terça-feira, 23 de abril de 2013

Top Ten Tuesday - Ten Books I thought I'd like MORE/LESS than I did

Dez livros que pensei que me iam agradar mais ou menos do que realmente acabou por se verificar. 
Esta não é muito difícil. Afinal, quando nos dispomos a ler um livro, regra geral, já temos algumas expectativas em relação a ele - ou porque já lemos algumas opiniões, ou porque alguém nos recomendou.... Ainda assim, nem todos temos os mesmos gostos e as surpresas acontecem. Apesar de tudo, gosto mais daqueles livros que me surpreendem muito pela positiva (porque será?).


Livros que pensei me agradariam mais:

Sangue do Coração da Juliet Mariller - Comprei-o logo que saiu, não consegui resistir afinal, é Juliet Marillier! A verdade é que foi o livro mais fraco que li dela e foi aquele em que comecei a notar a qualidade a decrescer. Fiquei um bocadinho triste mas não desisti da autora. :)


O Beijo das Sombras de Laurel K. Hamilton - Pouco depois deste livro sair toda a gente andava a falar dele e do bom que era. Algumas pessoas com gostos literários semelhantes aos meus, falavam bem e lá me decidi a comprá-lo. Que dinheiro tão mal gasto!!!  Mas que raio é aquilo? um bando de seres feericos tarados por sexo e que se enfiam no meio das pernas de quem calha, quando calha, como calha... Como se não bastasse isso e a ideia do livro ser parva, a escrita é uma desgraceira!! Nunca mais.


Incarceron de Catherine Fisher - Ora, a ideia por detrás do livro é boa. Tanto o é que acabei por dar uma segunda oportunidade à autora e li o segundo volume. Ainda assim, as personagens são fracas e não têm grande evolução, a centralização da narrativa numa história de amor infantil e algo esquisita também não foi a melhor escolha. 


Acácia - Ventos do Norte de David Anthony Durham - já sei que há por ai muitos fãs de Acácia e tenho que reconhecer que a trama até está bem conseguida e os personagens são interessantes. Isto para já não falar do mundo criado que me parece espectacular. Ainda assim, quando peguei neste livro pensei que o ia adorar e isso não aconteceu. Penso que o efeito se deveu sobretudo à falta de ritmo. Dei por mim muitas vezes a pensar "Mas nunca mais acontece nada?" para logo depois me aperceber "Oh, mas está a acontecer isto e já aconteceu aquilo". Não há muitos picos de tensão, a narrativa é toda feita no mesmo tom monocórdico que nos embala até quase estarmos a dormir e não nos deixa aproveitar a história como deve ser. Mesmo assim, vou tentar ler o segundo volume, pode ser que me agrade mais.




Livros de que gostei mais do que pensei que poderia gostar:

Crónicas de Gelo e de Fogo  de George R. R. Martin - por incrível que pareça, fartei-me de ver o primeiro volume nas livrarias mas a coisa só me começou a chamar a atenção quando fizeram um pack (já não me lembro qual). Mesmo assim não o comprei. Um dia, ao fazer uma encomenda e escolher o meu livro na 2=3 nada me agradava e decidi arriscar e pedir o primeiro volume... foi o melhor que podia ter feito, fiquei super fã ao fim de poucas páginas e depois foi sempre a devorar!!


Trilogia Millennium de Stieg Larsson - toda a gente falava dos livros e de como eram bons, andavam em todas as revistas e jornais e depois da morte do autor foi a febre. Vá-se lá saber porquê sempre achei que tão boas críticas não podiam trazer coisa boa. Enganei-me. No verão passado uma amiga minha (essa sim gosta do mesmo que eu :) ) veio de férias e andava a ler o segundo volume. Começou a falar de um modo tão entusiasmado que acabei por ler as primeiras páginas em francês do livro que ela andava a ler. E pronto, foi assim... Encomendei o 1º e li-o numa noite!!!


Por Treze Razões de Jay Asher - Não tinha expectativas nenhumas em relação a este livro mas foi um daqueles que se devoram numa tarde em que acabamos a refilar com quem quer que seja que nos tente interromper a leitura. Adorei.


Saga de Kushiel de Jacqueline Carey - mais um pelo qual não dava dois tostões. Também não havia muita gente a comentá-lo ou a falar dele e ia passando despercebido. Aproveitei (outra vez!!) a 2=3 e lá veio o primeiro volume parar aqui a casa. Quem me "conhece" um bocadinho já sabe que depois foi logo o segundo e todos os outros comprados em pré-venda e com grande sofrimento provocado pelas esperas. Tornou-se das minhas sagas preferidas. Recomendadíssimos.

A Passagem de Justin Cronin - Este foi o último que me deixou a pensar "mas porque raio não li eu isto antes?!". Foi uma óptima surpresa que já me deixou aqui expectante à espera que seja editado o segundo volume. Uma distopia YA mas que me encheu completamente as medidas.


Décimo Terceiro Conto de Diane Setterfield - Este foi uma oferta da editora antes da data de lançamento e, como tal, não tinha expectativas nenhumas. Mas se as tivesse tinham sido seguramente superadas. Adorei o tema, a forma como a autora narra a história, o enredo e todos os personagens.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Do puritanismo hipócrita da CGD

Ontem, publiquei na nossa página de facebook a notícia que dava conta da celebração do Dia Mundial do Livro por parte da Saída de Emergência com uma parceria com a CGD. Pois é, a ideia era óptima, a iniciativa de louvar mas.... Hoje a editora teve que informar os seus parceiros que a CGD tinha decidido cancelar unilateralmente esta iniciativa por "alguns livros conterem linguagem potencial de ferir a suceptibilidade de alguns clientes, não os considerando, assim, adequados ao posicionamento e imagem do banco."

O QUÊ...?!? 
Por causa da linguagem... Pois sim!!
A imagem do Banco? Ah, ah, ah... Será que estes senhores vivem em Marte e ainda não perceberam que, actualmente, a imagem de qualquer banco anda pelas ruas da amargura e que tinham mais a ganhar com a parceria do que a perder? Supostamente era preciso pedir o livro na agência e quem não queria não pedia ou não o levava.
Mas que raio de atitude de falso proteccionismo face ao cliente é esta por parte de uma instituição estatal? Que raio vem a ser este puritanismo hipócrita e bacoco? 
Sinceramente, já se tinha visto há uns anos com o episódio (ainda ontem muito relembrado a propósito da Feira de Bogotá) do então primeiro ministro (actual Presidente da Republica e, à data, líder do partido que hoje comanda o país) Cavaco Silva e a censura à obra de Saramago, que o lápis azul não era, como muitos pensavam, coisa do "tempo da outra senhora". Mas em pleno século XXI, num país que se diz e quer democrático uma cena destas... É triste!!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Top Ten Tuesday - Books you want to see made into movies

Hoje as meninas do Broke and the Bookish deram-nos a opção de escolher livremente um dos antigos Top Ten Tuesday. Tema livre... :)  (ou quase) Como ainda não fiz muitos escolhi um dos temas passados aos quais gostava de ter respondido - livros que gostava de ver transformados em filme. Não sei se chegarei aos dez mas vou revisitar as minhas leituras e... bem, a algum resultado chegaremos.



1- O primeiro que me vem à cabeça é logo e sem qualquer sombra de dúvida a maravilhosa trilogia de Jacqueline Carey sobre Phédrè Nó Delauney e as suas aventuras políticas e sexuais.




2- Logo depois só me assalta o pensamento a Trilogia das Jóias Negras de Anne Bishop. Já consigo ver os SaDiablo todos a desfilar pelo ecrã...




3- Nihal era uma das heroinas que, a meu ver ficava melhor no grande ecrã. Muito bad ass mas simultaneamente muito delico-doce, ia ser um desafio para muitas actrizes e um regalo para os fãs.




4- E a Saga dos Otori? Bem, talvez não desse para fazer um filme - só mesmo uma série de filmes ou adaptação ao pequeno ecrã. Mesmo assim, ia deliciar-me com o amor de Takeo e Kaede num qualquer ecrã.




5- O Aroma das Especiarias de Joanne Harris era outro grande título para adaptar, de preferência por um realizador francês e com os mesmos actores que Chocolate. Além dos personagens mágicos o tema é muito actual e a narrativa super envolvente.




6- E As Mentiras de Locke Lamora de Scott Lynch, que óptima noite de entretenimento nos iriam proporcionar?! 




7- Claro que melhor que o anterior só mesmo A Saga do Assassino de Robin Hobb. Ter os Seis Ducados e os personagens desta saga a desfilar-me diante dos olhos ia ser algo de espectacular.




8- Por Treze Razões de Jay Asher seria igualmente uma belíssima aposta. Pelo menos eu ia vê-lo ao cinema mais próximo.




9- Talvez com uma adaptação mais complicada mas que seria bem interessante se bem conseguida, Sepulcro de Kate Mosse desfilar de boa música e de personagens enigmáticos.




10- Por último, filme que não iria perder por nada, com uma personagem principal muito forte e as mágicas paisagens escocesas era A Rosa Rebelde. (Não esquecer as gaitas de foles e os homens giraços de saia... :) )



Bem, fiz um bocadinho de batota ali com as sagas e trilogias mas elas são as rainhas das minhas estantes e é inevitável lê-las e não as imaginar a saltar para um ecrã, com adaptações genialmente perfeitas (isto é muito dificil senão impossível... não custa nada sonhar!!!) Concordam com a lista? O que substituiam ou lhe acrescentavam?


Nota: Juro que quando comecei a escrever isto era terça-feira :)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O Inverno do Mundo

Título: O Inverno do Mundo
Trilogia: O Século (O Século, #2)
Autor: Ken Follett
Edição: Presença
ISBN: 9789722348768
Nº de páginas: 832

"Este volume vem dar continuação à extraordinária trilogia de Ken Follet, O Século, depois do êxito internacional alcançado pelo volume inaugural, A Queda dos Gigantes. A história recente do conturbado século XX continua a desenrolar-se como se diante dos nossos olhos, as figuras históricas e os acontecimentos reais evoluindo e decorrendo em simultâneo com as vidas da segunda geração das cinco famílias que já protagonizaram o primeiro volume, misturando-se num grandioso e colorido fresco em amplas pinceladas que, graças a uma rigorosa fundamentação e a um talento narrativo raro, se encaixam numa totalidade cheia de vida realismo. O Inverno do Mundo decorre entre a ascensão do nazismo e as suas dramáticas consequências até ao início da Guerra Fria."

O século XX foi, sem sombra de dúvida, um dos mais - senão o mais - negros e sangrentos da História. Foi um século de lutas por uma vida melhor, por direitos que hoje damos como garantidos; um século de guerras (duas delas mundiais) em que foram cometidas das mais sádicas e maiores atrocidades até hoje documentadas; mas foi também um século de conquistas e de liberdade. É o angustiante retrato desta época que Ken Follett vai compondo de forma magistral nas páginas da sua mais ambiciosa trilogia.

Neste segundo volume, encontramos as mesmas cinco famílias que já havíamos conhecido antes, agora mais numerosas, aumentadas pela nova geração. Gente que vive a sua vida com a normalidade com que todos nós encaramos o dia-a-dia, a maior parte das vezes alheios às intrigas e conjuras políticas que nos rodeiam e que os iriam conduzir a um destino trágico. Mais uma vez, através de uma escrita cuidada mas fluída e das descrições simples mas muito visuais, o autor consegue transportar-nos directamente ao local e tempo da acção. Servindo-se dos personagens, com os quais facilmente o leitor cria um vinculo empático, dá-nos uma visão em primeira mão dos acontecimentos históricos que levaram à ascensão do nazismo e, posteriormente, à II Guerra Mundial. Apesar de ser quase impossível, ainda que num livro tão extenso, colocar todos os acontecimentos marcantes, Follett brinda-nos com um retrato pormenorizado dos mais importantes. É exímio nesta sua tarefa, entrelaçando o espaço físico mas nunca se desviando da simples linha cronológica traçada, o que faz com que o leitor compreenda na perfeição o encadear dos acontecimentos e as suas implicações em futuras acções.

Por serem acontecimentos não muito distantes é com angustia que o leitor, apesar de já saber de antemão o desfecho, acompanha as personagens no seu sofrimento e nas suas provações. Parece impossível que algo de tão vil possa ter tido lugar há tão pouco tempo. A perplexidade aumenta gradualmente quando reflectimos no retrato social apresentado. A forma (muito diferente da realidade actual, na maioria dos casos) como a política influenciava a cultura, as vivências e o pensamento das populações de determinados países; a vida social do antes e do pós-guerra; as dificuldades enfrentadas pelas populações dos países ocupados e destruídos por uma guerra que era desejada por poucos; o espírito de sacrifício de nações inteiras... As diferenças, não só com os dias de hoje, mas entre os vários intervenientes na narrativa são abismais e apontadas de forma soberba. Mais uma vez, mais que um narrar de acontecimentos bélicos e um explicar de conceitos e da conjuntura geopolítica e estratégia que levou a uma das maiores atrocidades do nosso tempo, esta é uma história de gente e daquilo a que o ser humano se predispõe em épocas de crise e conflito, encontrando em si forças que desconhece. Um magnificamente realista retrato social e humano do mundo durante a II Grande Guerra.
Recomendadíssimo.

9/10