quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Robert Muchamore em Portugal esta semana


Autor da CHERUB visita escolas e apresenta novo livro no sábado.

Depois de ter estado na mais recente edição da Feira do Livro do Porto, onde autografou mais de 700 livros, o escritor inglês Robert Muchamore regressa esta semana a Portugal para apresentar República Popular, o primeiro livro da segunda série da coleção juvenil CHERUB.
Com 200 mil livros vendidos no nosso país (e 6,5 milhões em todo o mundo), a primeira série está a terminar – o último livro sai no início de 2013 –, mas a segunda estreia agora, com novo design, novos agentes, novas missões e a promessa de ainda mais ação.

Robert Muchamore chega hoje a Lisboa e, para além de visitar escolas (os livros da coleção têm sido muito elogiados por professores de português), vem assinalar o lançamento oficial de República Popular, no sábado, na FNAC do centro comercial Colombo, em Lisboa, às 17:00. Esperam-se centenas de jovens leitores.

O AUTOR E A CHERUB
Robert Muchamore nasceu a 26 de dezembro de 1972, em Islington, Inglaterra. Trabalhou durante treze anos como detetive privado, mas abandonou a profissão para se dedicar à escrita a tempo inteiro.
Costuma levar quatro a cinco meses a escrever um livro, sendo que dedica o primeiro à pesquisa e o segundo à planificação da história. Só depois escreve. Segundo o próprio, ao criar a coleção CHERUB tentou escrever aquilo que gostaria de ter lido aos 13 anos de idade.
A CHERUB é o braço juvenil dos serviços secretos britânicos (MI5). O grupo foi criado a partir do pressuposto de que nenhum criminoso desconfiaria de que crianças perfeitamente normais pudessem ser espiões. Porém, os membros da CHERUB, embora o pareçam, não são jovens normais, mas sim profissionais treinados com rigor – todos eles órfãos –, enviados para missões de espionagem contra terroristas e traficantes de droga temidos internacionalmente.



REPÚBLICA POPULAR - O novo livro
"Ryan é o mais recente recruta da CHERUB. Tem apenas 12 anos, acabou a recruta há oito meses e está ainda muito verde. Foi destacado para a sua primeira missão: tornar-se amigo de Ethan Aramov, um miúdo rico e mimado que vive na Califórnia e é neto da mulher que comanda, a partir do Quirguistão, um multimilionário império internacional de crime organizado. Ryan não imagina que a sua primeira missão se vai tornar numa das mais importantes da história da CHERUB..."


Podem consultar o site oficial da série (em Português) aqui

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Proua i Percunceito - Capítalo XII




"Apuis dun cumben antre las dues armanas, Elizabeth screbiu le a la mai a soutordie pula manhana, a pedir que le mandara la carruaije por todo esse die. Mas la Senhora Bennet, que habie calculado que las filhas se mantubíssen an Netherfield até la terça apuis, altura an fazerie ũa sumana de la chegada de Jane, nun le agradaba nada recebi las antes. Antoce, la repuosta nun fui mui faborable, al menos pa ls deseios de Elizabeth, que staba cun muita gana de bolber para casa. La Senhora Bennet mandou le rezon de que talbeç nun fusse possible mandar le la carruaije antes de terça; i an post scriptum staba acrecentado, que s’acauso l Senhor Bingley i l’armana le pedíssen muito para quedáren mais tiempo, eilha podie çpensá las mui bien. Assi i todo, quanto a quedar mais tiempo, Elizabeth staba resolbida sien dúbeda nanhue—nien asperaba muito que se lo pedíran; al alrobés, i cun miedo que las agarrássen por abusadoras por quedáren mais do que l tiempo preciso, eilha apertou cun Jane para que le pedisse lhougo la carruaije amprestada al Senhor Bingley, i al fin quedou assente antre eilhas que la sue tencion de deixar Netherfield aqueilha manhana seria apersentada, i l pedido feito.
L’ambora trouxo muitas manifestaçones de preacupaçon; i cun fuorça le pedírun que quedássen al menos mais un die, por bias de l mal de Jane; i até la purmanhana la salida deilhas quedou adiada. Mas la Menina Bingley arrependiu se de le haber perpuosto l adiamento, puis l ciúme i l’antipatie deilha por ũa de las armanas era mais grande que l’afeiçon pula outra.
L duonho de la casa oubiu mui peneroso que eilhas se íban deilhi a pouco, i por bárias bezes quijo cumbencir la Menina Bennet de que nun era seguro para eilha—puis inda nun staba sana de todo; mas Jane era firme adonde sentie que tenie rezon.
Pa l Senhor Darcy era un bun antendimiento—Elizabeth stubira an Netherfield tiempo que chegasse. Eilha atraie lo mais do que le gustaba—i la Menina Bingley era andelicada cun eilha, i andaba anriba del mais do que questumado. Resolbira tener un cuidado special pa que nun se le scapasse agora nanhue seinha d’admiraçon, nien nada que la podira animar cula sprança de anfluenciar la felcidade del; sabedor de que se ũa eideia dessas tubisse sido amostrada, la postura del ne l redadeiro die iba a ser material de peso para cunfirmar ou p ale sacar esso de la cabeça. Firme ne l perpósito del, quaije nun dixo ũa palabra an todo l die de sábado, i anque ũa de las bezes tubíran stado solos ũa meia hora, el mui naturalmente, agarrou l lhibro del, i nien sequiera para eilha mirou.
L demingo, apuis ls oufícios de la manhana, dou se la separaçon,  tan agradable para quaije todos. La delicadeza de la Menina Bingley cun Elizabeth creciu na fin mui debrebe, tanto cumo l’afeiçon deilha por Jane; i quando se çpedírun, apuis de le assegurar a la última de l prazer que siempre tenerie an star cun eilha, fura an Longbourn fura an Netherfield, i l’abraçar mui ternamente, eilha chegou le mesmo a apertar la mano a la purmeira. Elizabeth de todos se çpediu cun ũa buona çposiçon mais grande que nunca.
Eilhas nun fúrun mui bien recebidas an casa pula mai deilhas. La Senhora Bennet quedara mui admirada cula chegada deilhas, i dixo le que stában arradas an le dar tanto ancómodo, i staba cierta de que Jane se haberie custipado outra beç. Mas l pai, anque pouco falador nas sues manifestaçones de agrado, staba mesmo cuntento por las ber; el sentira l’amportança deilhas na famílha. La cumbersa a la belada, quando stában todos juntos, perdira muita de la sue animaçon, i quaijeque todo l sentido cula falta de Jane i Elizabeth.
Achórun a Mary, cumo questumado, anterrada ne l studo perfunfo de la natureza houmana; i apresentou le bários resumes que tenien que admirar, i oubir algues ouserbaçones feitas dũa moralidade dubidosa. Catherine i Lydia tenien amboras mui defrentes  pa le dar. Muito fura feito i muito se dezira ne l regimento zde la quarta atrasada; bários oufeciales habien cenado hai pouco tiempo cun l tiu deilhas, un suldado lhebara ũas çurriagadas, i corrira se que l Coronel Forster s’iba a casar."

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Prémio Nobel da Literatura atribuído a Mo Yan


O Prémio Nobel da Literatura 2012 foi atribuído ao escritor chinês Mo Yan. Como tudo o que sabia sobre este senhor, até ler o artigo do Público, era que o seu único livro editado em Portugal - Peito Grande, Ancas Largas - tinha a chancela da Babel, decidi deixar-vos aqui o dito artigo para que possam também ficar a saber algo mais.





Um dos mais celebrados escritores no seu país, embora não isento de polémica, Mo Yan faz habitar a sua obra de um humanismo compassivo, habitualmente centrado na ruralidade da localidade em que nasceu a 5 de Março de 1955, Gaomi, na província de Shandong. O escritor, que lançou o seu primeiro romance, Falling Rain On a Spring Night, em 1981, mereceu a mais nobre distinção do mundo da literatura por ser, segundo comunicado pelo comité do Nobel, um autor "cujo realismo alucinatório funde contos tradicionais, História e contemporaneidade". A sua escrita, como é aliás reconhecido pelo próprio, é grandemente influenciada por William Faulkner, Gabriel Garcia Marquez. 

A adaptação ao cinema de Milho Vermelho, em 1987, por Zhang Yimou e com a estrela Gong Li, filme determinante da chamada "Quinta Geração" que marcou uma nova era no cinema chinês, cimentou o seu estatuto na China e chamou a atenção do mundo. Traduções dos seus livros no Japão, França, Itália, Estados Unidos e Inglaterra cimentaram o seu estatuto internacional. Em Portugal, Mo Yan tem apenas um livro traduzido, Peito Grande, Ancas Largas, editado em 2007 pela Ulisseia. Publicada originalmente em 1995, a obra causou grande controvérsia na China devido ao teor sexual da história. Mo Yan foi obrigado a escrever uma autocrítica ao seu próprio livro, e, mais tarde, a retirá-lo de circulação. Esse episódio, aliado, por exemplo, à participação na cópia manuscrita de um discurso de Mao Zedong, em que este definia os parâmetros a seguir na arte e literatura chinesas, levou-o a ser considerado pelos opositores ao regime chinês como um autor alinhado, não independente. O pseudónimo Mo Yan, escolhido pelo homem nascido Guo Moye, significa em chinês "não fales". Dessa forma, ele que se diz sempre franco no seu discurso, lembrar-se-á constantemente de que não deve falar demasiado. Há outra leitura para o pseudónima, esta literária. Para Mo Yan, "um escritor deve enterrar os seus pensamentos e transmiti-los através dos personagens dos seus romances".

Em 2009, numa conferência na Feira do Livro de Frankfurt, respondeu às acusações de falta de independência perante o poder. "Um escritor deve exprimir crítica e indignação perante o lado negro da sociedade e a fealdade da natureza humana, mas não devemos recorrer a formas de expressão uniformes. Alguns poderão querer gritar nas ruas, mas devemos tolerar aqueles que se escondem nos seus quartos e usam a literatura para transmitir as suas opiniões".

Mo Yan abandonou os estudos muito jovem devido à turbulência causada pela Revolução Cultural e trabalhou numa quinta antes de, em 1973, se empregar como operário fabril. Alistou-se no Exército de Libertação do Povo Chinês (ELPC) três anos depois, iniciou-se na publicação em 1981 e, mais tarde, entre 1984 e 1986, estudou literatura na Academia das Artes do ELPC. Vencedor o ano passado do mais importante prémio literário chinês, o Mao Dun, Mo Yan é também vice-presidente da Associação de Escritores da China.

Entre a sua obra, onde se incluem dezenas de contos, destacam-se romances como The Garlic BalladsThe Republic of Wine, ou o supracitado Peito Grande, Ancas Largas. Segundo a Wikipedia, o seu penúltimo livroLife And Death Are Wearing Me Out, foi escrito em apenas 43 dias, inscrevendo os mais de 500 mil caracteres do manuscrito original em papel chinês tradicional e usando apenas tinta e pincel. O último, Frog, incide sobre os abortos forçados que resultam da política estatal de controlo de natalidade ("um casal, um filho"). 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Aqui e lá, ler é diferente...


Há uns tempos, por motivos pessoais, tive que deixar Lisboa onde estudei e trabalhei durante cerca de 9 anos. As mudanças foram, obviamente, mais que muitas. Aquela que mais me custou e que mais me fez mudar a perspectiva que tinha de certas coisas (que dava como certas, por sinal) está ligada aos livros e aos meus hábitos de leitura.

Em Lisboa, ia todos os dias (ou quase) depois do trabalho, ao Chiado e por ali ficava uma ou duas horas a vaguear pelas livrarias. Deitava um olho às novidades, “namorava” aqueles livros que queria e não podia comprar no momento, lia um ou dois capítulos daqueles livros sobre os quais tinha as minhas dúvidas. Esta é uma das grandes vantagens das livrarias da capital e dos outros grandes centros urbanos. A grande maioria delas dá ao leitor/cliente uma certa liberdade para folhear, sentir o cheiro do papel, ler um bocadinho sem sentir constantemente os olhos do livreiro nas costas. Aquele olhar inquisidor de “o que é que queres afinal?” “Vais levar alguma coisa ou vieste só de passeio?”.
Não digo que estes olhares não nos atinjam na grande cidade ou que quem vende nunca pense assim mas na cidade grande o volume de clientes e curiosos é imenso, há gente nas livrarias. Aqui… bem, aqui entro na pequena livraria de esquina e a senhora (que por sinal é muito simpática) vem logo toda solícita. Deixa-me espiolhar a mercadoria à minha vontade, afinal já me conhece. Contudo, sendo um espaço pequenino e aberto, ela está sempre lá; o olhar nas minhas costas que me imprime uma certa pressa por vergonha de “ficar a fazer sala”. O que me custa, claro está, não é o fazer sala é fazê-la nos dias em que acabo por não levar nada. O que leva ao segundo problema.

De início comecei por encomendar tudo na internet, de preferência no site das próprias editoras. Passado uns tempos comecei a aperceber-me de que aqui, como em todas as cidades pequenas, as pessoas queixam-se muito daquilo que falta mas não ajudam a desenvolver aquilo que há. Isto é, queixamo-nos que “não há uma livraria de jeito no raio de 120Km” mas depois acabamos por comprar tudo na internet ou na grande superfície local que até vende aqueles livros mais comerciais, sem contribuirmos em nada para que a senhora da livraria ganhe o seu dinheiro e possa começar a encomendar novas coisas. Decidi então começar a ir à livraria. Compro lá muita coisa. Mas também há muita coisa que não posso trazer por se tratar de um micro negócio que tem falta de liquidez e capacidade para aceitar as regras de algumas editoras. Foi assim que aprendi que algumas editoras mais conceituadas e conhecidas aceitam encomendas de poucos exemplares, outras por sua vez apenas aceitam encomendas de um número considerável de exemplares o que impede a livraria aqui da terra de ter alguns dos livros que eu gostaria de lá comprar. “Não posso encomendar o que eles querem porque depois fico com eles aqui por vender”, foi o que me explicou a livreira simpática. Pois é, tem razão!

Posto isto, continuo a fazer algumas das minhas compras pela net. Claro que o volume de livros comprados diminuiu muito com a crise mas para isso também não tenho grande solução por aqui. Se em Lisboa podia ir à biblioteca e trazer os livros  que queria, edições bastante recentes e quase acabadinhos de sair, aqui é uma missão quase impossível. A biblioteca dedica-se sobretudo ao espólio de antiguidades e só há cerca de um ano começou a adquirir livros mais recentes. Ora, o que acontece é que o leitor mais ávido com o bolso relativamente vazio acaba por ter uma certa dificuldade em deitar a mão às novidades. Quando chegam, trazem vários meses de atraso – volumes no caso das sagas e trilogias. Serei eu tão exigente? Será que os jovens não se dedicariam mais à leitura se a biblioteca estivesse bem apetrechada de livros actuais, de algumas (não era preciso todas, obviamente) novidades, de leitura que fosse mais de encontro aos temas que lhes agradam? Quem, numa cidade pequena do interior, vai conseguir fazer um trabalho de fundo que vise o fomentar da leitura senão a biblioteca? Claro que, pela minha parte, vou fazendo os possíveis para aliciar os jovens com quem tenho contacto. Empresto livros, dou sugestões, discutimos as leituras…  Sei que há por este país fora muito professor que tenta fazer o mesmo e que este trabalho, motivado pela paixão aos livros, até dá alguns frutos mas nunca vai ser suficiente se não houver um trabalho de fundo. E dá tanto gosto quando aquele rapaz que não lia duas linhas nos vem tocar à campainha para perguntar se temos outro livro para lhe emprestar; quando aquela miúda que adora ler mas que não pode comprar um livro que seja nos aborda para saber quais são as novidades na nossa estante…!!

Com tudo isto, aconteceram duas ou três coisas umas mais estranhas que outras. Por um lado, reduzi em muito o volume de livros adquiridos na internet – aproveito apenas aquelas promoções que dão muito jeito e os livros que sei que não encontro por estas bandas. Esse tipo de aquisição impessoal que não me deixa ver bem as cores da capa, sentir o cheiro do papel enquanto folheio o livro e escolho o que hei-de levar comigo para casa. Já não passo uma hora por dia no Chiado mas continuo a cultivar o hábito, adquirido aquando da mudança, de visitar a pequena livraria de esquina uma ou duas vezes por mês. Ganhei novos hábitos de consumo – confesso que já não sei comprar nada numa fnac ou numa grande livraria. São tantos livros, ali prontinhos a ler que nunca sei o que levar. É quase como ter muita fome e colocarem-nos à frente uma mesa repleta de comida, dúzias dos nossos pratos favoritos. Ficamos sem saber o que escolher.
Por outro lado, ganhei uma alergia muito pouco saudável à biblioteca cá do sitio. Mas ganhei uma mais saudável alegria. A de partilhar (sem ser aqui) o meu gosto pelos livros, a de tentar aliciar a malta nova e, por vezes, ser bem-sucedida. Foi uma mudança radical em certos aspectos da minha vida de leitora, consumista e não só. Mas foi uma mudança que me fez ver que também no mundo dos livros há duas realidades bem diferentes que marcam o nosso país e que temos que ser nós próprios, com os recursos que temos mais à mão, a fazer a diferença e a tentar conquistar novos leitores, novos livros nas livrarias de todas as esquinas e a fazer com que os livros e a magia que trazem às nossas vidas abram cada vez mais horizontes.