domingo, 3 de fevereiro de 2013

A Passagem - Volume II

Título: A Passagem - Volume II
Autor: Justin Cronin
Tradução: Miguel Romeira
Edição: Ed. Presença
Nº de páginas: 416
ISBN: 9789722346184

Ler excerto aqui.

"Neste segundo volume do livro A Passagem, a humanidade vive uma era de trevas em que a sobrevivência dita as leis, não só em função dos ataques dos mutantes virais, mas em relação a quase tudo que tem ser recuperado, adquirido e reinventado. Passaram entretanto noventa anos sobre a catástrofe e a Vagante, como muitos lhe chamam, regressa de uma longa e solitária jornada de décadas. Como numa viagem iniciática, durante essa obscura deriva ganhou forma dentro dela o terrível conhecimento de que ela é a Única que tem o poder de salvar o mundo destruído por aquele pesadelo."

Li o primeiro volume, publiquei aqui a minha opinião e não resisti, logo de seguida tive que pegar neste. Estava de tal modo curiosa e visto que este é a segunda parte do livro original (sim, na versão portuguesa o primeiro livro foi dividido em dois), que achei que não valia a pena estar à espera ou a meter outras coisas pelo meio.
Na verdade, a divisão foi bastante bem feita. O primeiro volume funciona como uma espécie de introdução, não apenas do contexto da narrativa mas também dos personagens, e no final dão-nos um "cheirinho" do inicio das coisas. Neste segundo volume tudo acontece a um ritmo mais vertiginoso e há mais informação, não apenas para o leitor mas, sobretudo, para os personagens. Uma coisa engraçada que notei é que nos envolvemos tanto com os personagens e com o seu estilo de vida na colónia, que nos esquecemos que, na verdade, sabemos muito mais daquele mundo que eles. O leitor conhece a origem de tudo mas, durante parte da narrativa no segundo volume colocamos, quase inconscientemente, esse conhecimento de parte (é uma das coisas especiais na escrita deste autor). Agora, que o mundo se estende em frente dos protagonistas, já podemos lembrar-nos de tudo, já há uma necessidade de nos preocuparmos com eles, uma vontade de que saibam o que nos sabemos para se poderem proteger e sobreviver. 

Contudo, com o devorar das páginas compreendemos que ainda há muito sobre este novo mundo que desconhecemos e vamos descobrir novos e tenebrosos elementos, conhecer novos personagens juntamente com o audacioso grupo de aventureiros de quem nos tínhamos despedido no volume anterior. Gostei especialmente da orgânica inerente dos virais, da explicação de alguns dos seus comportamentos e da lógica por detrás de tudo.

Na verdade, não posso dizer muito mais porque iria cair obrigatoriamente em algum spoiler, é complicado escrever esta opinião por causa disso. Posso apenas recomendar (recomendar muito) a leitura destes dois livros porque  se antes eram uma distopia madura, bem pensada e que nos prendia desde as primeiras páginas agora a narrativa está definitivamente a "aquecer" e neste volume tudo é mais. Mais suspense, mais mistério, mais perigo, mais mortes, mais luz, mais estrelas, mais amor (nada de exageros. Este autor parece que me conhece e escreveu só para mim - nada de lamechices excessivas, estamos a lutar pela sobrevivência da raça humana!!!), mais explicações mas também mais perguntas sem resposta. 
Já estou ansiosa pelo próximo volume - The Twelve no original (porque será??? :) ) - que, segundo me foi dito esta semana pela editora, já está a ser traduzido e prevê-se seja editado no segundo semestre deste ano.

8,5/10

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Top Ten Tuesday - Most Frustrating Characters Ever


Para saberem mais podem consultar The Broke and the Bookish

O desafio de hoje é revelarmos as dez personagens mais frustrantes de sempre. Como de sempre, de sempre é muito complicado, decidi colocar aqui as dez primeiras que me venham à cabeça (obedecendo ao requisito, claro). Então vamos a isto:

  • Bella Swan, Saga Twilight - Acho que não preciso explicar grande coisa não? A menina que decide pôr a vida em risco só para ouvir a voz do gajo que decidiu fugir... Por favor!!
  • Sansa Stark, Songs of Ice and Fire - Bem, o nome desta não devia ser Sansa, devia ser Sonsa. Credo!! Mas ninguém dá dois estalos a esta miúda para ela parar de sonhar e acordar para a vida? Acorda, Sonsa. Acorda...
  • Lisbeth Salander, Trilogia Millennium - Adoro a Lisbeth, a sério que sim mas às vezes... Ai, sobe-me uma vontade de lhe enfiar um estalo!! Ó menina, então não vês que tens quem esteja do teu lado? Conta lá as coisas ao Blomqvist que o homem não foge...
  • Daenerys, Song of Ice and Fire (SPOILER ALERT- não leiam isto se ainda não leram todos os livros da saga) No início até gostava bastante desta personagem mas depois começou a mexer-me com o sistema. Deixou que as coisas lhe subisssem à cabeça mas continua a ser apenas uma miúda. E depois toma más decisões umas atrás das outras. Ninguém se lhe chega e grita "Ó Chavala, deixa lá de te armar em boazinha e vamos lá sair desta porcaria de cidade que assim não vamos a lugar nenhum"?
  • Joffrey Baratheon, Song of Ice and Fire (SPOILER ALERT- não leiam isto se ainda não leram todos os livros da saga)  - Tudo neste rapazola me deixa com os cabelos em pé. Senhores que prepotência, que falta de educação que...que...que tudo!! Acho que nunca uma cena me agradou tanto quanto a morte dele ou aquela vez em que o Tyrion o esbofeteou. Ah, justiça...!!
  • Príncipe Majestoso, A Saga do Assassino - Outro como o Joffrey. É tudo deles, tudo para eles, tudo como eles querem... Aí que raiva!!
  • Anastacia, Trilogia Cinquenta Sombras - Sobre esta personagem também pouco há para dizer, está tudo à vista. É a deusa interior, é a submissão parva a tudo e mais alguma coisa... Mas alguma vez um gajo que me quisesse engatar levava troco se assinasse os mails como CEO da empresa X? Oh, venha a nós a paciência...!
  • Mr. Grey, Trilogia Cinquenta Sombras - Possessivo, irritante, presumido... Mas quem disse ao homem que se pode meter em tudo, incluindo naquilo que uma pessoa come ou deixa de comer? Apetece dar-lhe uma sova daquelas que o deixem entrevadinho durante uns tempos largos.
  • Kelda, Saga das Pedras Mágicas - "Com mil ratazanas fedorentas" esta menina, para quem tem tanto poder já podia abrir a pestana e crescer um bocadinho. Ah, e deixar as ratazanas lá onde elas queiram estar. Que expressão tão estúpida e sem piadinha!!!
  • Styxx, Saga dos Predadores da Noite (livro Acheron) - Nojento, repulsivo e a precisar de ser arrastado nu e coberto de dejectos pelas ruas da cidade. E mais não digo que não quero "spoilar"....

Alguém desse lado acha o mesmo? Quais são os personagens que mais vos deixam frustrados (mesmo quando gostam deles)?

A Passagem - Volume I

Título: A passagem - Volume I
Autor: Justin Cronin
Tradução: Miguel Romeira
Edição: Ed. Presença
Nº de páginas: 560
ISBN: 9789722346061

Ler primeiras páginas aqui

"A Passagem é o primeiro livro de uma grandiosa epopeia pós-apocalíptica. Uma experiência científica a que o exército dos Estados Unidos submete vários homens e uma menina, para os tornar invencíveis, resulta numa catástrofe cujos efeitos têm consequências inimagináveis. Os homens submetidos àquela experiência tornam-se detentores de extraordinários poderes, mas são monstros assassinos sedentos de sangue. Neste primeiro volume do livro acompanhamos a sangrenta destruição que se segue à invasão dos mutantes, bem como a penosa reorganização dos sobreviventes em pequenas comunidades precárias, onde a gestão dos escassos recursos é uma prioridade. Neste cenário de devastação instala-se uma dinâmica que vai modificando as personagens e as relações que se estabelecem entre elas."

Wow...! Como é que eu demorei tanto, mas tanto tempo a decidir-me por ler isto?!? A primeira coisa a chamar-me a atenção foi, como é fácil de imaginar, a capa. A sinopse era algo mais duvidosa e, se calhar, deve ter sido mesmo por isso que este livro este meses à espera de ser lido. O facto do primeiro volume,  no original,  ter sido dividido em dois livros (o primeiro é este) também não ajudou. Oh, se eu soubesse...!!

Não caindo em spoilers, Justins Cronin leva-nos até ao principio do fim - o fim do mundo tal como o conhecemos - terminando a viagem num terrível mundo pós-apocalíptico onde a sobrevivência é uma luta interminável num sentido muito literal. Decorrendo a acção num período de anos algo difuso mas que (pelas minhas superficiais contas e eu sou péssima com números...) penso ser de 102 anos, é imenso o número de personagens que cruzam o nosso caminho. Digo isto assim porque, na verdade, parece mesmo que os conhecemos, tal é o seu grau de realismo e a grande quantidade de informação que obtemos acerca  de cada um deles. O leitor consegue criar um elo tão especial com cada um dos personagens que até se torna difícil destrinçar quais são, definitivamente, os principais e os secundários. Para isso contribui o facto de a narrativa não ser sempre vista do ângulo do mesmo personagem - por vezes um assume uma posição preponderante para, alguns capítulos adiante, ser outro aquele que tem o protagonismo.

Este jogo de trocas, quase como um jogo de luzes num espectáculo de palco, é usado também em relação a todo o lapso temporal no qual decorre a narrativa. O autor, consegue (ao principio era um bocadinho confuso mas depois entranhou-se-me....) de um modo algo peculiar contar-nos todas as vidas que aqui se cruzam através de diversos saltos temporais, que longe de nos confundirem, servem para explicar e dar mais detalhes e consistência não apenas à história mas a todo o universo magistralmente criado.

É uma distopia refrescante e audaciosa que nos deixa viciados logo nos primeiros capítulos. Talvez isso se deva ao facto de ser uma narrativa muito mais madura que as que têm proliferado no último ano. Não há romances adolescentes (quem está a lutar para não morrer não tem tempo para isso - eu bem digo!) o que não significa que não haja amor; a maldade é mesquinha, definitivamente humana e não literária; e o modo como o autor consegue captar, compreender e transmitir os sentimentos - do mais esmagador ao mais insignificante - deixou-me completamente rendida.
Só lendo mesmo...

8,5/10

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

À luz da Meia-Noite

Título: À luz da Meia-Noite
Série/Saga: Predadores da Noite, #13
Autor: Sherrilyn Kenyon
Tradução: Ester Cortegano
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 176
ISBN:  9789897100437


"Uma mistura sensual de Sexo e a Cidade com romance paranormal 
Conheçam Aidan O’ Conner. Uma celebridade generosa que tudo oferecia e nada pedia em troca… até ser enganado pelos que o rodeavam. Agora Aidan nada quer do mundo ou sequer fazer parte dele. Quando uma estranha mulher aparece à sua porta, Aidan sabe que já a viu antes… nos seus sonhos. Uma deusa nascida no Olimpo, Leta nada sabe do mundo dos humanos. Mas um inimigo implacável expulsou-a do mundo dos sonhos e para os braços do único homem capaz de a ajudar: Aidan. Os poderes imortais da deusa derivam de emoções humanas, e a raiva de Aidan é todo o combustível que precisa para se defender… Uma fria noite de inverno irá mudar as suas vidas para sempre… 
Aprisionados durante uma tempestade de inverno brutal, Aidan e Leta terão que conquistar a única coisa que os poderá salvar a ambos – ou destruí-los – a confiança. Conseguirão triunfar sobre todos os obstáculos?"

Ler excerto aqui.

Os livros desta autora são o meu guilty pleasure (shhh! Não digam nada a ninguém) e quando vi este em pré-venda... não resisti! Não sei muito bem o que vos diga sobre este volume. Quem segue aqui o meu cantinho e o meu goodreads, sabe que não costumo escrever nada sobre estes livros. Afinal, são o que são e não há muita ciência nisso. Mas avante...

Neste 13º volume da série Predadores da Noite ficamos a conhecer a vida e destinos de Aidan e Leta. Ao contrário do que é habitual, ele não é um Predador da Noite - se bem que seja atormentado que baste por um passado de mentiras e enganos que o levou a isolar-se do mundo - e, assim, não temos Ash nem nenhum dos outros senhores já nossos conhecidos. Mas tudo o resto está lá. Culpa, redenção, homens lindos, vilões estúpidos e algum sexo. Enfim, a Kenyon a que estamos habituadas.

A história é pequenita (foi a primeira coisa em que reparei quando o livro chegou a casa, tem muito menos páginas que os demais) e lê-se num ápice; a narrativa passa-se toda em 48 horas (mais coisa menos coisa). E este foi o senão do livro. Normalmente a paixão avassaladora (que depois se transforma num amor incondicional e à prova de tudo!!!) toma conta dos protagonistas num curo espaço de tempo mas aqui... Bem, a senhora apressou-se um bocadinho na escrita. Enfim, não se pode ter tudo!

No final, e para adoçar a coisa, temos dois pequenos contos dos quais gostei bastante (já temos o Ash, o Nick e a tropa toda). Neste ponto só tenho um reparo a fazer à editora. Não consegui ver se o tradutor deste volume é o mesmo que traduziu os anteriores mas, se não é, existem revisores. É um bocado estranho para o leitor, e só o digo porque pode confundir e atrapalhar a leitura, ler em não sei quantos livros um nome de um personagem escrito de uma maneira e, de repente, aparecer escrito de outra. Acontece, por exemplo, no caso do irmão gémeo do Ash - sempre foi Stixx e agora virou Estige.

5/10