quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Angelopolis - está a chegar...



Alegrem-se os fãs de Danielle Trussoni e da sua Angelologia. Foi dada a conhecer esta semana a capa do próximo volume da autora - Angelopolis. Não foram adiantadas quaisquer informações relativas a este volume, apenas se sabe que será a continuação do primeiro livro da autora e que tem data de lançamento, nos EUA, agendada para 26 de Março de 2013. 

Aos fãs resta-lhes esperar pela versão original ou esperar mais um "bocadinho" pela tradução. Posso adiantar-vos que a Presença me fez saber que a tradução para português vai arrancar este mês e o livro será por cá publicado no próximo 2013. Já não falta muito... :)

Aos que não sabem do que falo, deixo aqui a minha opinião sobre Angelologia e aqui poderão ler um excerto da mesma.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Aroma das Especiarias

Título: O Aroma das Especiarias
Autor: Joanne Harris
Tradução: Ana Saldanha
Edição: Asa
Nº de páginas: 496

"Vianne Rocher recebe uma estranha carta. A mão do destino parece estar a empurrá-la de volta a Lansquenet-sur-Tannes, a aldeia de Chocolate, onde decidira nunca mais voltar. Passaram já 8 anos mas as memórias da sua mágica chocolataria La Céleste Praline são ainda intensas. 

A viver tranquilamente em Paris com o seu grande amor, Roux, e as duas filhas, Vianne quebra a promessa que fizera a si própria e decide visitar a aldeia no Sul de França. À primeira vista, tudo parece igual. As ruas de calçada, as pequenas lojas e casinhas pitorescas… Mas Vianne pressente que algo se agita por detrás daquela aparente serenidade. O ar está impregnado dos aromas exóticos das especiarias e do chá de menta.
Mulheres vestidas de negro passam fugazes nas vielas. Os ventos do Ramadão trouxeram consigo uma comunidade muçulmana e, com ela, a tão temida mudança. Mas é com a chegada de uma misteriosa mulher, velada e acompanhada pela filha, que as tensões no seio da pequena comunidade aumentam. E Vianne percebe que a sua estadia não vai ser tão curta quanto pensava. A sua magia é mais necessária do que nunca!"


Adorei os cheiros e as cores deste livro. Não o cheiro das páginas, não... Que já leu os anteriores volumes desta trilogia - Chocolate e Sapatos de Rebuçado - compreende com certeza. Tudo nesta trilogia é magia, cheiro e cor. Cheiro a chocolate, a compotas acabadas de fazer, a pêssegos maduros, ao vento que muda... As cores fortes que passam, os fugazes vislumbres coloridos captados pelo canto do olho, a cor suave que fica e marca...

Em Paris, Vianne sente o quente vento de verão mudar, um vento que pede mudança, pede viagem. Quase inacreditavelmente, recebe uma carta da sua defunta amiga Armande. Se algo a empurrava para Lansquenet-sur-Tannes, esta carta vem selar definitivamente esse destino e Vianne acaba por aproveitar o período de férias de verão para rumar à aldeia com Anouk e Rosette.

Se no início tudo parece igual ao que haviam deixado para trás 8 anos antes, rapidamente nos apercebemos que, tal como antigamente, ali nada é o que parece e que as mudanças são muitas e profundas. Não tardamos muito a ter vislumbres de uma silhueta negra, sempre à margem mas sempre presente. É através dela que vamos compreender o motivo das mudanças e cisões na comunidade de Lansquenet. A comunidade árabe veio para ficar e instalou-se ali mesmo do outro lado do rio - em Les Marauds - com os seus costumes, as suas estranhas comidas, trazendo novas cores e odores a especiarias exóticas, chocando com a indumentária das suas mulheres. Estranhamente, monsieur le Curé, foi dos primeiros a estender a mão a estes forasteiros acabando por ver-se enredado numa trama obscura de mal entendidos e tornando-se um homem atormentado cuja fé e as convicções vacilam a cada minuto.

Com uma habilidade fora do normal e uma enorme subtileza, usando sempre a comida e a "magia caseira" das donas de casa, Joanne Harris trata de questões tão sensíveis como o choque de culturas, o fundamentalismo (não apenas o islâmico), o suicídio e as dúvidas que, em determinadas fases da vida, assaltam toda a alma humana. Para o fazer usa a voz de Vianne Rocher e a do monsieur le Curé que nos vão guiar pela trama de mistério e intrigas que levam aos desafortunados e fatídicos acontecimentos que terão lugar na pequena aldeia. Através dos seus olhos vamos conhecer os novos habitantes de Les Marauds, ficamos a saber mais sobre alguns dos costumes mais retrogrados (aos olhos ocidentais) de uma  cultura e religião que cresce todos os dias e  temos o prazer rever os antigos amigos de Vianne (muitos deles com alguns "esqueletos no armário").

Uma estória que nos transporta de novo à atmosfera mágica de Chocolate. Uma narrativa que nos prende e nos envolve a ponto de sentirmos de uma forma estranhamente vivida, além da angustia e das alegrias dos personagens, os cheiros e sabores de Lansquenet-sur-Tannes. Adorei


Podem ler um excerto aqui




"Alguém me disse uma vez que, só em França, duzentas e cinquenta mil cartas são enviadas todos os anos aos mortos.
O que ela não me disse foi que, por vezes, os mortos respondem…"


(Apesar de não ser hábito, não resisti a colocar aqui a minha passagem preferida de todo o livro. )

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Estrada Vermelha, Estrada de Sangue

Título: Estrada vermelha, Estrada de sangue
Autor: Moira Young
Colecção: Via Láctea
Edição: Ed. Presença
Nº de páginas: 336

"Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é um thriller futurista, uma aventura épica que se passa num período pós-apocalíptico e extremamente violento. Saba, a protagonista, é uma jovem que viveu sempre em Silverlake, numa zona remota, inóspita e quase deserta, até ao dia em que uma tempestade de areia traz consigo um bando de terríveis criminosos que lhe matam o pai e levam consigo Lugh, o irmão gémeo que ela adora. Sozinha com Emmi, a irmã mais nova, Saba vai investir toda a sua coragem e o seu espírito combativo na busca do irmão, numa demanda perigosíssima e empolgante, através de intermináveis extensões desérticas e violentas intempéries, que culminará numa apoteose de pura adrenalina."


Estrada Vermelha, estrada de sangue é o primeiro volume de uma trilogia que, em alguns países, já tem o segundo volume - Rebel Heart - editado. É um romance para jovens adultos centrado, sobretudo na personagem de Saba, uma rapariga que viveu com os pais e os irmãos numa zona remota - Silverlake - sem contacto algum com qualquer tipo de civilização e com muito pouco contacto com outros humanos que não a sua família, o que faz com que nada saiba sobre o mundo em que vive. A vida desta jovem dá uma valente reviravolta no dia em que uma tempestade de areia trás consigo um bando de malfeitores que acabam por lhe matar o pai, raptar o irmão e deixá-la sozinha, no meio do deserto, com a sua irmã mais nova a cargo.
Contudo, Saba está muito para lá de se resignar com a sua sorte. É uma jovem teimosa que sempre viveu à sombra do seu irmão gémeo, Lugh, mas que se revelará um poço de energia e persistência. Longe de aceitar o seu destino, Saba parte em busca do irmão e é aqui que tudo acontece.

Com o abandonar de Silverlake por parte das jovens irmãs o leitor começa a ter um vislumbre daquilo que é o mundo pós-apocalíptico que serve de cenário a esta estória. Uma tremenda falta de água (e consequente falta  de alimentos) marca toda a civilização que regrediu ao ponto de parecer que todos vivem de trocas e de algum tipo de vagabundagem mais ou menos violenta, muitos dependentes de uma droga que vicia  entorpece a mente de quem a consome. É um mundo cão onde os fins justificam quaisquer meios, onde a cultura não existe, as pessoas não sabem ler e onde todos são dominados por um auto-denominado Rei e os seus estranhos e intrigantes guardas. Apesar de ficarmos a saber tudo isto (mais detalhado, obviamente) não fiquei completamente convencida. A caracterização deste universo é muito boa e as descrições dos vários locais são estupendas (acho que cheguei mesmo a ver o deserto, o lago seco, os Campos da Liberdade...), ainda assim, nada nos explica o que aconteceu para que o mundo e as pessoas que o habitam tivessem chegado àquele ponto. São deixadas umas ténues pistas no ar, é certo, mas nada de concreto. E depois há o Rei. Mas como chegou aquele homem a ser o que é? De onde vieram os Tonton? Enfim, há coisas que não encaixaram, pelo menos neste primeiro volume.

O ponto forte são sem dúvida as descrições a par dos personagens. Todas as descrições vão ao pormenor e até nas cenas mais violentas o leitor consegue mesmo sentir-se no centro da acção graças às descrições vividas e coloridas com que a autora nos brinda. Os personagens além de muito reais são um pouco atípicos. Normalmente nos livros dirigidos a um público mais jovem as coisas são muito "a preto e branco" mas aqui não há personagens bons ou que nunca se enganam. Claro que há os maus e que são mesmo intragáveis mas  os personagens principais e os secundários que os acompanham são muito reais. Cometem erros, são imprevisíveis, orgulhosos e arrogantes mas também se emocionam, amam e, acima de tudo, lutam por aquilo em que acreditam. Outro ponto "engraçado" e fora do comum (e que me agradou bastante) é que o romance não é o ponto central da trama nem lhe toma o lugar, é apenas um desenvolvimento paralelo que serve para dar outro "saborzinho" à narrativa.

Mesmo sendo algo previsível e havendo alguns pormenores que penso não terem sido tão bem conseguidos quanto seria de esperar, gostei bastante do livro. Aguardo a segunda parte para poder saber se as lacunas serão colmatadas e, confesso, porque fiquei algo curiosa.

Podem ler um excerto aqui

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O aroma dos livros


Quem gosta realmente de livros adora-os pelo seu peso, pelas capas (duras ou não) pelo prazer de virar a página e, este é um ponto realçado por todos os amantes de livros, pelo seu cheiro. Quantos de nós temos o secreto (ou não tão secreto) prazer de, antes de iniciar a leitura de um novo volume, abri-lo e desfolhá-lo apenas para sentir o cheiro exalado pelas suas páginas? Pois é.... sei que não sou a única a fazê-lo.

Karl Lagerfeld também deve fazer a mesma coisa que muitos de nós. Não foi apenas uma vez que afirmou que o melhor cheiro do mundo é o cheiro dos livros. Prova do seu gosto a nível aromático são não penas estas declarações mas o facto de ter aceite a proposta da Wall Papper Magazine - revista de moda, arte e design. A pedido do editor Gehrard Steidl foi criada e "engarrafada"  (muito ao estilo de Patrick Suskind !!!), por Gaza Schoen, uma fragrância que reproduz o cheiro que faz as delicias doa amantes dos livros por todo o mundo. A idealização da caixa fico, então, a cargo de Lagerfeld.

Será que cheira mesmo como os livros das nossas estantes?




A título de curiosidade, posso adiantar-vos que o nosso prazer e gosto por este aroma vem, sobretudo de uma substância de nome Lignino. O Lignino é uma substância que impede que todas as árvores se curvem, um polímero constituído por unidades próximas da vanilina. O que significa que cheira ligeiramente a baunilha. É este aroma, juntamente com o dos demais componentes de um livro - tintas e outros químicos - e o cheiro resultante de factores externos a que os livros são expostos - humidade ou calor - por exemplo, que nos proporciona o enorme e tão simples prazer que retiramos do facto de cheirar um livro.



Deixo-vos as imagens da embalagem do dito perfume :)


Como fonte de informação usei, entre outras, um post do Eu Amo Ler