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sexta-feira, 19 de março de 2021

Vampires Never Get Old - Tales with a Fresh Bite

Título: Vampires Never Get Old: Tales with a Fresh Bite
Antologia compilada por: Zoraida Córdova & Natalie C. Parker
Autores: Zoraida Córdova, Natalie C. Parker, Samira Ahmed, Dhonielle Clayton, Tessa Gratton, Heidi Heilig, Julie Murphy, Mark Oshiro, Rebecca Roanhorse, Laura Ruby, Kayla Whaley e V. E. Schwab
Edição: Imprint
Nº de páginas: 320

Sinopse: "In this delicious new collection edited by Zoraida Córdova and Natalie C. Parker, you'll find stories about the lurking vampires of social media, the rebellious vampires hungry for more that just blood, the eager vampires coming out - and going out for their first kill - and other bold, breathtaking, dangerous, dreamy, eerie, iconic, powerful creatures of the night.
Welcome to the revolution of the vampire - and a revolution on the page.
Vampires Never Get Old includes stories by authors both bestselling and acclaimed."


Opinião:

Como diz Neil Gaiman, o bom de um livro de contos é que se não gostas de um deles sabes que passadas umas páginas surgirá um que te apaixona, e isso tanto é uma das coisas mais maravilhosas neste tipo de livros.  Avaliar um livro de contos nunca é fácil, sobretudo por causa da diversidade de estilos e abordagens ao tema mas neste livro há uma constante além do tema, a sensação com que o leitor fica de que a história náo está completa, que lhe foram servidas apenas as migalhas de um bolo muito maior. No caso de alguns autores, como V. E. Schwab, já foi confirmado pelos próprios que é assim, que esta sensação não é infundada. Acontece é que, em alguns casos, essa realidade é umito evidente e leva a que os contos não tenham um príncipio, meio e fim. 
Mas não é tudo mau. Há muitas coisas boas, há contos de que gostei bastante e há, acima de tudo, um sem número de abordagens fora do comum ao vampirismo. Na verdade, não há nenhum típico vampiro neste livro e os temas abordados vão desde bullying a eutanásia passando por LGBTQ+, problemas alimentares e de peso, perda de entes queridos, escravatura, doença mental e, obviamente, muitos homicídios e mortes. Gostei destas novas abordagens, os vampiros já não são apenas os badass e as jeitosas sedutoras e passam a ser personagens mais complexas, que não deixam para trás os seus problemas, medos ou complexos só porque a vida se lhes foi.

Vamos então a uma pequena análise conto a conto...

Seven Nights for Dying by Tessa Gratton -
Não vou mentir, estava super entusiasmada, afinal era o primeiro conto do livro, e... perdi logo a vontade! Só dois ou três dias depois é que voltei a pegar no livro para ler o segundo conto. 
Não percebi muito bem onde é que a autora queria chegar com isto... Gostei bastante da ideia de a "vitima" poder escolher se de fcato quer ser transformada e ter sete dias para chegar a uma decisão final, para fazer um balanço da sua vida e ponderar bem a sua escolha. É uma abordagem interessante e fora do comum mas que não torna, por si só, a história numa boa história. Acabei por não perceber muito bem porque é que a personagem queria ser transformada. A personagem principal é pan ou bissexual, tem problemas com excesso de peso, e está extremamente zangada com a mãe por ela ter morrido. É um contexto dificil mas não senti que a autora me tivesse conseguido transmitir os reais sentimentos do personagem, não criei qualquer tipo de relação empática com ela, e, talvez por isso, não me pareceu que a moça soubesse o que andava a fazer da vida! 


The Boys from Blood River by Rebecca Roanhorse - ⭐⭐⭐
Gostei bastante deste conto. Tem umas vibes mais dark e a autora conseguiu fazer-me sentir aquele arrepiozinho pela espinha. Além disso, consegui identificar-me com os personagens e compreender as suas motivações. O personagem principal vive numa cidadezinha daquelas em que todos se conhecem, trabalha num daqueles "cafés" de beira de estrada típicos da América e a única pessoa que é minimamente simpática com ele é a colega de trabalho. Toda a cidade, sobretudo os colegas de escola, lhe inferniza a vida por ser nativo-americano, gay e pobre. Como se não lhe bastasse, a mãe está em fase terminal e a vida dele é cada vez pior e mais difícil. Onde entram os vampiros? Ahah... Numa espécie de lenda urbana ligada a uma música. Quem a ouve e quem a canta acaba por se encontrar com os "Rapazes de Blood River". Estão a ver por onde a coisa vai, não? Pois é, o nosso personagem vai aprender da pior maneira que tudo tem o seu preço.
Ponto negativo: é um conto. Fiquei com muita vontade de saber mais sobre os "Rapazes" e sobre o destino do personagem principal.


Senior Year Sucks by Julie Murphy - ⭐
Juro, nunca gostei da Buffy e o raio desta história é demasiado colado à série. Coisa boa, é um conto pequeno e passou depressa. 
Enfim, há uma caçadora de vampiros adolescente que, apesar de ter algum excesso de peso é cheerleader e tem o nada aamericano nome de Jolene (a sério?! cortem-me os pulsos...). Depois de um jogo numa outra cidade, no regresso a casa, a boa da Jolene acaba a conhecer uma vampira que. tal como ela, só quer aproveitar o último ano de secundário e gozar a coisa descansadinha. E no final, adivinhem lá!! Pois é, do nada, sem motivo aparente e só porque sim, as duas embrulham-se e acabam a curtir no carro (não vou comentar). 
Além de ter achado tudo muito Buffy e de não me ter conseguido identificar em nada com nenhum dos personagens, acho que a autora não conseguiu encontrar a voz do personagem. Para mim, era claro que era um adulto a tentar lembrar-se, ou a tentar imaginar, como era a vida daquela adolescente.


The Boy and The Bell by Heidi Heiling - ⭐⭐ ⭐
Gostei muito das vibes deste conto e da atmosfera que a autora conseguiu transmitir. A acção tem lugar num cemitério na Inglaterra victoriana, aquela época em que grassavam não só os roubos de cadáveres mas também os enterros de gente viva. Quem tinha dinheiro usava tudo para evitar ambas as situações e muitos já devem ter ouvido falar do dispositivo que ligava o pulso do "morto" a um sino de modo a evitar que a pessoa fosse enterrada viva e morresse desse mal.
O personagem principal é um rapaz trans que sonha com ser médico mas que sempre sofreu de discriminação por parte de todos, primeiro porque nasceu rapariga (o que lhe cortava as possíbilidades de vida e os sonhos), depois porque não tem dinheiro ou ligações e que se dedica a roubar cadáveres para poder estudar e comer. Numa noite em que se dedica a essa actividade, ouve um sino que toca insistentemente numa  campa mais à frente...
Não dou mais estrelas porque fiquei com a sensação de que este conto era um excerto de algo maior - e que bom seria, porque adorava conhecer melhor os personagens, saber mais sobre as suas motivações e conhecer os seus destinos - mas gostei bastante.


A Guidebook for the Newly Sired Desi Vampire by Samira Ahmed - ⭐⭐
Escrito, de modo imaginiativo, na forma de um panfleto destinado aos novos vampiros, este foi outro dos contos que perdeu por me transmitir a sensação de que era um trecho de algo maior.
O cenário é a India onde a comunidade vampírica vive no meio dos humanos, cumprindo algumas regras básicas, tendo acesso a um apoio especial de outros vampriros e das novas tecnologias (apps de encontros vampíricos, por exemplo) que lhes facilitam esta convivência. 
A personagem principal é uma presença confusa e sem nome, um jovem que foi mortido e transformado contra a sua vontade por um turista britânico. Esta situação leva a um dissertar sobre colonização, atitudes racistas e prepotentes por parte dos antigos colonizadores que se estendem até aos dias de hoje e falta de respeito para com os povos nativos e as suas culturas. São temas relevantes e devem ser inntroduzidos e discutidos mas achei que  podia ter sido feito de outra forma.


In Kind by Kayla Whaley - ⭐⭐⭐⭐
Este conto mexeu comigo. A sério!
A história é contada através de supostos artigos de jornal e, depois, por Grace Williams, uma adolescente que sofre de uma doença degenerativa e incapacitante que a faz ser completamente dependente do pai que acha que a vida naquele sofrimento não é vida.  No primeiro artigo de jornal ficamos a saber que o pai de Grace se entregou à polícia, confessando que lhe tinha administrado uma dose letal de morfina e que se tinha tentado desfazer do corpo. De um modo estranho, o corpo desaparece antes que o homem consiga levar a bom porto os seus intentos. E aqui começa a coisa...
Começa a história propriamente dita, porque a filha afinal não estava tão morta como ele pensava e, após ser salva e transformada, está tão zangada que só pensa em vingar-se. E começa a nossa cabeça a tentar lidar com as várias emoções que os personagens transmitem e também com as emoções do leitor que se vê no lugar tanto do pai como da filha e luta para perceber como se comportaria face a uma realidade destas.
É uma história muito emotiva e que nos faz pensar mas é, acima de tudo uma história sobre nunca sabermos como os outros se sentem, sobre pessoas que sofrem  (não apenas ou exclusivamente no plano físico) mas que não precisam de ser consertados porque se aceitam e estão em paz com a sua realidade, felizes com o seu "eu" e com o que a vida lhes dá. Pode não ser uma vida perfeita mas é a sua vida e vale a pena ser vivida tanto como outra qualquer. Neste ponto, adorei o facto de não haver curas mágicas, de a Grace continuar a depender da sua cadeira de rodas, continuar a ter um corpo que, às vezes, a trai e manter a sua vontade de viver.


Vampires Never Say Die by Zoraida Córdova e Natalie C. Parker -  ⭐
Não gostei mesmo nada desta história. Na Nova York dos nossos dias, uma jovem adolescente mantém uma  amizade virtual - via Instagram - com alguém que o leitor (e apenas o leitor) sabe que é uma vampira com 200 anos. Cheia de boa vontade e boas intenções, a jovem decide organizar uma festa de aniversário para a sua amiga, convidando todos amigos de instagram desta. Ora, já estáo a ver o rumo que a coisa leva, com certeza. Uma sala cheia de vampiros sedentos e uma tótó super inocente mesmo a pedir para ser o cordeiro sacrificado!
Enfim, achei a miúda super naive, de uma maneira que me irritou solenemente. Além disso, a parte de haver alguém do outro lado que a manipula, que não é quem diz ser foi algo que mexeu comigo. Eu sei que acontece todos os dias e não apenas aos adolescentes, há imensa gente enganada online. O que me incomodou foi o facto desse personagem fazer isso sem qualquer tipo de problema de consciência, sem pensar nas consequências para aquela jovem. Acho que me incomodou pelo facto de ter percebido que é mesmo assim, que quem faz estas coisas nem pensa duas vezes no outro, só pensa no seu umbigo e isso é muito, muito triste.


Bestiary by Laura Ruby - ⭐⭐ (2,5)
A acção decorre num futuro que interpreto como próximo, em volta de uma vampira recém transformada que, não tendo um lugar a que chamar casa, acaba por "viver" num zoo que se debate com a falta de água.
Tenho sentimentos ambíguos em relação a este conto. Por um lado, os temas abordados são interessantes  e, com algum desenvolvimento, poderiam levar a algo muito, muito bom. Além disso, a relação que a personagem principal estabelece com os animais, a capacidade que tem de realmente comunicar com eles, leva-nos, face aos restantes acontecimentos, a pensar quem serão neste mundo as verdadeiras bestas. Com mais tempo (se não fosse um conto, portanto) a personagem principal podia revelar-se espectacular e acredito que os leitores se iriam ideintificar imenso com ela, seria um dos pontos fortes e centrais de uma boa distopia! Contudo, não há tempo. Mais uma vez, fica a sensação de pressa. Esta história tem princípio, o meio não tem o desenvolvimento que merecia e o fim foi alinhavado ali assim às três pancadas. A sério, se a autora pegar nisto como base para uma noveleta ou até algo maior, apontem o meu nome na lista de quem vai querer ler. Quero saber realmente como foi transformada, o que vai acontecer aos animais do zoo, o que vai acontecer aos cromos capitalistas, quero descobrir mais sobre a colega dela e as vidas de ambas.... Como está, soube a pouco e, por isso, não dou 3 estrelas.


Mirrors, Windows & Selfies by Mark Oshiro - ⭐⭐ (2,5)
Esta é a história de Cisco, um vampiro adolescente e latino-americano que nunca fez nada mais na vida senão fugir de um lado para o outro com uns pais para lá de protectores que não o deixam comunicar com ninguém e, misteriosamente, nem sequer o deixam ver-se ao espelho ou tirar selfies.
Sentindo-se muito só e isolado, a questão da sua aparência física torna-se quase uma obsessão - há algo de errado com a cara dele? Como é que ele é? Porque é que não o deixam conhecer o seu reflexo? - e é neste contexto que se decide a começar um blog no qual coloca os seus receios e pensamentos. É através deste blog que conhecemos toda a história e gostei deste aspecto, o autor não se limitou à narrativa corrida e, a meu ver, resultou bem.
Dei por mim a querer mesmo saber o que ia acontecer, como é que ele ia conseguir levar a cabo a tarefa de conhecer a sua própria imagem, a dizer-lhe "mas foge, não sejas parvo"... Gostei bastante mas não vi respostas nenhumas às minhas questões, não percebi porque é que os país do Cisco acham que têm que fugir, porque não o deixam ver-se ao espelho, afinal como é que ele é, se há mais como ele onde estão, como vivem e para onde vão? No final, não sei nada disto. Porquê? Mais uma vez, este conto parece, desta vez, o início de uma história maior. Tem tudo para ser uma õptima história mas falha enquanto conto.


The House of Black Sapphires by Dhonielle Clayton - ⭐⭐⭐⭐
Esta foi, sem dúvida, a minha história favorita de todo o livro. Adorei. Dos personagens, ao mistério que os envolve, ao ambiente e atmosfera... lindo! O fim não foi tão satisfatório, foi até algo abrupto mas este é outro conto que, espero sinceramente, possa ser aproveitado para algo maior.  Se soubesse que podia conhecer a história completa dava-lhe 5 estrelas sem exitar.
A narrativa apoia-se nos muitos de Nova Orleães e no folclore e voodoo haitianos. Pelas mãos de uma família de vampiras, somos levados a uma New Orleans alternativa embora muito semelhante à nossa. O aspecto mais especial e interessante está na familia em si, mulheres negras e super poderosas que gerem um boticário e que se vão mudando consoante a necessidade. Por motivos não muito claros, acabam por retornar à sua terra natal onde o seu poder e a sua condição de Eternas não é segredo. Contudo, o perigo espreita e a sua existência pode não ser assim tão eterna uma vez que aquela cidade é também o lar dos únicos seres capazes de as aniquilar, os Shadow Baron.


First Kill by V. E. Schwab - ⭐⭐⭐ 
Bem, estou à espera de poder ver o todo desta história uma vez que a autora já confirmou que isto foi apenas a introdução. E é precisamente por isso que a história perde, o conto limita-se a seguir a vida das duas protagonistas durante 2 dias. Ambas são lésbicas mas uma é vampira (condição de família) e a outra é caçadora de seres sobrenaturais como todos os membros da sua família. Gostei bastante das personagens e do entorno mas acabou por saber a muito pouco, sendo um desenrolar muito lento para um conto e o leitor percebe claramente que aquele é o início de algo maior.





Como podem ver, a constante neste livro foi  um sentimento de que ali faltava algo e que a história não era apenas aquilo. É realmente uma pena porque, ao ver os nomes dos autores, esperava muito mais desta antologia. Gostei da diversidade de temas e do modo pouco habitual como os vampiros são retratados mas... soube a pouco. No geral, são duas estrelas para o livro no seu todo.
Tenho que fazer uma pesquisa para tentar perceber se, de facto, mais autores confirmam que este é o ponto de partida para algo mais. Se assim for, vou  querer ler alguns livros no futuro.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Direitos de Sangue

Título: Direitos de Sangue
Saga/ Série: A Casa das Comerré
Autor: Kristen Painter
Tradução: Elsa T. S. Vieira
Edição: Edições Asa
Nº de páginas: 367
ISBN: 9789892321639

Chrisabelle esconde no corpo as marcas douradas e os segredos das comarré - uma raça especial de humanos criada para alimentar a elite de vampiros nobres com o seu sangue rico e poderoso. O destino dela está traçado desde sempre: servir incondicionalmente o seu patrono. Mas quando este é assassinado, a vida de Chrysabelle muda por completo. Finalmente pode ser livre, um sonho que nunca se permitira ter e que depressa se transforma num pesadelo. Ela é a principal suspeita do crime e do roubo de um anel mágico. O anel que a ambiciosa Tatiana está decidida a recuperar, custe o que custar. Chrysabelle atravessa o Atlântico para provar a sua inocência, e nesta demanda o seu caminho cruza-se com o de Malkolm, um poderoso e irresistível vampiro que foi renegado e alvo de uma maldição. Ambos tentam combater a inegável atração que os une. Mas o tempo urge. Ambos têm de unir esforços para travar os planos de Tatiana, que pretende acabar com o mundo tal como eles o conhecem e fundar um reino de trevas. Direitos de Sangue é o primeiro volume da série Casa das Comarré e um best-seller internacional.

Ler primeiras páginas aqui

Aquilo que me levou à leitura deste livro foi uma amálgama de coisas, às vezes completamente contrárias entre si. Gostei imenso da capa logo na primeira vez que vi a imagem. Depois, olhei para o aglomerado de informação que a sobrecarrega e franzi o sobrolho, normalmente quando dizem que os fãs de autor X ou Y estavam à espera de determinado livro o resultado não é o melhor. Procurei informações no goodreads e rapidamente percebi que é um daqueles livros que ou se adora ou se odeia. Nada de bom...  Finalmente, no passado sábado, na página de livros do Jornal i, vinha este título dado com "Reprovado". E porquê? Por causa da capa. Aparentemente, quem se dedica à secção de livros do jornal nem leu o livro mas olhou para a capa e decidiu logo que a coisa não prestava. Foi quanto bastou para o começar a ler de seguida. Tenho certa alergia às opiniões literárias dos jornais e revistas especializadas do género, são todas tão intelectuais, tão analíticas, tão contra aquilo que as pessoas normais costumam ler... e, ainda por cima, nesta situação, nem crítica havia!! 

Enfim, considerações à parte confesso que tenho uma certa dificuldade em classificar este livro. Não sei se será a melhor analogia, ou se todos a vão compreender, mas é como se a Buffy, a Mercy e a Sookie se encontrassem com um misto de Edward e Mr. Hide no Paço dos SaDiablo. Estranhamente, a coisa até acaba por resultar bem. Não achei uma grande revolução no mundo da literatura sobre vampiros nem uma obra de arte mas gostei bastante desta leitura (devo ser das poucas pessoas que têm meio-termo em relação a este título...!!!). As personagens principais são as típicas do romance paranoral e não têm a profundidade que a história pedia, apesar de haver alguns aspectos que me fazem pensar que este ponto pode sofrer alterações em volumes futuros e pode haver uma evolução positiva (afinal, este é um volume introdutório). Já as personagens secundárias são quase as típicas personagem-tipo e não dão sinais de grande evolução. 

A escrita é muito simples e fluída e a trama é muito previsível e estereotipada  - um crime; uma menina mimada injustamente acusada; um vampiro mauzão que, por qualquer motivo, não lhe enfia os dentes no pescoço; tensão sexual a rodos; um rapto e consecutiva missão de salvamento - mas de algum modo acabamos por nos ver presos à história. Além disso, há o "twist revelação" final e a autora perde o seu tempo para nos contar histórias paralelas e o passado dos personagens. Longe de ser um aspecto negativo, este introduzir de informação acaba por surgir de forma natural e serve não só para o leitor conhecer um pouco melhor os protagonistas e seus acompanhantes mas também para deixar algumas coisas a pairar no ar e despertar curiosidade para os futuros volumes da saga.

Apesar de a considerar uma boa leitura para aqueles dias em que não se quer ler nada muito maçudo, em que o que apetece é descontrair há um lado deste livro que parece mais complexo e que, por acaso, foi aquele que mais me agradou. O ambiente gótico e o mundo sobrenatural que a autora criou tem aspectos bastante originais e que cativam. As comarré  com os seus corpos dourados pelo ouro com que se marcam e o cheiro irresistível que acaba por lhes proporcionar uma vida longa mas pejada de segredos e mistérios. As famílias de vampiros nobres e a hierarquia dentro desta espécie. Os  Castus Sanguis, anjos caídos, antepassados dos vampiros  cujo nome muitos têm medo de pronunciar tal é a maldade que lhes consome a alma. Tudo isto compõe um mundo negro e misterioso em que uma guerra está prestes a começar e nada parece ser aquilo que parece (uma redundância estranha mas verdadeira.). Espero que a autora continue a explorar estes aspectos e não dê uma excessiva importância à relação amorosa e sexual dos protagonistas pois a saga tem potencial para crescer e se tornar numa das preferidas tanto dos ("novos") fãs de vampiros com dos de fantasia urbana.

7/10

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A Sociedade do Sangue

Titulo: A Sociedade do Sangue
Autor: Susan Hubbard
Tradução: Marta Mendonça
Edição: Ed.Presença
Nº de páginas: 288

"Aos doze anos Ariella nunca tinha frequentado a escola, vivia numa grande casa vitoriana, em Saratoga Springs. O pai ensinava-lhe pessoalmente as matérias que considerava importantes. Ariella tinha consciência da sua diferença em relação às outras crianças da sua idade... E quando fazia perguntas sobre a mãe, os esclarecimentos não iam muito além do facto de esta ter «desaparecido» no dia em que Ariella nascera. A ordem estática e rigorosa que regia a sua vida começou a alterar-se quando Dennis, o cientista assistente do laboratório que o pai tinha na cave, começou a insistir para que a deixasse pacear e fazer exercicio para fortalecer o seu sistema imunitário, e quando a Mrs. Garrit, a cozinheira, se propôs levar Ariella de visita á sua própria casa onde reinava uma alegre desordem, alegando que ela estava a ser superprotegida. Ariella acaba por compreender que o seu pai é um vampiro e, após um trágico incidente, parte sozinha numa longa viagem em busca da mãe e da sua própria identidade. Uma história surpreendente e cheia de divertidas surpresas, escrita com arte e estilo, que vem dar vida às novas gerações de vampiros do imaginário colectivo do século XXI e á sua difícil convivência com a sociedade humana."
Está disponível a partir de hoje, dia 3 de Novembro, mais um livro que vem integrar a Colecção Via Láctea da Editorial Presença. A Sociedade do Sangue fala-nos sobretudo de uma vida familiar misteriosa e complicada. A narrativa na primeira pessoa aproxima-nos da personagem principal, Ariella, das suas duvidas, dos seus medos e sentimentos e dos mistérios que a rodeiam. É na sua vida que toda a história se foca e é também por causa desta que reflectimos sobre o isolamento, o ser-se isolado do mundo, forçado a crescer sem amigos e sem grandes contactos pessoais, o que invariavelmente vai transformar a personagem em alguém muito fora do comum.
A escrita é simples e sem floreados, a narrativa está bem estruturada e a história conseguiu prender-me bastante o que contribuiu para uma leitura muito agradável que se prolongou pela noite dentro.
Convém referir que os vampiros nesta obra não são propriamente os tradicionais mas também não são como os personagens de Crepúsculo. Pode dizer-se que são bastante humanos... Talvez, não vá muito de encontro aos leitores que gostam mais dos contos de vampiros mais tradicionais mas enquanto fã de "uma boa dentada" posso dizer que gostei bastante e que, na minha opinião, a obra agradará à grande maioria de fãs do estilo.
Não posso deixar de apontar o ponto negativo deste livro. Os erros são praticamente inexistentes e a tradução não está mal mas já no final do livro os nomes das cidades onde a narrativa tem lugar são trocados algumas vezes o que confunde um bocado o leitor mais desatento e corta o ritmo de leitura a um mais dedicado. Enfim, não há nada mais a apontar apenas este pormenor que poderá ser corrigido numa futura edição.
7/10

sábado, 4 de julho de 2009

Amanhecer

Título: Amanhecer
Autor: Stephenie Meyer
Editora: Gailivro
Tradução: Maria Peres
Nº de Páginas:756


"A escolha eminente entre ingressar num mundo tenebroso mas sedutor dos imortais, ou prosseguir uma existência inteiramente humana é o fio do qual se suspendem os destinos dos dois clãs. Agora que Bella já tomou uma decisão, uma cadeia perturbante de acontecimentos sem precedentes está prestes a desenrolar-se, antevendo efeitos potencialmente devastadores e incomensuráveis. Quando os fragmentos corroídos da sua vida ─ inicialmente desvendada em Crepúsculo, e, depois, estilhaçada e dilacerada em Lua Nova e Eclipse ─ parecem prestes a sarar e a unir-se num todo, será que irão terminar destruídos…para sempre?"

Em Portugal estivemos quase um ano à espera de poder ler a conclusão (ou não) da saga Luz e Escuridão e no final a coisa não se revelou tão entusiasmante como estava à espera. Ao longo da espera tentei não receber muita informação relativamente a este quarto volume, de maneira a poder contar com o efeito surpresa na hora da leitura e, talvez por isso, fui surpreendida diversas vezes e até gostei bastante do livro mas... Mas não gostei tanto como dos volumes anteriores. Este livro está dividido em 3 partes, a primeira e a última narradas por Bella e a segunda parte narrada por Jacob. A história é bastante interessante nas duas primeiras partes da narrativa mas após esta fase tive a sensação de que a autora estava a "encher chouriços" de uma forma mais de que evidente. Isto para não falar do já habitual anti-climax, isto é, quando esperamos acção, uma batalha ou algo mais emocionante no final de cada volume nunca acontece nada. Desta vez estava eminente uma batalha histórica, algo em grande, e para não variar...os Cullen safam-se e não acontece nada!!! É frustrante. Outro ponto negativo é Bella. Esta sempre foi uma humana um bocado parvinha, que não toma decisões e não impõe a sua vontade acabando sempre por fazer aquilo que o elemento masculino mais próximo quer. Agora que se tornou vampira continua com a sua aura de boazinha, a fazer o que lhe mandam e, pior ainda, de controlada. Bella não tem problema nenhum ao tornar-se imortal, consegue fazer sem esforço aquilo que os demais personagens demoraram décadas a conseguir - controlar a sede. Enfim, é uma sonsa perfeita...

Pontos positivos são o facto de ficarmos a conhecer melhor algumas das histórias pessoais dos personagens que nos acompanham desde o início e o aparecimento de novos personagens que abrem (à autora e à nossa imaginação) um sem número de possibilidades. Gostei muito da Rosalie neste livro mas a minha personagem preferida continua a ser a Alice (deve ser por causa do gosto por roupas e maquilhagens...!!) mas o que mais me agradou foi mesmo a narrativa de Jacob. Acho que a autora consegue um trabalho muito melhor e uma leitura mais empolgante quando a narrativa é feita por outro personagem que não Bella - bom exemplo disso é o Midnightsun. Gosto de ver esta história pelos olhos de outros personagens, é mais interessante.

Recomendo apenas aqueles que já leram os demais volumes e não querem ficar sem saber o final (que obviamente é deixado em aberto) desta verdadeira saga de sucesso. Se puderem leiam em inglês porque a tradução continua, no mínimo, estranha.

6/10