira esperança de redimir o seu amigo, nem que isso signifique a morte. A busca irá levar Phèdre e Joscelin mundo fora, para cortes distantes onde reina a loucura e as almas são moeda de troca, e por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de quase todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome."            

Para mim os pontos altos da obra de Jacqueline Carey são as suas personagens e a magnífica escrita, rica e cuidada, com que nos pinta cenas tão vividas que nos fazem sentir parte integrante da narrativa. Este volume não foge à regra.
Dez anos passaram sobre os acontecimentos de “A Promessa de Kushiel”, dez anos de paz que foram generosos para a maioria dos personagens. Contudo, sem que houvesse grandes avisos, os acontecimentos vão precipitar-se e Phédre vai ver-se mergulhada em duas demandas que, numa fase inicial, não parecem ter nenhuma relação entre si. Ainda assim, nada é o que parece a teia de intriga é tão densa e intrincada que nem sequer a herdeira de Delauney é capaz de abarcar a totalidade do mistério e quem poderá estar por detrás dele.
Correspondendo este volume da edição portuguesa a metade do livro na sua edição original, não é um texto que consiga responder-nos a todas as questões que haviam ficado pendentes mas, em muitos aspectos, é mais do que estávamos à espera. Também por causa desta divisão o ritmo da narrativa é bastante pausado em cerca de ¾  do mesmo sendo que a sua intensidade apenas começa a aumentar nos capítulos finais.  Apesar disso, a acção vai-se desenrolando a um ritmo constante e sem quebras, guiando-nos por terras que já conhecíamos  - Siovale, La Sereníssima…- passando por  locais que já haviam sido referidos em anteriores volumes – Aragonia e Menekhet – para terminar por nos levar ao território verdadeiramente assustador que é Drujan.
Neste ponto não posso deixar de referir a forma realista com que Carey nos pinta uma capital africana, com todas as misturas de culturas e povos que podemos encontrar nestes locais, no caso de Menekhet, e o pequeno frio no estômago com que consegue deixar o leitor à medida que o vai preparando para Drujan. Toda a geografia, a história deste povo, a sua cultura e o povo em si, estão fortemente marcadas pelo derramamento de sangue e  por uma entidade negra e mortal que ninguém consegue explicar porque ninguém conhece. E é aqui que a narrativa nos deixa, numa terra selvagem e inóspita onde, longe de se resolverem, as coisas apenas parecem complicar-se. O ponto fulcral de interrupção deixa –nos cheios de curiosidade…  O que se esconderá verdadeiramente na negra fortaleza de Drujan? De que será capaz um bem treinado cassiline quando levado às profundezas do desespero? Que alianças poderão vingar entre os prisioneiros no zenana? E, acima de tudo, quais as consequências que poderão advir do encontro da mais perfeita e única anguisette com o mais pérfido dos sádicos?...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia mundial do Livro


Recuperando uma frase que já aqui deixei algures pelo ano de 2010, desejo-vos óptimas leituras.

"Fazê-lo parado fortalece a coluna, de barriga para baixo estimula a circulação do sangue, de barriga para cima é mais agradável, em grupo pode ser divertido... Antes de comer ou à sobremesa, sobre a cama ou numa rede, despidos ou vestidos, com música ou em silêncio... Fazê-lo é sempre um acto de amor. Não importa a idade, nem a raça, nem o credo, nem o sexo. LER É UM PRAZER!"

(autor desconhecido)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Proua i Percunceito - Capítalo VII




La fertuna de l Senhor Bennet benie quaijeque toda dũa sola propiadade cun dues mil lhibras de rendimiento al anho, i que, anfeliçmente pa las filhas del, staba çtinada, a la falta de ardeiros machos, a un pariente mui fastado; i la fertuna de la mai deilhas, anque bundasse pa la sue situacion an bida, nunca iba a sustituir la falta de la del. L pai deilha habie sido percurador delgado an Meryton, i habie le deixado quatro mil lhibras.
Eilha tenie ũa armana casada cun un Senhor Philips, que habie sido secretairo de l pai deilhas i le ardara las funciones, i un armano stablecido an Londres nun respeitable ramo de negócio.
L lhugar de Longbourn quedaba solo a ũa milha de Meryton; ũa lunjura nó mui lharga pa las rapazas, que la questumában fazer ũas três ou quatro bezes por sumana, para ir a tener cula tie deilhas i tamien al soto de chapéus mesmo de l outro lhado de l camino. Las dues mais nuobas de la familha, Catherine i Lydia, éran las mais afeitas a essas atenciones; tenien las cabeças mais lhibres que las armanas, i quando nada melhor le aparecie, ũa ida a Meryton fazie le falta para animar las horas de la Manhana deilhas i arranjaba le cumbersa pa la belada; i, anque na region siempre houbira muita nobidade, eilhas sempre amanhában modo de saber algue pula tie. Nesta altura, ye berdade, eilhas stában bien chenicas tanto de amboras cumo de felcidade por bias de un regimento de la melícia que acabara de benir pa las redondas; iba a quedar l eimbierno todo, i quartel general era an Meryton.
Las bejitas deilhas a la Senhora Philips dában le agora las amboras mais antressantes. Cada die ajuntában algo de nuobo al coincimiento que tenien de ls nomes de ls oufeciales i de sues relaciones. Ls aposentos deilhes yá nun éran segredo para naide, i als poucos eilhas ampeçórun a coincer ls própios oufeciales. L Senhor Philips habie los bejitado a todos, i esso abriu le a las sobrinas del un caminho de felcidade até ende çcoincido. Nun falában de mais nada a nun ser de ls oufeciales; i la lharga fertuna de l Senhor Bingley, que bundaba amentar neilha para animar la mai deilhas, nun tenie acumparança als uolhos deilhas cun aqueilhes guapos ouniformes.
Apuis de haber scuitado ũa manhana anteira las animadas palabras deillas, l Senhor Bennet, dixo de modo friu:
“Pul que puodo sacar de l buosso modo de falar, bós habeis de ser dues de las rapazas mais chochicas de l paiç. Yá quantá que çcunfiaba desso, mas agora stou cumbencido.”
Catherine quedou atrapalhada i nun le dou repuosta; mas Lydia, sien fazer causo nanhun, cuntinou a amostrar l’admiraçon que tenie pul Capitan Carter, i la sprança de l ber al lhargo de l die, yá que a soutordie pula manahana el iba para Londres.
“You stou barada, miu querido,” dixo la Senhora Bennet, “de que séiades tan çpachado a dar las nuossas filhas cumo chochicas. Se you quejisse craticar ls filhos de algue pessona, pula cierta nun iba a scolher ls mius.”
“Se las mies filhas son chochicas, you spero que siempre me puoda dar de cuonta desso.”
“Si — mas até se dá l causo, eilhas son todas mui spiertas.”
“Esse ye l solo punto, agabo me a mi mesmo, an que nun stamos d’acuordo. Siempre tube sprança de que las nuossas oupeniones fúran las mesmas para cada situacion, mas debo de tener ũa grande defréncia cun bós para pensar nas nuossas dues filhas mais nuobas cumo mui chochicas.”
“Miu caro Senhor Bennet, bós nun podeis sperar que rapazas cumo eilhas téngan l sentido de l pai i de la mai. Quando eilhas chegáren a la nuossa eidade, cuido que nun ban a pensar an oufeciales mais do que nós hoije. Lhembra se me bien l tiempo an que tamien you gustaba dun ouniforme burmeilho — i, bendo bien, inda ls tengo ne l coraçon; i se un coronel moço i spierto, cun cinco ou seis mil lhibras por anho, quejisse algue de las mies filhas nun le iba a dezir que nó; i achei que l Coronel Forster quedaba mui eilegante quando l’outra nuite trouxo l sou ouniforme a casa de Sir Williams.”
“Maizica,” dixo Lydia, “nuossa tie cuntou mos que l Coronel Forster i l Capitan Carter yá nun ban tanta beç an ca la Senhora Watson cumo lo fazien al ampeço; agora ténen los bido muito pula biblioteca Clarke.”
La Senhora Bennet yá nun pudo respunder por bias de l’antrada dun criado cun un belhetico pa la Menina Bennet; bieno de Netherfield, i l criado sperou por ũa repuosta. Ls uolhos de la Senhora Bennet relhuzírun de gusto, i aplediaba, enquanto la filha li:
“Anton, Jane, de quien ye? De quei trata? Quei diç? Antoce, Jane, çpacha te i cunta mos alhá; çpacha te, miu amor.”
“Ye de la Menina Bingley,” dixo Jane, i ende liu lo alto:

“MIE QUERIDA AMIGA,—
“Se nun quedardes mui penerosa por cenar hoije cun Louisa i cumigo, quedamos an peligro de mos tenermos senreira l restro de nuossa bidas, puis dues mulheres tenéren que ancarar ũa cula outra por un die anteiro nunca acaba sien ser nũa çcuçon. Beni assi que puodades apuis de recebides este. Miu armano i ls outros tius cénan cun ls oufeciales.—Siempre buossa,
“CAROLINE BINGLEY.”

“Cun ls oufeciales!” dixo Lydia, “Admira me que tie nun mos tenga falado desso.”
“A cenar fuora,” dixo la Senhora Bennet, “esso ye pouca suorte.”
“Puodo lhebar la carruaije?” dixo Jane.
“Nó, mie querida, fazies melhor ir cul cabalho, puis stá assi a modo ir a chober; i ende tenerás que passar alhá la nuite.”
“Essa serie ũa buona çculpa,” dixo Elizabeth, “se bós stubírades segura de que eilhas nun se íban a oufrecer pa la mandar traier a casa.”
“Á!, mas passa se que ls homes percísan de la carruaije de l Senhor Bingley para íren a Meryton, i ls Hurst nun ténen cabalhos sous.”
“You mais querie ir de carruaije.”
“Mas, mie querida, stou cierta de que tou pai nun puode çpensar ls cabalhos. Eilhes fáien falta na fazienda, nun ye berdade, Senhor Bennet?”
“Eilhes fáien falta na fazienda mais bezes do que aqueilhas an que ls puodo ousar.”
“Mas se hoije mesmo nun podirdes çponer deilhes,” dixo Elizabeth, “ls deseios de mai starien cumpridos.”
Al fin, eilha acabou por cunseguir que l pai le dezira que ls cabalhos stában acupados. Jane antoce fui oubrigada a ir de cabalho, i la mai acompanhou la a la puorta fiturando muito que l die iba a star malo. Las spranças deilha cuncretizórun se; Jane inda nun iba mui loinge quando bieno ũa fuorte porrascada. Las armanas deilha quedórun algo preacupadas, mas la mai staba mui cuntenta. L’auga cuntinou an to la nuite sien çcampar; Jane pula cierta nun iba a poder bolber.
“Esta fui ũa buona eideia mie, fui mesmo!” dixo la Senhora Bennet mais dũa beç, cumo se la rezon para chober fura solo deilha. Assi i todo, até a soutordie a la purmanhana, eilha nun soubo de l cumpleto éisito de la treminaçon. Stában a acabar l zayuno quando un criado de Netherfield trouxo l seguinte belhetico para Elizabeth:

“MIE QUERIDÍSSEMA LIZZY, —
Nun me stou a sentir nada bien esta manhana, l que, cuido you, debe de ser de la molha que agarrei onte. Las mies simpáticas amigas nun quieren oubir falar an you bolber para casa até que steia melhor. Atéiman tamien para que l Senhor Jones me beia­—assi i todo nun bos assústedes se oubirdes dezir que l chamórun por bias de mi—i, tirando la gorja algo anflamada i un delor de cabeça, nada mais hai que puoda dar cuidados. — La tue etc.

“Anton, mie querida,” dixo l Senhor Bennet, quando Elizabeth acabou de ler l bilhete, “se la buossa filha quedasse mui malica ou se morrira, serbirie bos de bun cunsuolo saber que todo fura por ir atrás de l Senhor Bingley, i por ordes buossas.”
“Á! Nun tengo miedo de que eilha se muorra. Naide se muorre por bias de pequerricas custipaçones. Eilhas ban le a dar todos ls cuidados. Anquanto eilha quedar por alhá, stá todo mui bien. Gustaba de la ir a bejitar, s’acauso podira lhebar la carruaije.”
Elisabeth, quedando mui preacupada, staba resolvida a ir para an pie deilha, mesmo na falta de la carruiaje; i cumo nun andaba a cabalho, nun tenie outro remédio senó ir a pie. Eilha çclarou l que resolbira.
“Cumo puodes ser tan boubica,” gritou le la mai, “para pensar ũa cousa dessas, cun todo este lhodo! Nun starás an cundiçones de se mirar para ti quando alhá chegares.”
“You starei an cundiçones de ber a Jane—esso ye todo l que you quiero.”
“Será essa ũa buona rezon, Lizzi,” dixo le l pai, “para mandar traier ls cabalhos?”
“Claro que nó, nun fago tencion de deixar de ir a pie. La lunjura nun antressa quando tenemos ũa rezon; son solo trés milhas. A horas de cena yá starei acá.”
“You admiro la fuorça de la tue bundade,” ouserbou Mary, “mas todas las fuorças de l sentimento ténen de ser guiadas pula rezon; i, na mie oupenion, l sfuorço ten sempre de star an porporçon al que se quier alcançar.”
“Nós bamos cuntigo até Meryton,” dezírun Catheryne i Lydia. Elizabeth aceitou la cumpanha deilhas, i las trés rapazas salírun a la par.
“Se mos apressiarmos,” dixo Lydia, enquanto caminában, “talbeç inda puodamos ber algo de l Capitan Carter antes de el salir.”
An Meryton apartórun se; las dues mais nuobas botórun a caras a la morada dũa de las ties de ls oufeciales, i Elizabeth cuntinou l caminho solica, atrabessando tierras i tierras nũa passada apressiada, subertindo paredes i saltando poças cun ũa einergie ampaciente, i acabando al fin por se ber andrento la casa, cun ls pies drumidos, las meias anlhodadas, ũa cara rosada por bias de l sfuorço.
Ponírun la na salica de l zayuno, adonde todos a nun ser Jane, stában juntos, i adonde l’apersentaçon deilha trouxo ũa grande surpresa. Que eilha tubira caminado três milhas solica lhougo a la purmanhana cedo, i cun un tiempo tan steporado, i por sou pie, era quaijeque ũa cousa ampensable pa la Senhora Hurst i pa la Menina Bingley; i Elizabeth staba cumbencida de que eilhas la çpreziában por bias desso. Assi i todo, fui recebida, cun to la delicadeza por eilhes; i ne ls modos de l armano esso era algo melhor do que simpres delicadeza; habie buona çposiçon i bundade. L Senhor Darcy falou mui pouco, i l Senhor Hurst nun abriu la boca. Aquel staba debedido antre l’admiraçon pul brilho que l eisercício le traira a la teç deilha, i la dúbeda a respeito de l’oucajion para justificar la benida deilha até tan loinge. Yá l outro, solo pensaba ne l sou zayuno.
Las preguntas deilha a respeito de l’armana nun fúrun respundidas de l modo mais sastifatório. La Menina Bennet habie drumido mal, i anque stubisse a pie, staba cun muito febre, i nun staba bien a puntos de poder salir de l quarto. Elizabeth staba cuntenta de que la lhebáran lhougo para an pie deilha; i Jane, que solo se acanhara cun miedo de traier albroto ou zassossego s’ amostrasse ne l belhetico deilha cumo deseaba essa bejita, quedou ancantada quando la biu antrar. Assi i todo, nun tenie gana de grandes práticas, i quando la Menina Bingley las deixou a eilhas solas, pudo ir un cachico alhá las spressones d’agradecimiento pula grandíssema bundade cun que la stában a tratar. Elizabeth, calhada, daba le to l’atencion.
Quando acabórun l zayuno las armanas benírun a tener cun eilhas; i la própia Elizabeth ampeçou a gustar deilhas, quando biu la grande afeiçon i atencion cun que tratában a Jane. L boticário bieno, i apuis de haber bido la mala, dixo, cumo era de sperar, que eilha agarrara un fuorte resfriado, i habie que lo atacar para lhebar a melhor an relaçon a el; aconselhou la a bolber pa la cama, i receitou le alguns remédios. L cunseilho del fui lhougo respeitado, puis las muostras de febre habien crecido, i la cabeça dolie le muito. Elizabeth nien por un sfergante deixou l quarto de l’armana; i las outras dues ties tamien pouco salírun; stando ls homes fuora de casa, eilhas nun tenien mesmo nada que fazer.
Quando l reloijo dou las trés, Elizabeth sentiu que tenie de se ir ambora, i muito a contragusto çclarou essa antencion. La Menina Bingley oufreciu le la carruaije, i eilha solo staba a spera dũa pequeinha ansesténcia para l’aceitar, quando Jane amostrou tan grande zassossego cula ida deilha, que la Menina Bingley se biu oubrigada a demudar l oufrecimiento de la carruaije nun cumbite para quedar an Netherfield por anquanto. Elizabeth aceitou mui recoincida, i lhougo mandórun un criado a Longbourn pa le lhebar a la familha l coincimiento de que quedaba eilhi i traier algue roupa.



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