sábado, 13 de julho de 2013

Sacrifício de Sangue

Título: Sacrifício de Sangue
Série/Saga: A Casa das Comarré (A Casa das Comarré, #2)
Autor: Kristen Painter
Tradução: Elsa T. S.Vieira
Edição: Asa
Nº de páginas: 392
ISBN: 9789892323343

"O sangue de Chrysabelle é rico, puro e poderoso… Ela é uma comarré que ousou desafiar o destino. Chrysabelle nunca imaginou que a liberdade teria um preço tão alto. Estranhos acontecimentos afastaram-na de Malkolm, o vampiro renegado a quem prometeu ajudar a quebrar uma maldição. Mas não por muito tempo, pois a atração que os une é mais forte. Para o salvar, Chrysabelle precisa de encontrar a única pessoa que pode ter a resposta: a Aureliana. Nada parece demover a comarré, nem mesmo quando descobre que cumprir a promessa exige um sacrifício de sangue, do seu próprio sangue. A chegada do enigmático Thomas Creek a Paradise City, também ele atraído pelo poderoso e inebriante sangue da comarré, vai arrastá-la para um perturbante triângulo amoroso. Dividida entre a promessa que fez a Malkolm e que lhe pode custar a vida, e o caminho de luz que Creek lhe tem para oferecer, ela terá de escolher… Intenso e arrebatador, Sacrifício de Sangue é o segundo volume da série Casa das Comarré, de Kristen Painter, e um best-seller internacional."

Ler excerto aqui

Em Fevereiro li o primeiro volume desta saga e , ainda que não tenha adorado, decidi ler este segundo volume porque havia alguns aspectos do mundo criado pela autora que me tinham agradado bastante. Ora, foram precisamente esses aspectos que foram suprimidos neste volume (sou mesmo uma rapariga cheia de sorte!!!).

Pelo que já consegui perceber no GR e nos blogues que sigo, não sou a única que pensa que este volume deixa muito a desejar em relação ao primeiro e àquilo que aquele prometia. A fluidez da narrativa e a escrita simples mantém-se mas também se mantém o enredo previsível e estereotipado - para resolver alguns problemas, em que previamente se envolveram, os já nossos conhecidos personagens, metem-se em embrulhadas difíceis de ultrapassar. Tudo isto enquanto são perseguidos por uma louca vingativa  que não olha a meios para atingir os fins. Se antes parecia que a Buffy, a Mercy e a Sookie se tinham encontrado com um misto de Edward e Mr. Hide no Paço dos SaDiablo, desta vez  uma Sookie desejosa de ajudar e a Bella Swan encontram-se com alguém que não consigo precisar bem num triângulo amoroso para lá de muito irritante. Pois é, a Chrysabelle está muito apagada e perde aqueles traços de bad ass que me tinham conquistado e torna-se numa tonta que não sabe o que quer. Os dois jeitosos do livro são ambos para ela e sabem-no, concordam em partilhá-la numa cena algo estranha tipo "de dia para mim e de noite para ti" (W.T.F????!!!!!). 

O livro acaba por sobreviver às custas da maldade da Tatiana e das maquinações que ela engendra (que a bem da verdade lá para o meio se torna enervante. Ninguém extermina aquela cabra vingativa??); da personalidade negra do Malk, ainda que o moço passe por umas fases estranhas; das estórias paralelas e... do final. Pois é, a autora este o livro todo a encher chouriços, não se passou mesmo nada de importante por mais de 30 capítulos e quando a coisa começa a aquecer e o leitor já está contente porque vai finalmente ver alguma acção, o livro acaba. (Maravilha!!). Claro que isto serve para aguçar o apetite e deixar o leitor esperançado no que respeita ao retomar da linha que tínhamos visto no primeiro volume da saga porque as questões que se levantam são todas bastante entusiasmantes. Espero sinceramente que este seja apenas um volume de ligação e que no próximo já possamos saber mais sobre alguns mistérios e a trama recomece a desenvolver.

Em resumo, é um volume que não faz jus ao seu antecessor e que não adianta muito à saga. No entanto, quem gostou do primeiro vai gostar de reencontrar alguns personagens e a leitura é fácil e rápida.

4/10

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Não sou um Serial Killer

Título: Não sou um Serial Killer
Série/Saga: Jonh Cleaver, #1
Autor: Dan Wells
Edição: Contraponto
Nº de páginas: 238
ISBN: 9896661200


"John Wayne Cleaver é um rapaz perigoso – muito perigoso. E passou a vida a tentar não cumprir o seu potencial.

É bem-comportado, calado, tímido e reservado, mas incapaz de sentir empatia e de compreender as pessoas que o rodeiam. Prefere conviver com os mortos; o seu trabalho (e passatempo favorito) é embalsamar cadáveres na casa mortuária que pertence à família. Além disso,
partilha o nome com um famoso serial killer e tem uma obsessão quase incontrolável por psicopatas e assassinos em série. Sob estas circunstâncias, parece que o seu destino está traçado.
Contudo, Cleaver tem consciência das suas invulgares características, e quer a todo o custo impedir-se a si mesmo de matar. Para tal, criou um conjunto de regras muito precisas: tenta cultivar apenas pensamentos positivos pelas pessoas que o rodeiam (até pelo bully do
liceu), evita criar laços ou interessar-se por elas (tem apenas um amigo da sua idade) e, sobretudo, tenta a todo o custo manter-se afastado do fogo (que gosta de atear), dos animais (que gosta de dissecar) e de locais e vítimas de crimes. As suas regras vão ser postas à prova quando é encontrado um corpo terrivelmente mutilado – e depois um segundo, e um terceiro. 
Será que na sua pacata vila existe uma criatura ainda mais perigosa do que John Wayne Cleaver?"


Já li este livro há uns tempos (sim, é uma das muitas opiniões atrasadas que tenho) e entretanto até já li o segundo volume. Talvez isso queira dizer que não é assim tão mau mas a verdade é que também não o achei a obra-prima de que toda a gente fala.

A sinopse não esconde muito da trama nem deixa espaço a muito mais sem entrar em spoilers, de maneira que não vou falar muito do enredo em si. Devo apenas referir que este se pode, claramente (em minha opinião) em duas partes. Numa primeira fase conhecemos John Wayne Cleaver, um jovem adolescente que, por sofrer de sociopatia, é incapaz de estabelecer relações sociais normais. John não tem amigos e é completamente  "viciado" em serial killers e em tudo o que lhes diz respeito. Por causa dessa fixação, apercebe-se que sofre de alguns dos males que indicam que uma pessoa se pode vir a tornar uma verdadeira máquina de matar. Na verdade, o jovem luta a cada momento com o Senhor Monstro, a parte mais negra da sua personalidade. Com este primeiro contacto conseguimos perceber que John é um jovem com uma enorme força de vontade, embora seja algo sinistro e tenha gostos demasiado estranhos e negros para um adolescente normal. Na pequena comunidade em que vive é ignorado - quando não maltratado - pelos da sua idade e acarinhado pelos adultos que o vêem como alguém muito responsável. Excepto a sua mãe, ninguém tem a verdadeira noção da luta interior de John e daquilo por que ele passa. A sua vida normal vai ser abalada quando se apercebe que há um serial killer à solta na pacata cidade em que vive.

Até aqui tudo bem. A escrita é simples e fluída e há sempre um ou outro aspecto que nos faz querer ler mais. As semelhanças entre as personalidades de John Cleaver e de Dexter são evidentes - é quase impossível deixar de lado as comparações - e era isso que tornava a história interessante. Pensei que ia saber ou perceber mais sobre alguém que sofre de sociopatia, que o personagem ia acabar por se ver numa situação em que ia ter que fazer opções difíceis e, talvez, ter que matar alguém mas... Bem, as opções difíceis estão lá, contudo é aqui que entra a segunda parte da narrativa. Aquela que de inicio parecia uma narrativa realista acaba por se tornar algo sobrenatural e que não me satisfez minimamente. Analisando bem as coisas, talvez o autor (que escreve ara aquele publico americano que é tão empedernido para umas coisas e tão susceptível com outras) tenha optado por não arriscar cair nas más graças do público e dos seus pais ao fazer um jovem adolescente matar "realmente" alguém mas... Enfim, o recurso escolhido é completamente inverosímil e despropositado. Atrevo-me a dizer que foi um choque depois de um início tão realista. Depois do primeiro embate e de nos habituarmos à ideia a coisa até vai passando, continuamos com vontade de saber como é que acaba e o ritmo da narrativa não sofre quebras mas já não é a mesma coisa. 

Enfim, não foi uma leitura má mas não era o que eu esperava e acabou por ser tornar um bocado esquisita com a introdução de elementos sobrenaturais inesperados. É bom para ler na praia ou numa tarde de fim de semana.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Top ten Tuesday - best books you've read to so far in 2013!

Depois de quase três semanas de ausência aqui no blog (tenho mesmo que pedir desculpas...!!) estou (quase) de volta :) . Bem, ainda não estarei de volta a 100% mas dentro de uma semana conto conseguir muito tempo livre para escrever as opiniões atrasadas (sim, não vir aqui não significa que esteja parada e já tenho 6 em atraso...uiiii) e pôr as coisas todas em dia.

Quanto ao Top Ten de hoje, os melhores de 2013 até agora. Neste momento tenho 22 livros lidos e um vigésimo terceiro "na forja" mas esse ainda não conta. Da maioria dos livros fui conseguindo dar-vos a conhecer a minha opinião no blog. Assim, vou apenas colocar as imagens  de capa dos melhores do ano até agora e podem aceder à minha opinião, caso estejam interessados na mesma, clicando na imagem.




















Não chego aos dez mas a verdade é que apenas aos 4 primeiros dei (ou darei) pontuações altas. Por enquanto, são estes os melhores do ano, lá para Dezembro veremos as modificações na lista :)

domingo, 2 de junho de 2013

A Marca das Runas

Título: A Marca das Runas
Série/Saga: Crónicas das Runas, #1 (Runemarks, #1)
Autor: Joanne Harris
Tradução: Isabel Fraga
Edição: Edições Asa
Nº de páginas: 528
ISBN: 9789892321813

"Maddy Smith nasceu com uma marca que ditou o seu destino. A runa inscrita na sua pele é um símbolo dos Antigos Deuses, uma marca mágica. E perigosa. Na pequena aldeia onde vive todos a receiam e excluem. Mas Maddy não renega a sua sorte. Pelo contrário, ela adora magia. Mesmo que isso a condene à solidão. Quinhentos anos passaram desde Ragnarók - o flagelo que marcou o Fim dos Tempos -, e a Nova Ordem impôs regras que ditam o aniquilamento do Caos, da Magia, dos Sonhos e da Imaginação. À medida que os seus feitiços ficam cada vez mais fortes, Maddy sabe que será apenas uma questão de tempo até os Examinadores da Ordem a identificarem e perseguirem. E tempo é algo que o Mundo não tem... agora que a ameaça de destruição é cada vez mais real. Isolada, Maddy pode apenas contar com o ancião seu mentor, que lhe dá a conhecer as lendas nórdicas, com os seus deuses e criaturas maravilhosas. Invisível para a maioria das pessoas, este Mundo Subterrâneo encerra a chave do seu passado. Dela depende o destino do Mundo, mais uma vez..."

Joanne Harris habituou o seu publico a romances esotéricos de um estilo muito próprio e mágico. Aqui, a magia está presente mas a magia não está tão diluída, afinal esta é uma mágica história que a autora começou por contar à sua filha ao deitar, acabando depois por  a passar para o papel. Ainda que não seja o seu habitual registo, Harris revela-se uma excelente contadora de histórias capaz de nos prender desde as primeiras páginas.

Desengane-se quem pensa que este livro é destituído de complexidade. Numa trama intrincada, marcada pela mitologia nórdica e com personagens algo complexos, Joanne Harris narra-nos a história de uma menina que, por nascer com uma marca no corpo, é vista como estranha e algo ostracizada na pequena aldeia em que cresce. Os personagens são numerosos e todos eles têm uma personalidade muito própria, se bem que o humor é algo que é comum a todos - de deuses a aldeões, todos são capazes de nos arrancar sorrisos ou mesmo gargalhadas. Todos os personagens são fortes e todos personificam alguma característica psicológica ou valor que marcam o ser humano - amor, coragem, sorte, força, ira, vingança... Talvez isso impeça alguns personagens de crescer mais mas, simultaneamente, permite à autora fazer certos jogos psicológicos muito interessantes.

A viagem - exterior e interior - de Maddy é longa e cheia de obstáculos, acabando por guiá-la a zonas profundas  e obscuras, evitadas pela grande maioria de humanos e deuses. A coragem é algo que não falta a esta jovem em busca de um artefacto mágico muito antigo mas, sobretudo, em busca de si mesma e das suas origens. E apesar de o leitor mais atento, ou talvez mais conhecedor dos mitos nórdicos, cedo ser capaz de adivinhar alguns dos detalhes que vão marcar o final da narrativa isso não retira em nada o prazer da leitura. Este facto talvez se deva à sucessão de profecias e segredos que levam a que o ritmo de acção seja elevado e se mantenha constante e mesmo quando adivinhamos o que ai vem... não conseguimos parar de ler.

Um elemento central e importante da narrativa é, sem sombra de dúvida, a sempre presente nos livros da autora, luta entre o Bem e o Mal, o Caos e a Ordem, a religião e a magia. O leitor é levado a ver que estas são duas faces da mesma moeda. A Ordem e o Caos vivem ambas dentro de todo o ser humano, criaram e mantém vivo o Universo e o importante é manter o equilíbrio para que a balança não penda apenas para um lado porque os extremismos são sempre perigosos e podem levar-nos a percorrer caminhos sinuosos. Curioso foi ver, no meio de tanta mitologia a opção de Joanne Harris no que respeita à personificação do extremismo da Ordem num conjunto de inquisidores e numa "igreja" muito à la inquisição católica. É uma crítica subtil a algumas posições que a Igreja de Roma tomou no passado ou continua a defender no tempo presente.

Resumindo, aquilo que à primeira vista parece ser uma simples história de crianças (e tem vastas vezes sido classificado como tal) só o é no seu colorido e na inocência que marca alguns episódios ou personagens porque, embora a linguagem seja simples e a trama seja, muitas vezes previsível, este é o relato de uma viagem ao interior do ser humano e dos seus medos que nos leva por um mundo complexo, repleto de magia e onde qualquer adulto consegue ver muito mais do que, inicialmente, esperava. E quanto a esta última afirmação, não posso deixar de dar os meus parabéns à editora pela nova capa que, em minha opinião, consegue espelhar melhor o público que se agradará com obra.
Um livro capaz de agradar tanto aos mais novos como aos não tão jovens.

7/10