terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Casa de Gaian - livro III Trilogia Pilares do Mundo

Título: A Casa de Gaian
Livro III - Trilogia dos Pilares do Mundo
Autor: Anne Bishop
Tradução: Luis Coimbra
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 448


"Começou como uma caça às bruxas, mas o plano do Inquisidor-Mor para eliminar todos os vestígios de poder feminino que há no mundo preveem agora a aniquilação dos barões de Sylvalan que se lhe opõem… e a destruição do berço de toda a magia: a Serra da Mãe. Humanos e feiticeiras formam uma aliança difícil com os Fae para fazerem frente a esse imigo terrível. No entanto, mesmo unidos, não têm força suficiente para resistirem aos exércitos mobilizados pela Inquisição. Procuram por isso o apoio do último aliado ao qual podem recorrer: a Casa de Gaian. As feiticeiras que vivem isoladas na Serra da Mãe têm poder suficiente para criarem um mundo… ou para o destruírem. 
O antigo lema das bruxas: «Não fareis o mal», arrisca-se a ser esquecido por força de uma necessidade mais premente: a necessidade de sobreviverem."



Acabei o mês de Outubro em grande com a leitura deste terceiro e último volume da trilogia dos Pilares do Mundo. É, sem sombra de dúvida, o melhor dos três livros e aquele onde a autora se revela mais aquela Bishop que eu conhecia. Este é o volume mais cativante e intenso, conseguindo prender o leitor logo no primeiro capítulo. Começamos a ler e as coisas começam logo a acontecer e quando damos por nós já não há como largar.

Com a caça às bruxas de Sylvalan em marcha e uma aliança entre humanos e fae já consolidada, começam-se a fazer os preparativos para combater os Inquisidores e agora a Casa de Gaian tem bruxas mais que dispostas a quebrar a regra que rege a sua vida e toda a sua conduta se a tal forem obrigadas. Ficou para trás o morrer sem dar luta e exércitos humanos enfrentam exércitos mistos (fae, bruxas e humanos) na luta pelo território. E é aqui que a essência da escrita de Bishop se revela. A maldade e a hipocrisia dos vilões mas também o combate interior entre o bem e o mal, luz e sombras, dos nossos personagens preferidos. Nada é fácil e o lado negro de cada um sobressai evidenciando também a força para se manter fiel a  si mesmos e aos seus princípios.

Adorei as voltas e reviravoltas que este volume provoca na própria trilogia e o fim conseguido para alguns dos personagens. Muitos deles pagaram pela sua malícia e perfídia, pela ganância e hipocrisia enquanto  não menos foram compensados pela sua tenacidade e coragem. Contudo, principalmente nos momentos finais da narrativa, é impossível não ficarmos com um nó na garganta. A guerra deixa as suas marcas nas pessoas e na terra, nem a magia permanece intacta e a morte é uma das suas consequências. Não resistindo ao spoiller, tenho que vos dizer que houve uma morte em especial que, apesar de algo previsível, me deixou um amargo de boca. 

Os pontos altos da trama são definitivamente a força dos personagens femininos, à semelhança do que já acontecia nos volumes anteriores, e o dualismo presente em toda a narrativa (luz e sombras, bondade e maldade...) e o facto de sabermos muito, mas muito mais sobre a Casa de Gaian e as bruxas que continuam a habitar o foco primordial de magia deste território. Além disso, temos a escrita simples e fluída de Bishop que nos guia página após página, deliciando-nos e prendendo-nos com delicadeza.

Imperdível para os fãs da saga e/ou da autora.

Podem ler um excerto aqui

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Trevas Maravilhosas

Título: Trevas Maravilhosas
Autor: Kami Garcia
Margaret Stohl
Edição: Gailivro
Colecção: 1001 Mundos
Nº de páginas: 488

"Ethan Wate costumava pensar em Gatlin, a vila sulista a que sempre chamara casa, como um sítio onde nunca nada mudava. Foi então que conheceu Lena Duchannes, uma misteriosa recém-chegada que lhe revelou um mundo secreto, que sempre estivera oculto à vista de todos. Uma Gatlin que albergava segredos ancestrais por detrás dos seus carvalhos cobertos de musgo e dos passeios gretados. Uma Gatlin onde, há gerações, uma maldição tinha marcado a família de Lena, repleta de poderosos poderes sobrenaturais. Uma Gatlin onde acontecem situações impossíveis, mágicas e capazes de mudar o rumo de uma vida. E, por vezes, capazes de lhe pôr termo.Juntos conseguem fazer face a tudo o que Gatlin lhes apresenta mas, depois de sofrer uma perda trágica, Lena começa a retrair-se, guardando segredos que põem a relação dos dois à prova. E, agora que os olhos de Ethan foram abertos para o lado mais obscuro de Gatlin, não há volta a dar. Assombrado por estranhas visões que só ele tem, Ethan é ainda mais atraído para a história rocambolesca da sua vila e vê-se preso na perigosa rede de passagens subterrâneas que atravessam o Sul de um modo interminável, e onde nada é o que parece."


Depois de ter lido o primeiro volume desta série (Criaturas Maravilhosas) fiquei com alguma curiosidade quanto a este mas fui adiando a leitura. Não sei muito bem porquê mas havia sempre algum outro livro que me parecia mais interessante. A leitura acabou por surgir naturalmente, num sábado de chuva, e se por um lado até se revelou agradável, por outro tenho a sensação de que se as expectativas tivessem sido mais elevadas teria ficado bastante desiludida (ou não...). 

A acção principal continua a passar-se sempre em torno da relação de Ethan e Lena e das escolhas que ela tem que fazer por ser uma Encantadora. Se neste volume deixamos de lado o amor lamechas em que os dois adolescentes estão sempre juntos e coladinhos um ao outro, passamos à outra parte menos agradável dos namoros (principalmente dos namoros adolescentes) a distância que se pode criar entre os dois propositadamente. Após a morte de Macon, Lena sente-se culpada e  vai criando um fosso entre si e Ethan. Vai colocando o namorado cada vez mais de parte e, apesar de todos os esforços do rapaz, não há nada que a  afaste de pessoas menos recomendáveis. Entretanto, Lena continua a ter que fazer uma escolha entre as Trevas e a Luz. Influenciada por diversos aspectos exteriores, a jovem aproxima-se cada vez mais das Trevas e é neste ponto que a estória começa a aquecer e uma louca demanda pelos Túneis tem início.

Contrariamente ao que é habitual, os pontos altos desta trama que é bastante previsível, continuam a ser aspectos que noutros livros seriam completamente secundários. E ainda bem que assim é, caso contrário a estória não passava de um namoro que, às vezes, dá para o torto.
As personagens mais ricas, mais surpreendentes e com as quais mais facilmente o leitor se e identifica continuam, sem sombra de dúvida, a ser os personagens secundários - Link, Liv, Amma, Macon e até as inusitadas tias-avós de Ethan que ajudam sempre trazendo-nos um colorido diferente e um toque de humor. Além destes, também os mais misteriosos são personagens secundários - John, Abraham e Ridley - são personagens que prometem muito pelo suspense e pela aura de mistério que as rodeia. Pode ser que num futuro volume as coisas mudem e todas estas figuras tenham um maior destaque.

Outro ponto muito positivo e que nunca deixa de me surpreender são os flashbacks de Ethan. Se por um lado o modo como eles acontecem chega a ser um pouco ridículo, por outro lado são das minhas partes preferidas da estória. É através deles que ficamos a saber mais sobre o passado dos vários intervenientes na trama, sobretudo no que aos personagens secundários (e que são os meus predilectos) diz respeito. Continuo a achar que no geral são momentos bem conseguidos e que sempre se revelam importantes para o desenrolar da trama.

Apesar destes pontos positivos e do facto de pensar que as autoras conseguem retratar muito bem todos os aspectos mais caricatos da vida numa cidade pequena onde todos se conhecem, penso que pecam pela falta de informação sobre o mundo dos Encantadores que continua patente neste volume. Também a previsibilidade da trama é um ponto a desfavor se o leitor não for um adolescente.

É uma leitura agradável para quem quiser algo leve que o acompanhe numa tarde chuvosa e de frio passada no sofá; uma boa leitura para o seu publico alvo.

4,5/10

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Robert Muchamore em Portugal esta semana


Autor da CHERUB visita escolas e apresenta novo livro no sábado.

Depois de ter estado na mais recente edição da Feira do Livro do Porto, onde autografou mais de 700 livros, o escritor inglês Robert Muchamore regressa esta semana a Portugal para apresentar República Popular, o primeiro livro da segunda série da coleção juvenil CHERUB.
Com 200 mil livros vendidos no nosso país (e 6,5 milhões em todo o mundo), a primeira série está a terminar – o último livro sai no início de 2013 –, mas a segunda estreia agora, com novo design, novos agentes, novas missões e a promessa de ainda mais ação.

Robert Muchamore chega hoje a Lisboa e, para além de visitar escolas (os livros da coleção têm sido muito elogiados por professores de português), vem assinalar o lançamento oficial de República Popular, no sábado, na FNAC do centro comercial Colombo, em Lisboa, às 17:00. Esperam-se centenas de jovens leitores.

O AUTOR E A CHERUB
Robert Muchamore nasceu a 26 de dezembro de 1972, em Islington, Inglaterra. Trabalhou durante treze anos como detetive privado, mas abandonou a profissão para se dedicar à escrita a tempo inteiro.
Costuma levar quatro a cinco meses a escrever um livro, sendo que dedica o primeiro à pesquisa e o segundo à planificação da história. Só depois escreve. Segundo o próprio, ao criar a coleção CHERUB tentou escrever aquilo que gostaria de ter lido aos 13 anos de idade.
A CHERUB é o braço juvenil dos serviços secretos britânicos (MI5). O grupo foi criado a partir do pressuposto de que nenhum criminoso desconfiaria de que crianças perfeitamente normais pudessem ser espiões. Porém, os membros da CHERUB, embora o pareçam, não são jovens normais, mas sim profissionais treinados com rigor – todos eles órfãos –, enviados para missões de espionagem contra terroristas e traficantes de droga temidos internacionalmente.



REPÚBLICA POPULAR - O novo livro
"Ryan é o mais recente recruta da CHERUB. Tem apenas 12 anos, acabou a recruta há oito meses e está ainda muito verde. Foi destacado para a sua primeira missão: tornar-se amigo de Ethan Aramov, um miúdo rico e mimado que vive na Califórnia e é neto da mulher que comanda, a partir do Quirguistão, um multimilionário império internacional de crime organizado. Ryan não imagina que a sua primeira missão se vai tornar numa das mais importantes da história da CHERUB..."


Podem consultar o site oficial da série (em Português) aqui

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Proua i Percunceito - Capítalo XII




"Apuis dun cumben antre las dues armanas, Elizabeth screbiu le a la mai a soutordie pula manhana, a pedir que le mandara la carruaije por todo esse die. Mas la Senhora Bennet, que habie calculado que las filhas se mantubíssen an Netherfield até la terça apuis, altura an fazerie ũa sumana de la chegada de Jane, nun le agradaba nada recebi las antes. Antoce, la repuosta nun fui mui faborable, al menos pa ls deseios de Elizabeth, que staba cun muita gana de bolber para casa. La Senhora Bennet mandou le rezon de que talbeç nun fusse possible mandar le la carruaije antes de terça; i an post scriptum staba acrecentado, que s’acauso l Senhor Bingley i l’armana le pedíssen muito para quedáren mais tiempo, eilha podie çpensá las mui bien. Assi i todo, quanto a quedar mais tiempo, Elizabeth staba resolbida sien dúbeda nanhue—nien asperaba muito que se lo pedíran; al alrobés, i cun miedo que las agarrássen por abusadoras por quedáren mais do que l tiempo preciso, eilha apertou cun Jane para que le pedisse lhougo la carruaije amprestada al Senhor Bingley, i al fin quedou assente antre eilhas que la sue tencion de deixar Netherfield aqueilha manhana seria apersentada, i l pedido feito.
L’ambora trouxo muitas manifestaçones de preacupaçon; i cun fuorça le pedírun que quedássen al menos mais un die, por bias de l mal de Jane; i até la purmanhana la salida deilhas quedou adiada. Mas la Menina Bingley arrependiu se de le haber perpuosto l adiamento, puis l ciúme i l’antipatie deilha por ũa de las armanas era mais grande que l’afeiçon pula outra.
L duonho de la casa oubiu mui peneroso que eilhas se íban deilhi a pouco, i por bárias bezes quijo cumbencir la Menina Bennet de que nun era seguro para eilha—puis inda nun staba sana de todo; mas Jane era firme adonde sentie que tenie rezon.
Pa l Senhor Darcy era un bun antendimiento—Elizabeth stubira an Netherfield tiempo que chegasse. Eilha atraie lo mais do que le gustaba—i la Menina Bingley era andelicada cun eilha, i andaba anriba del mais do que questumado. Resolbira tener un cuidado special pa que nun se le scapasse agora nanhue seinha d’admiraçon, nien nada que la podira animar cula sprança de anfluenciar la felcidade del; sabedor de que se ũa eideia dessas tubisse sido amostrada, la postura del ne l redadeiro die iba a ser material de peso para cunfirmar ou p ale sacar esso de la cabeça. Firme ne l perpósito del, quaije nun dixo ũa palabra an todo l die de sábado, i anque ũa de las bezes tubíran stado solos ũa meia hora, el mui naturalmente, agarrou l lhibro del, i nien sequiera para eilha mirou.
L demingo, apuis ls oufícios de la manhana, dou se la separaçon,  tan agradable para quaije todos. La delicadeza de la Menina Bingley cun Elizabeth creciu na fin mui debrebe, tanto cumo l’afeiçon deilha por Jane; i quando se çpedírun, apuis de le assegurar a la última de l prazer que siempre tenerie an star cun eilha, fura an Longbourn fura an Netherfield, i l’abraçar mui ternamente, eilha chegou le mesmo a apertar la mano a la purmeira. Elizabeth de todos se çpediu cun ũa buona çposiçon mais grande que nunca.
Eilhas nun fúrun mui bien recebidas an casa pula mai deilhas. La Senhora Bennet quedara mui admirada cula chegada deilhas, i dixo le que stában arradas an le dar tanto ancómodo, i staba cierta de que Jane se haberie custipado outra beç. Mas l pai, anque pouco falador nas sues manifestaçones de agrado, staba mesmo cuntento por las ber; el sentira l’amportança deilhas na famílha. La cumbersa a la belada, quando stában todos juntos, perdira muita de la sue animaçon, i quaijeque todo l sentido cula falta de Jane i Elizabeth.
Achórun a Mary, cumo questumado, anterrada ne l studo perfunfo de la natureza houmana; i apresentou le bários resumes que tenien que admirar, i oubir algues ouserbaçones feitas dũa moralidade dubidosa. Catherine i Lydia tenien amboras mui defrentes  pa le dar. Muito fura feito i muito se dezira ne l regimento zde la quarta atrasada; bários oufeciales habien cenado hai pouco tiempo cun l tiu deilhas, un suldado lhebara ũas çurriagadas, i corrira se que l Coronel Forster s’iba a casar."