terça-feira, 13 de abril de 2021

The Invisible Life of Addie LaRue

 Título: The Invisible Life of Addie LaRue
Autor: V.E. Schwab
Edição: Titan Books para Illumicrate (ed. especial)
Nº de páginas: 454

Sinopse: 

FRANCE, 1714
A desperate woman makes a desperate deal in the dark - a bargain to live forever but be remembered by none.
So begins the invisible life of Addie LaRue, shadow muse to artists throughout history, forgotten friend, confidante and lover, slipping away with the morning light. Addie passes through lives, desperate only to leave a trace of herself. Until the day she walks back into a small bookshop in Manhattan and meets Henry, who remembers her.
After 300 years Addie's life is restarting, but the devil never plays fair. As Henry and Addie's lives start to intertwine, they must face the consequences of the decisions they've made and the prices to be paid.
The Invisible Life of Addie LaRue is a dazzling adventure across centuries and continents, across history and art, about a young woman learning how far she will go to leave her mark on the world.



Opinião:

Se já foram ver a página de instagram, sabem que tenho sentimentos muito âmbiguos em relação a este livro. Por um lado adorei, é das narrativas mais bonitas que tive o prazer de ler em muito, muito tempo. Por outro lado, custou-me horrores a terminar. Encalhei pouco depois das 200 páginas lidas e vi-me e desejei-me para conseguir ultrapassar a coisa. Vou tentar explicar-me o melhor que puder para que possam perceber como me sinto.

Com este livro a autora atingiu um nível de qualidade de escrita que nunca lhe tinha visto. A história é narrada de forma poética e suave e muito, muito doce apesar de muitos dos temas abordados não serem propriamente fofinhos. Esta escrita é envolvente e conquista-nos. Faz-nos laços profundos com a personagem da Addie porque acredito que descreve momentos e sentimentos vividos pela grande maioria dos leitores, toda a gente se vai poder identificar com aquilo que ela vive e sentem em algum momento do livro. Além disso, as coisas descritas com palavras bonitas tocam-nos mais. E foi assim que a V. E. Schwab me conquistou logo nas primeiras páginas, com uma linguagem maravilhosamente doce e poética. 

Onde é que está então o problema? Bem, para começar, este estilo, a voz do livro, imprime um ritmo mais lento à narrativa. Não me incomodou o facto de ser bastante descritiva porque a descrição era boa, o que me incomodou foi a lentidão, a falta de acção. 
Normalmente esta autora escreve histórias com mais aventura e acção e a permissa tinha tudo para envolver algo do género afinal são 300 anos de História com episódios super importantes e artistas (com quem supostamente a Addie se cruza e os quais influencia) super interessantes em todas as áreas. Pensei que ia assistir ao envolvimento dela com esses artistas ou em momentos históricos marcantes mas a autora não optou por essa via. Talvez tenha sido esta expectativa, juntamente com todo o sururu que se criou em torno do livro, mesmo antes de este ter saído, que me "estragou" um pouco a experiência. Porque a verdade é que nem eu sei porque não posso dar 5 estrelas ou porque me custou tanto a ler uma vez que é um livro verdadeiramente bonito e que me tocou, que me deixou a pensar e me fez encarar certas coisas de um modo diferente. 

Basicamente seguimos a Addie pelas ruas do mundo - gosto do trocadilho, o nome dela é LaRue, "a rua" em francês, e é precisamente nas ruas que ela passa a viver depois do acordo que faz, tornando-se parte delas -, sempre lá mas sem ser notada e vemos como sofre por ser esquecida a toda a hora e por não ter amor na sua vida. Todos buscamos amor e há-o de vários tipos e este também é um livro sobre isso, o amor do pai que faz tudo pela sua filha, o amor de uma amizade simples e descomplicado, o amor de alguém que nos prepara para a vida mas nos tenta proteger dela e, na personagem de Estele o amor por si próprio levado às últimas consequências. E agora pergunto, porque raios é que a Addie se centra apenas em encontrar um amor romântico e não apenas amor? Achei este aspecto um pouco redutor.

Nas últimas 150 páginas, mais coisa menos coisa, a magia voltou e a autora conseguiu não só reconquistar-me como pôr-me a chorar como uma Madalena. Afinal, este é um livro sobre coisas tão simples como a constatação de que a vida é sempre um momento mais curta do que queriamos e de que, além de todos termos que ir quando chega a nossa hora, todos perdemos aqueles que amamos pelo caminho. É um livro sobre perda, sobre a necessidade que o ser humano tem de deixar a sua marca no mundo e nos outros, de não desparecer na poeira da História; é um livro sobre a necessidade de não deixar nada por dizer e a importância de dizermos exactamente o que desejamos. 

Resumindo, não partam para esta leitura a pensar nos demais livros da autora porque não é nada como os restantes. Aliás, não é a normal narrativa de fantasia. Vão sem expectativas e sabendo que o ritmo é lento mas que a escrita é tão maravilhosa que acabará por vos conquistar rapidamente e, sobretudo, vão sabendo que vos vai tocar, que em algum momento não vão poder fugir às vossas emoções e vão derramar umas lágrimas não apenas pelos personagens mas, sobretudo, por vós e pelas vossas vidas. 

sexta-feira, 19 de março de 2021

Vampires Never Get Old - Tales with a Fresh Bite

Título: Vampires Never Get Old: Tales with a Fresh Bite
Antologia compilada por: Zoraida Córdova & Natalie C. Parker
Autores: Zoraida Córdova, Natalie C. Parker, Samira Ahmed, Dhonielle Clayton, Tessa Gratton, Heidi Heilig, Julie Murphy, Mark Oshiro, Rebecca Roanhorse, Laura Ruby, Kayla Whaley e V. E. Schwab
Edição: Imprint
Nº de páginas: 320

Sinopse: "In this delicious new collection edited by Zoraida Córdova and Natalie C. Parker, you'll find stories about the lurking vampires of social media, the rebellious vampires hungry for more that just blood, the eager vampires coming out - and going out for their first kill - and other bold, breathtaking, dangerous, dreamy, eerie, iconic, powerful creatures of the night.
Welcome to the revolution of the vampire - and a revolution on the page.
Vampires Never Get Old includes stories by authors both bestselling and acclaimed."


Opinião:

Como diz Neil Gaiman, o bom de um livro de contos é que se não gostas de um deles sabes que passadas umas páginas surgirá um que te apaixona, e isso tanto é uma das coisas mais maravilhosas neste tipo de livros.  Avaliar um livro de contos nunca é fácil, sobretudo por causa da diversidade de estilos e abordagens ao tema mas neste livro há uma constante além do tema, a sensação com que o leitor fica de que a história náo está completa, que lhe foram servidas apenas as migalhas de um bolo muito maior. No caso de alguns autores, como V. E. Schwab, já foi confirmado pelos próprios que é assim, que esta sensação não é infundada. Acontece é que, em alguns casos, essa realidade é umito evidente e leva a que os contos não tenham um príncipio, meio e fim. 
Mas não é tudo mau. Há muitas coisas boas, há contos de que gostei bastante e há, acima de tudo, um sem número de abordagens fora do comum ao vampirismo. Na verdade, não há nenhum típico vampiro neste livro e os temas abordados vão desde bullying a eutanásia passando por LGBTQ+, problemas alimentares e de peso, perda de entes queridos, escravatura, doença mental e, obviamente, muitos homicídios e mortes. Gostei destas novas abordagens, os vampiros já não são apenas os badass e as jeitosas sedutoras e passam a ser personagens mais complexas, que não deixam para trás os seus problemas, medos ou complexos só porque a vida se lhes foi.

Vamos então a uma pequena análise conto a conto...

Seven Nights for Dying by Tessa Gratton -
Não vou mentir, estava super entusiasmada, afinal era o primeiro conto do livro, e... perdi logo a vontade! Só dois ou três dias depois é que voltei a pegar no livro para ler o segundo conto. 
Não percebi muito bem onde é que a autora queria chegar com isto... Gostei bastante da ideia de a "vitima" poder escolher se de fcato quer ser transformada e ter sete dias para chegar a uma decisão final, para fazer um balanço da sua vida e ponderar bem a sua escolha. É uma abordagem interessante e fora do comum mas que não torna, por si só, a história numa boa história. Acabei por não perceber muito bem porque é que a personagem queria ser transformada. A personagem principal é pan ou bissexual, tem problemas com excesso de peso, e está extremamente zangada com a mãe por ela ter morrido. É um contexto dificil mas não senti que a autora me tivesse conseguido transmitir os reais sentimentos do personagem, não criei qualquer tipo de relação empática com ela, e, talvez por isso, não me pareceu que a moça soubesse o que andava a fazer da vida! 


The Boys from Blood River by Rebecca Roanhorse - ⭐⭐⭐
Gostei bastante deste conto. Tem umas vibes mais dark e a autora conseguiu fazer-me sentir aquele arrepiozinho pela espinha. Além disso, consegui identificar-me com os personagens e compreender as suas motivações. O personagem principal vive numa cidadezinha daquelas em que todos se conhecem, trabalha num daqueles "cafés" de beira de estrada típicos da América e a única pessoa que é minimamente simpática com ele é a colega de trabalho. Toda a cidade, sobretudo os colegas de escola, lhe inferniza a vida por ser nativo-americano, gay e pobre. Como se não lhe bastasse, a mãe está em fase terminal e a vida dele é cada vez pior e mais difícil. Onde entram os vampiros? Ahah... Numa espécie de lenda urbana ligada a uma música. Quem a ouve e quem a canta acaba por se encontrar com os "Rapazes de Blood River". Estão a ver por onde a coisa vai, não? Pois é, o nosso personagem vai aprender da pior maneira que tudo tem o seu preço.
Ponto negativo: é um conto. Fiquei com muita vontade de saber mais sobre os "Rapazes" e sobre o destino do personagem principal.


Senior Year Sucks by Julie Murphy - ⭐
Juro, nunca gostei da Buffy e o raio desta história é demasiado colado à série. Coisa boa, é um conto pequeno e passou depressa. 
Enfim, há uma caçadora de vampiros adolescente que, apesar de ter algum excesso de peso é cheerleader e tem o nada aamericano nome de Jolene (a sério?! cortem-me os pulsos...). Depois de um jogo numa outra cidade, no regresso a casa, a boa da Jolene acaba a conhecer uma vampira que. tal como ela, só quer aproveitar o último ano de secundário e gozar a coisa descansadinha. E no final, adivinhem lá!! Pois é, do nada, sem motivo aparente e só porque sim, as duas embrulham-se e acabam a curtir no carro (não vou comentar). 
Além de ter achado tudo muito Buffy e de não me ter conseguido identificar em nada com nenhum dos personagens, acho que a autora não conseguiu encontrar a voz do personagem. Para mim, era claro que era um adulto a tentar lembrar-se, ou a tentar imaginar, como era a vida daquela adolescente.


The Boy and The Bell by Heidi Heiling - ⭐⭐ ⭐
Gostei muito das vibes deste conto e da atmosfera que a autora conseguiu transmitir. A acção tem lugar num cemitério na Inglaterra victoriana, aquela época em que grassavam não só os roubos de cadáveres mas também os enterros de gente viva. Quem tinha dinheiro usava tudo para evitar ambas as situações e muitos já devem ter ouvido falar do dispositivo que ligava o pulso do "morto" a um sino de modo a evitar que a pessoa fosse enterrada viva e morresse desse mal.
O personagem principal é um rapaz trans que sonha com ser médico mas que sempre sofreu de discriminação por parte de todos, primeiro porque nasceu rapariga (o que lhe cortava as possíbilidades de vida e os sonhos), depois porque não tem dinheiro ou ligações e que se dedica a roubar cadáveres para poder estudar e comer. Numa noite em que se dedica a essa actividade, ouve um sino que toca insistentemente numa  campa mais à frente...
Não dou mais estrelas porque fiquei com a sensação de que este conto era um excerto de algo maior - e que bom seria, porque adorava conhecer melhor os personagens, saber mais sobre as suas motivações e conhecer os seus destinos - mas gostei bastante.


A Guidebook for the Newly Sired Desi Vampire by Samira Ahmed - ⭐⭐
Escrito, de modo imaginiativo, na forma de um panfleto destinado aos novos vampiros, este foi outro dos contos que perdeu por me transmitir a sensação de que era um trecho de algo maior.
O cenário é a India onde a comunidade vampírica vive no meio dos humanos, cumprindo algumas regras básicas, tendo acesso a um apoio especial de outros vampriros e das novas tecnologias (apps de encontros vampíricos, por exemplo) que lhes facilitam esta convivência. 
A personagem principal é uma presença confusa e sem nome, um jovem que foi mortido e transformado contra a sua vontade por um turista britânico. Esta situação leva a um dissertar sobre colonização, atitudes racistas e prepotentes por parte dos antigos colonizadores que se estendem até aos dias de hoje e falta de respeito para com os povos nativos e as suas culturas. São temas relevantes e devem ser inntroduzidos e discutidos mas achei que  podia ter sido feito de outra forma.


In Kind by Kayla Whaley - ⭐⭐⭐⭐
Este conto mexeu comigo. A sério!
A história é contada através de supostos artigos de jornal e, depois, por Grace Williams, uma adolescente que sofre de uma doença degenerativa e incapacitante que a faz ser completamente dependente do pai que acha que a vida naquele sofrimento não é vida.  No primeiro artigo de jornal ficamos a saber que o pai de Grace se entregou à polícia, confessando que lhe tinha administrado uma dose letal de morfina e que se tinha tentado desfazer do corpo. De um modo estranho, o corpo desaparece antes que o homem consiga levar a bom porto os seus intentos. E aqui começa a coisa...
Começa a história propriamente dita, porque a filha afinal não estava tão morta como ele pensava e, após ser salva e transformada, está tão zangada que só pensa em vingar-se. E começa a nossa cabeça a tentar lidar com as várias emoções que os personagens transmitem e também com as emoções do leitor que se vê no lugar tanto do pai como da filha e luta para perceber como se comportaria face a uma realidade destas.
É uma história muito emotiva e que nos faz pensar mas é, acima de tudo uma história sobre nunca sabermos como os outros se sentem, sobre pessoas que sofrem  (não apenas ou exclusivamente no plano físico) mas que não precisam de ser consertados porque se aceitam e estão em paz com a sua realidade, felizes com o seu "eu" e com o que a vida lhes dá. Pode não ser uma vida perfeita mas é a sua vida e vale a pena ser vivida tanto como outra qualquer. Neste ponto, adorei o facto de não haver curas mágicas, de a Grace continuar a depender da sua cadeira de rodas, continuar a ter um corpo que, às vezes, a trai e manter a sua vontade de viver.


Vampires Never Say Die by Zoraida Córdova e Natalie C. Parker -  ⭐
Não gostei mesmo nada desta história. Na Nova York dos nossos dias, uma jovem adolescente mantém uma  amizade virtual - via Instagram - com alguém que o leitor (e apenas o leitor) sabe que é uma vampira com 200 anos. Cheia de boa vontade e boas intenções, a jovem decide organizar uma festa de aniversário para a sua amiga, convidando todos amigos de instagram desta. Ora, já estáo a ver o rumo que a coisa leva, com certeza. Uma sala cheia de vampiros sedentos e uma tótó super inocente mesmo a pedir para ser o cordeiro sacrificado!
Enfim, achei a miúda super naive, de uma maneira que me irritou solenemente. Além disso, a parte de haver alguém do outro lado que a manipula, que não é quem diz ser foi algo que mexeu comigo. Eu sei que acontece todos os dias e não apenas aos adolescentes, há imensa gente enganada online. O que me incomodou foi o facto desse personagem fazer isso sem qualquer tipo de problema de consciência, sem pensar nas consequências para aquela jovem. Acho que me incomodou pelo facto de ter percebido que é mesmo assim, que quem faz estas coisas nem pensa duas vezes no outro, só pensa no seu umbigo e isso é muito, muito triste.


Bestiary by Laura Ruby - ⭐⭐ (2,5)
A acção decorre num futuro que interpreto como próximo, em volta de uma vampira recém transformada que, não tendo um lugar a que chamar casa, acaba por "viver" num zoo que se debate com a falta de água.
Tenho sentimentos ambíguos em relação a este conto. Por um lado, os temas abordados são interessantes  e, com algum desenvolvimento, poderiam levar a algo muito, muito bom. Além disso, a relação que a personagem principal estabelece com os animais, a capacidade que tem de realmente comunicar com eles, leva-nos, face aos restantes acontecimentos, a pensar quem serão neste mundo as verdadeiras bestas. Com mais tempo (se não fosse um conto, portanto) a personagem principal podia revelar-se espectacular e acredito que os leitores se iriam ideintificar imenso com ela, seria um dos pontos fortes e centrais de uma boa distopia! Contudo, não há tempo. Mais uma vez, fica a sensação de pressa. Esta história tem princípio, o meio não tem o desenvolvimento que merecia e o fim foi alinhavado ali assim às três pancadas. A sério, se a autora pegar nisto como base para uma noveleta ou até algo maior, apontem o meu nome na lista de quem vai querer ler. Quero saber realmente como foi transformada, o que vai acontecer aos animais do zoo, o que vai acontecer aos cromos capitalistas, quero descobrir mais sobre a colega dela e as vidas de ambas.... Como está, soube a pouco e, por isso, não dou 3 estrelas.


Mirrors, Windows & Selfies by Mark Oshiro - ⭐⭐ (2,5)
Esta é a história de Cisco, um vampiro adolescente e latino-americano que nunca fez nada mais na vida senão fugir de um lado para o outro com uns pais para lá de protectores que não o deixam comunicar com ninguém e, misteriosamente, nem sequer o deixam ver-se ao espelho ou tirar selfies.
Sentindo-se muito só e isolado, a questão da sua aparência física torna-se quase uma obsessão - há algo de errado com a cara dele? Como é que ele é? Porque é que não o deixam conhecer o seu reflexo? - e é neste contexto que se decide a começar um blog no qual coloca os seus receios e pensamentos. É através deste blog que conhecemos toda a história e gostei deste aspecto, o autor não se limitou à narrativa corrida e, a meu ver, resultou bem.
Dei por mim a querer mesmo saber o que ia acontecer, como é que ele ia conseguir levar a cabo a tarefa de conhecer a sua própria imagem, a dizer-lhe "mas foge, não sejas parvo"... Gostei bastante mas não vi respostas nenhumas às minhas questões, não percebi porque é que os país do Cisco acham que têm que fugir, porque não o deixam ver-se ao espelho, afinal como é que ele é, se há mais como ele onde estão, como vivem e para onde vão? No final, não sei nada disto. Porquê? Mais uma vez, este conto parece, desta vez, o início de uma história maior. Tem tudo para ser uma õptima história mas falha enquanto conto.


The House of Black Sapphires by Dhonielle Clayton - ⭐⭐⭐⭐
Esta foi, sem dúvida, a minha história favorita de todo o livro. Adorei. Dos personagens, ao mistério que os envolve, ao ambiente e atmosfera... lindo! O fim não foi tão satisfatório, foi até algo abrupto mas este é outro conto que, espero sinceramente, possa ser aproveitado para algo maior.  Se soubesse que podia conhecer a história completa dava-lhe 5 estrelas sem exitar.
A narrativa apoia-se nos muitos de Nova Orleães e no folclore e voodoo haitianos. Pelas mãos de uma família de vampiras, somos levados a uma New Orleans alternativa embora muito semelhante à nossa. O aspecto mais especial e interessante está na familia em si, mulheres negras e super poderosas que gerem um boticário e que se vão mudando consoante a necessidade. Por motivos não muito claros, acabam por retornar à sua terra natal onde o seu poder e a sua condição de Eternas não é segredo. Contudo, o perigo espreita e a sua existência pode não ser assim tão eterna uma vez que aquela cidade é também o lar dos únicos seres capazes de as aniquilar, os Shadow Baron.


First Kill by V. E. Schwab - ⭐⭐⭐ 
Bem, estou à espera de poder ver o todo desta história uma vez que a autora já confirmou que isto foi apenas a introdução. E é precisamente por isso que a história perde, o conto limita-se a seguir a vida das duas protagonistas durante 2 dias. Ambas são lésbicas mas uma é vampira (condição de família) e a outra é caçadora de seres sobrenaturais como todos os membros da sua família. Gostei bastante das personagens e do entorno mas acabou por saber a muito pouco, sendo um desenrolar muito lento para um conto e o leitor percebe claramente que aquele é o início de algo maior.





Como podem ver, a constante neste livro foi  um sentimento de que ali faltava algo e que a história não era apenas aquilo. É realmente uma pena porque, ao ver os nomes dos autores, esperava muito mais desta antologia. Gostei da diversidade de temas e do modo pouco habitual como os vampiros são retratados mas... soube a pouco. No geral, são duas estrelas para o livro no seu todo.
Tenho que fazer uma pesquisa para tentar perceber se, de facto, mais autores confirmam que este é o ponto de partida para algo mais. Se assim for, vou  querer ler alguns livros no futuro.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Faye - Asas de Prata

Título: Faye - Asas de Prata
Autor: Camilla Lackberg
Edição: Suma de Letras
Nº de páginas: 376


Sinopse:  "Depois do grande sucesso internacional de Uma Gaiola de Ouro, chega mais um episódio da história de Faye: traição, redenção e solidariedade feminina num novo drama sobre a vingança.

Graças a um plano refinado e cruel, Faye deixou para trás a traição e as humilhações sofridas com o agora ex-marido Jack e parece ter assumido as regras da sua existência: é uma mulher independente, recontruiu a sua vida num outro país e longe do seu passado, Jack está na prisão e a empresa que Fay fundou, Revenge (Vingança) está crescendo com sucesso.

Mas novos desafios correm o risco de quebrar a serenidade conquistada com muito esforço. De facto, o lançamento da marca Revenge nos Estados Unidos da América desperta uma séria ameaça e Faye é forçada a retornar a Estocolmo"



Ora, por onde é que eu vou começar isto sem ofender ninguém e sem ser linchada pelos fãs? Não sei muito bem... A verdade é que este livro está muito, muito longe daquilo a que a autora me habituou. Eu sei que é preciso evoluir e escrever sobre algo mais que o detective Patrick na sua terrinha mas a qualidade desta nova série deixa muito a desejar. 

Já no livro anterior me tinham saltado à vista umas quantas coisas de que não gostei muito mas neste... esqueçam que a coisa não tem ponta por onde se lhe pegue. O que mais me incomodou foi o facto de este ser vendido como um livro feminista e estar longe de o ser. O feminismo não é o contrário do machismo e o que vemos aqui é só agressão gratuita ao sexo masculino. Dei por mim várias vezes a pensar quem raio teria feito tanto mal à autora para ela vir assim a público destilar ódio e raiva contra todos os homens. E o que é que eu quero dizer com isto? Simples, segundo a narrativa, não há um único homem de jeito neste mundo, nenhum homem ama uma mulher, o que eles têm é segundas intenções sejam elas de natureza sexual, económica ou outra. Já as mulheres, queremos ser amadas, é verdade, mas vemos os homens ou como uns brinquedinhos sexuais ou como um bando de rebarbados que nos querem saltar para a cueca (são as duas únicas opções apresentadas). Ora, esta visão do mundo, desculpem, não é feminista. É só uma visão deturpada e com marcas de ressentimento. A sério que não percebi isto.

Toda esta visão do mundo passa para os personagens, obviamente. A maioria são mulheres descritas como independentes, fortes e bem resolvidas mas, a verdade, é que a única que me encaixa na descrição é a Úrsula. Todas as ouotras, incluindo a personagem principal, são mulheres de negócios que se esforçam por passar uma imagem forte mas que só querem um homem. Sim, um desses que elas levam a vida a rebaixar e a pôr de lado. Um comportamento um bocado bipolar e que contribuiu para a irritação extrema que a Faye me causou. Então uma mulher daquelas, supostamente tão forte e resiliente, independente e com segredos enormes, deixa-se enganar assim pelo primeiro badameco que diz que a ama? Uma mulher de negócios como aquela anda entretida a perder tempo com menage a trois, sexo e passeios com o boy em vez de querer, de fcato, saber quem lhe ameaça o negócio?

O que nos leva à trama. Supostamente, o livro seria sobre uma ameaça à Revenge e ela está presente desde o início mas só nas ultimas páginas é que a boa da Faye se lembra que se calhar é mesmo boa ideia deixar-se de namoricos e lutar por aquilo que criou. Hummm.... não me agradou. Além disso, não sei se fui apenas eu mas foi muito simples perceber a jogada toda logo nos primeiros capitulos, quem estava por detrás da ameaça, como o estava a fazer... Percebi tudo e foi frustrante. Mais uma vez, talvez para despistar, a autora esforçou-se demasiado em rebaixar os homens, particularmente o culpado, e foi isso que me mostrou logo quem era. 

Pontos positivos? Até há. Gostei bastante dos capítulos dedicados à infância de Faye e que a autora utiliza para nos mostrar os porquês da personagem. Foram capítulos que me deixaram a pensar nas desgraças que, às vezes, vivem mesmo ao nosso lado, para os sofrimentos silenciosos de tantas crianças. Deixou-me o coração apertado porque, infelizmente, sei bem que estas coisas acontecem. Ainda assim, devo dizer que não me encaixou muito bem a leveza com que a autora recorre ao homícidio sempre que há dificuldades.

Outro ponto positivo e que, talvez (só talvez, atenção) me faça ler o próximo volume, é o paragrafo final. Sim senhor, aquelas últimas frases prometem, veremos se a autora consegue fazer melhor num próximo volume. Se assim não for, só volto a ler quando escrever  de novo sobre o Patrick ou algo mais na mesma linha.


2/5

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Postcrossing, uma caixa de correio feliz ou viajar sem sair do lugar

 Sou pessoa que não consegue estar parada, não consegue dedicar a totalidade do seu tempo a uma única actividade, sobretudo o tempo livre. Sou inconformada, insatisfeita e tenho, por natureza, uma mente irrequieta. Alguns diriam que isso é condição que advém dos astros, que os nativos de gémeos somos assim mesmo. Talvez... Na verdade, depois de aprender a viver em paz com esta falta de quietude que muitas vezes me leva a abandonar projectos e passatempos (atenção, não quer dizer que deixe de gostar das coisas, simplesmente surgem outras mais interessantes) consigo ver que há nela coisas boas. Estou sempre a descobrir algo novo, a aprender coisas novas, a desenvolver capacidades diferentes. Conclusão, vou-me descobrindo a mim mesma.

E que raios tem isso que ver com uma caixa de correio feliz? Muito! Foi por causa desta minha busca constante por coisas novas que, seguindo a minha paixão por escrever cartas e pelo chamado snailmail, há uns anos, descobri o Postcrossing e deixei de ter uma caixa de correio cinzentona, com um conteúdo corriqueiro quase exclusivamente constituido por contas para pagar, para passar a ter uma caixa de correio feliz e colorida!

O Postcrossing é um projecto de troca de correspondência criado em 2005 por Paulo Magalhães (sim, por um português) e que hoje tem 801,889 utilizadores activos. O conceito é simples, receber e enviar postais de e para todo o mundo. E a coisa é muito simples. Registamo-nos no site, criamos o nosso perfil e podemos começar a enviar postais. Inicialmente, podemos enviar até 5 postais de uma vez e o número vai aumentando à medida que vamos atingindo determinadas fasquias. 



Para enviar um postal pedimos ao sistema que nos disponibilize uma morada (que será enviada posteriormente para o nosso mail). O sistema vai mostrar-nos o perfil e morada de outro utilizador e também o ID do postal. Quando escrevermos o nosso postal devemos incluir nele esse ID para que a pessoa que o recebe possa acusar essa recepção. O facto de o sistema nos mostrar o perfil da pessoa a quem vamos escrever é super importante porque podemos, a partir dali, fazer uma pequena pesquisa e ficar a saber se, por exemplo, a pessoa está quase a fazer anos (um postal de aniversário é sempre uma alegria), que tipo de postais são apreciados pela pessoa em causa, se gosta de receber postais nas quadras festivas (ou se, pelo contrário, não gosta de natal, por exemplo), se os postais feitos à mão podem ser uma opção... Enfim, há um sem número de informações úteis que podemos conseguir e que também damos aos outros utilizadores através do perfil.

A maioria dos postcrossers  tem esse cuidado de pesquisa e gosta de enviar algo que agrade porque, regra basilar, gosta que lhe seja feito o mesmo. Para um exemplo concreto deixo a foto dos meus postais da Inga Paltser. Adoro estas corujinhas e refiro-o no meu perfil mas só se encontram na Europa de Leste. Conclusão, há muita gente que ao ver a informação tem o cuidado de, se tiver um postal destes disponivel, me enviar uma. Até já me aconteceu receber um envelope com um postal e um iman exactamente igual. Sim, porque há muitos utilizadores amorosos que não se limitam a enviar o postal. Há quem "engrace" com o nosso perfil e envie, chá, moedas, imans, folhinhas (dessas tipo post-it) coloridas...



E o que é que se escreve no postal? O que nós quisermos. Normalmente, introduzem-se umas palavrinhas na nossa lingua (com a tradução para inglês entre parentisis, pois então) e depois é deixar fluir. Há quem fale da sua vida, há quem fale sobre a imagem do postal, há quem conte curiosidades sobre o seu país e cultura, quem envie receitas de culinária... Vale tudo desde que não seja uma ofensa para quem recebe.

Quando recebemos um postal, devemos ir registá-lo na plataforma recorrendo ao seu ID. Só quando o postal é registado é que a morada fica livre para poder voltar a enviar e receber. Podemos ou não enviar uma mensagem a agradecer. Eu faço-o sempre. Além de ser de bom tom e revelar boa educação, também gosto que me agradeçam e digam duas ou três palavras quando recebem um postal meu.



Um dado a reter e ter em conta é que não vamos receber um postal da pessoa a quem enviámos um. Isso pode acontecer um dia mas o intuito não é termos resposta ao nosso postal. Por isso mesmo, há uma opção nos perfis que é o "direct Swap" e podemos estar ou não abertos à ideia. Quando vemos um perfil de alguém que nos parece porreiro, ou quando recebemos um postal de alguém que nos agradou, podemos ver se está disponivel para "direct swap" e enviar-lhe uma mensagem através da página oficial. Se a pessoa quiser dá-nos a sua morada e pode, assim, criar-se uma troca de correspondência mais ao jeito dos penpal. Também há quem envie os postais num envelope e inclua a morada ou até quem tenha pequenos autocolantes com a morada e que cola nos postais. 

Posso dizer-vos que já fiz boas amizades com "direct swaps". Inclusivé, já fui a Praga visitar uma das minhas penpals e já recebi em Portugal penfriends da Rússia, República Checa e Taiwan (ainda não as visitei todas mas... um dia, lá chegaremos). 



Todas estas "viagens de postal na mão" despertaram em mim mais vontade de saber e conhecer e me proporcionaram uma maneira diferente de olhar o mundo, os locais quem visito e até as outras pessoas. Além da possibilidade de conhecer outras pessoas, há mais aliciantes. Ficar a conhecer elementos de culturas diferentes (às vezes, dou por mim a saber coisas da cultura oriental porque alguém as escreveu num postal, por exemplo), descobrir locais novos e despertar a nossa vontade de saber mais sobre eles, receber um postal de um país que nem sabiamos que existe (já me aconteceu) e, claro, ter algo mais que contas para pagar na caixa do correio.  



Resta-me acrescentar que é completamente seguro e ninguém, senão quem vos enviará o postal, tem acesso à vossa morada.

As fotos que vos deixo são de alguns postais que recebi, de alguns selos (é um cuidado que todos temos nos Correios, pedir selos bonitos em vez do autocolante feio que sai do computador, o preço é o mesmo) e da página do Postcrossing. 

Se se sentirem tentados, visitem a página e experimentem embora vos deva avisar que é altamente viciante. Se quiserem mais informações, esclarecimentos ou ideias... deixem comentário ou enviem mensagem que eu respondo com todo o gosto.


Fiquem bem, boas leituras e...

HAPPY POSTCROSSING!