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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Voo do Corvo

Título: O Voo do Corvo
Série/Saga:  Shadowfell (Shadowfell, #2)
Autor: Juliet Marillier
Edição: Planeta
Tradução: Catarina F. Almeida
ISBN: 9789896574505
Nº de páginas: 400


"Depois de concluir a sua longa e árdua viagem até à base dos Rebeldes em Shadowfell, Neryn tornou-se uma parte vital da rebelião contra o tirânico rei Keldec. Cada passo que dá no sentido de aperfeiçoar os seus dons e afirmar-se como uma Voz poderosa e única na sua geração leva-os mais perto da meta pretendida. Mas, primeiro, Neryn terá de procurar os Guardiães das quatro Vigias para completar o seu treino e o tempo escasseia. Entretanto, Flint, o espião rebelde por quem se apaixonou, foi de novo chamado à corte de Keldec. O laço que os une é tão forte que, mesmo à distância, se procuram em sonhos, partilhando momentos preciosos - ainda que inquietantes - da vida um do outro. 

Os Rebeldes vêem com desconfiança este novo amor. Permitir que a emoção se sobreponha à lógica fria do movimento pode pôr tudo em risco. No fim, o amor poderá revelar-se a força motriz da esperança ou a brecha traiçoeira na armadura da rebelião."


Lembro-me de ter pensado, quando li o primeiro volume de Shadowfell (no final de 2012), que no meu entender, Juliet Marillier estava a caminhar a passos largos para a redenção. Depois de nos ter contado algumas histórias com uma voz que só vagamente tinha algumas semelhanças àquela a que há tantos anos nos vinha habituando, quer-me parecer que a autora reencontrou o seu caminho. Esta série parece-se muito mais com aquelas aventuras e mistérios em Sevenwaters, por exemplo, do que seria de esperar.

Não posso dizer que este segundo volume tenha sido tão cativante como a anterior. Apesar de algumas surpresas e de no final conseguirmos compreender que a protagonista, de facto, evoluiu muito a vários níveis ao longo deste livro, muitas vezes o ritmo da narrativa era tão lento, ou tão acelerado que ficava com a sensação de que não estava a acontecer nada ou de que tudo estava a acontecer de repente quando na verdade se passava precisamente o contrário. Não sei se me fiz entender... O ritmo da narrativa e aquilo que era narrado nem sempre coincidiam, houve alguma falta de harmonia a esse nível. 

Apesar de tudo, a autora consegue redimir-se com a história em si (que graças aos deuses não tem um daqueles amores melosos a interferir), com alguns dos seus personagens e sobretudo com as descrições. Com um ambiente medieval como pano de fundo, as descrições que nos são oferecidas são qualquer coisa de delicioso. Não foram poucas as vezes que consegui estar numa ilha verde no meio de um oceano, ouvindo as gaivotas à minha volta; ou que dei por mim no cimo de uma montanha com a floresta a rodear-me. 
No que aos personagens diz respeito, penso seriamente que Neryn, a personagem principal, é a mais fraca das criações de Marillier para este livro. Tem falta de confiança, é muito ingénua e, por vezes, chega a ser sonsa. Irrita um bocado o leitor que está à espera  de mais da suposta salvadora da nação. Os personagens secundários são muito mais complexos, mais misteriosos, menos sonsos e trazem-nos muito mais surpresas que esta jovenzinha. Gostei especialmente desta nova Tali, tal como dos gémeos.

Uma das características que voltámos a ver muito presente, tanto de forma directa como de forma indirecta, nesta nova narrativa é a eterna dualidade entre o bem e o mal, esperança e desespero... É, na verdade, uma constante em quase todos os livros da autora. Neste volume em específico, há uma oposição permanente entre forças opostas mas também um equilíbrio que se encontra quase sempre em "locais" inusitados - sejam eles lugares físicos, os corações de alguns intervenientes na trama ou, até, um casal real e a sua guarda.

Não posso dizer muito mais sem cair em spoilers (e isso é coisa que ninguém quer) e, na verdade, é muito complicado falar deste livro sem falar da história em si. Apenas posso dizer que o final, apesar de previsível em muitos aspectos, trouxe uma ou duas surpresas que me deixaram com imensa vontade de ler o próximo livro (sai em Julho na versão original) e saber como as coisas podem evoluir a partir deste ponto. Gostei de voltar a "ter um cheirinho" da minha velha Juliet Marillier.

7/10

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Finalmente, vem aí mais Flávia De Luce



Tanto quanto consegui saber, é já no próximo dia 23 (já falta pouco, 3 dias não são nada!!) que vamos poder ler a versão portuguesa do 3º volume das aventuras de Flávia De Luce. Enquanto o dia não chega, deixo-vos a capa e a sinopse.

Sinopse: "A história deste terceiro livro começa com um crime antigo, que nunca foi considerado como tal e um novo, o que leva Flavia a conseguir interligar os dois.
Durante a quermesse de Bishop’s Lacey, Flavia pediu a uma cigana que lhe lesse a sina, mas não estava à espera de, horas mais tarde, já de madrugada, ir encontrar a pobre mulher mergulhada numa poça de sangue no interior da sua caravana.
Teria sido um acto de vingança, perpetrado por algum habitante da terra, convencido de que, anos antes, a cigana raptara e levara consigo uma criança da aldeia?
Flavia é menina para compreender bem o doce sabor da retaliação; com efeito, a vingança é um passatempo com que não pode deixar de se deliciar quem tem duas irmãs mais velhas, ambas odiosas. Mas qual será a relação entre este crime e a criança desaparecida?
À medida que as pistas se vão acumulando, Flavia terá de as analisar com todo o cuidado, a fim de desembaraçar uns dos outros os fios negros de actos e segredos do passado."


Scarlet

Título: Scarlet
Série/Saga: Lunar Chronicles (Lunar Chronicles, #2)
Autor: Marissa Meyer
Edição: Planeta
Tradução: Victor Antunes
ISBN: 9789896574123
Nº de páginas: 384

"Cinder elabora um plano para fugir da prisão e, se for bem-sucedida, irá tornar-se a fugitiva mais procurada da Comunidade. Do outro lado do mundo, a avó de Scarlet Benoit desapareceu. Scarlet entra em pânico e, na sua busca, acaba por descobrir que existem muitas coisas sobre a avó que desconhece, assim como ignorava o grave perigo que correu toda a vida. Quando Scarlet encontra Wolf, um lutador de rua que poderá ter informações sobre o paradeiro da avó, sente-se relutante em confiar nele, mas ao mesmo tempo sente-se inexplicavelmente atraída. Scarlet e Wolf tentam desvendar o mistério do desaparecimento da avó, mas deparam-se com outro quando encontram Cinder. Além de todos os problemas em que estão mergulhados, ainda terão de antecipar os passos da maléfica rainha Levana, que fará qualquer coisa para que o belo príncipe Kai se torne seu marido, seu rei, seu prisioneiro."

Scarlet foi a primeira leitura do ano (pois, eu sei... lá se vai a intenção de início de ano de trazer as coisas em dia aqui por estes lados!) e, embora não tenha sido aquilo que eu esperava, também não foi uma má leitura. Regra geral os segundos volumes das trilogias ou sagas são algo mais fracos que os seus antecessores e, muitas vezes, que aqueles que se lhes seguem. Esta premissa é verdadeira para estas Crónicas Lunares. Já sabia que iam ser introduzidas novas personagens (ou nem tanto porque já tinha lido uma pequena história que antecede este volume - Queen's Army - e que me tinha despertado o apetite) mas esperava ver mais de Cinder.

Scarlet é uma jovem que vive cuja avó desaparece sem deixar rasto. Tendo sido abandonada e ignorada pelos país, a avó é tudo o que lhe resta e ela tem a certeza absoluta que a velha senhora não viria as costas de livre vontade deixando-a sozinha, entregue a si mesma. Até aqui a coisa até tem lógica mas depois a rapariga conhece um rapaz mais velho, com ar perigoso e decide que ele é de confiança e que a pode ajudar (what?? Really??). Ou seja, o nascer e desenvolver da situação pareceu-me algo forçado. As coisa podiam ter igualmente acontecido e ter sido usada a lógica para fazer tudo bater certo. Como é óbvio, o rapaz não é o que parece e as coisas tomam um rumo que não o esperado (o esperado por ela, entenda-se!). 
Outra coisa que me deixou um bocado com os nervos em franja foi a personalidade de Scarlet. Não sendo bipolar a rapariga é um bastante inconstante. Há momentos deliciosos em que ela é mesmo bad ass, em que é capaz e controla as situações sem precisar de ajuda alheia e depois, de repente e sem aviso prévio, perde toda esta faceta e é apenas uma miúda naif que não sabe para que lado se há-de virar e confia em toda a gente. Isto foi um bocado frustrante porque quando já gostas da personagem e pensas que sabes como ela irá reagir... ela muda completamente para uma sonsa irritante!!

A meio da narrativa, as coisas começam a mudar e a "imagem maior" começa a surgir e a delinear-se. Apesar de afastadas por milhares de quilómetros e de nunca se terem sequer visto, os destinos de Cinder e Scarlet estão entrelaçados. Neste aspecto apenas posso dizer que houve aspectos que foram uma verdadeira surpresa mas que houve muitos mais que achei muito previsíveis. Ainda assim, a previsibilidade não lhes retira o prazer de ler e não nos retira a vontade de saber o que vem a seguir para aqueles personagens. Fiquei de facto curiosa e com muita vontade de ler o Cress.

Das coisas que mais gostei foi a intriga política, as maquinações da rainha Levana para conseguir vir a governar a terra com o mesmo sistema de terror que conseguiu instituir na Lua (aquela bruxa malvada não desiste mesmo!! Com ela vale tudo). A incapacidade do príncipe Kai para lidar com os média e com a opinião pública quando estala o debate por causa da presença de uma cyborg no baile de gala. E se aí ele já não conseguia gerir bem as coisas, podem imaginar o que acontece quando Cinder se avade e Levana faz exigências descabidas...! Todas estas mudanças nos vão levar de Nova Pequim a Paris, passando por pequenas cidades e grandes herdades no countryside francês e as descrições dos vários ambientes são outro dos pontos altos deste livro. 

Em resumo, o livro não é mau mas não é tão bom como o anterior. A narrativa é muito previsível em muitos aspectos mas isso acaba por não retirar o mistério final e a vontade do leitor de saber o que vem depois. Lê-se bem e rápido pela fluidez da escrita e pelo vocabulário fácil. O melhor são a intriga e as descrições ao nível dos cenários.
Recomendo a quem gostou do volume anterior e quer saber mais quanto ao destino de Cinder.

6/10


PS: Continuo sem conseguir imaginar os personagens orientais como tal mas... isso é um problema meu, penso.   

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A Cidade dos Ossos

Título: Cidade dos Ossos
Série/Saga: The Mortal Instruments (The Mortal Instruments,#1)
Autor: Cassandra Clare
Edição: Planeta
ISBN: 9789896570231
Nº de páginas: 415


"No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens.

Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota..."


Esta é uma série que tem feito enorme sucesso, não apenas entre os mais novos mas também no seio de um público algo mais adulto. Talvez não tenha sido muito boa ideia ter lido opiniões de outras pessoas antes de ler os livros... A verdade é que isso me fez ter expectativas muito altas em relação aos livros e pode ter prejudicado a minha opinião sobre este primeiro volume.  

Devo dizer que a leitura é muito fácil, porque a linguagem e a profundidade da narrativa assim a tornam, e que a história tem sempre um ou outro elemento que nos desperta a curiosidade mas não me satisfez de todo. Há simplesmente muitas coisas que não encaixam ou que mereciam ser diferentes a começar na explicação deste mundo criado pela autora. No final do livro as coisas já são algo mais claras mas até quase metade do mesmo é como se tivéssemos sido atirados aos leões e não percebemos muito bem como nem por quem. As explicações tornam-se mais numerosas e completas a partir de determinado ponto da narrativa mas até lá a leitura é algo confusa. Suponho que, sendo uma saga, as coisas se vão tornando cada vez mais claras ao longo dos livros posteriores.

As personagens foram, para mim, o maior dos problemas. São extremamente estereotipadas e têm comportamentos e reacções muito pouco justificados e justificáveis. A Clary, por exemplo (é a personagem principal). O modo como ela se junta aos Caçadores de Sombras é tudo menos plausível, juro que me fez lembrar aqueles antigos anúncios dos detergentes em que um desconhecido aparecia, vindo do nada, na cozinha e a dona de casa aceitava logo e sem hesitações, ir com ele para dentro dos lençóis (literalmente. Não sei se se lembram disso mas cada vez que passava um anúncio desse género eu ficava, na inocência infantil característica da idade, a matutar na estupidez da situação)!! Isto para já não falar da maneira como todos os seus problemas se parecem resolver como que por magia, do modo que a ela lhe dá mais jeito (really?!?). Neste ponto (o dos personagens) há de todo o que é estereótipo desde a menina crédula; passando pelo "cara de anjo" revoltado e com a mania que é mau; continuando com a boazona fútil que não tem pejo em brincar com os sentimentos dos outros; a acabar no melhor amigo que está caidinho pela protagonista que nem sequer nota. Por favor!! Até os vilões são estereótipos pouco profundos daqueles que somos capazes de encontrar em qualquer lado. Claro que isto tudo faz com que me tivesse limitado a viajar pela história sem que fosse incapaz de me ligar a qualquer personagem. Detesto quando isso acontece.

O final tem ali uma reviravolta que poderia ter sido interessante se eu não tivesse adivinhado a coisa antes. Não sei o que me fez pensar naquela hipótese mas a verdade é que a ideia nasceu e foi ganhando raízes e, no final, acabou por se confirmar. Enfim, nem o final à la Eça me satisfez...!! As melhores cenas acabam por ser mesmo as descrições das lutas e de alguns cenários (não todos).

Concluindo (e porque não quero entrar por aqui em muitos spoillers - porque havia muito mais queixas a fazer!!) foi uma leitura rápida e que deu para me entreter numa tarde de fim de semana mas que esteve bastante longe de me encher as medidas. Compreendo perfeitamente que o humor e a linguagem consigam cativar um leitor mais jovem a quem, na realidade, o livro se dirige e espero sinceramente que as coisas vão melhorando ao longo dos volumes posteriores. Por ser uma saga que tem imensos fãs e da qual a maioria das pessoas fala muito bem, por este ser apenas o primeiro volume, talvez lhe dê uma nova oportunidade (vocês sabem que eu não sou de desistir assim ao primeiro volume) mas já não vou com grandes esperanças.

4,5/10

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Destinos Interrompidos

Título: Destinos Interrompidos
Série/Saga: Starters and Enders, #1
Autor: Lissa Price
Edição: Planeta
ISBN: 9789896573577
Nº de páginas: 352

"Callie tem dezasseis anos e vive com Tyler, o irmão mais novo, e Michael, um amigo, nos escombros da cidade de Los Angeles. Quando as Guerras dos Esporos rebentaram, matando todos aqueles que tinham mais de vinte anos e menos de sessenta, Callie perdeu os pais. Como muitos outros Iniciantes, teve de aprender a sobreviver, ocupando prédios desabitados, roubando água e alimentos, fugindo aos Inspectores e combatendo os Renegados. Para tirar Tyler das ruas e garantir ao irmão uma vida melhor, Callie só vê uma solução: oferecer a sua juventude à Destinos Primordiais, uma empresa misteriosa que aluga corpos adolescentes aos velhos Terminantes - seniores, com centenas de anos, que querem ser jovens outra vez. Tudo corre como previsto, até o neurochip que lhe colocaram na cabeça avariar. Callie acorda, de súbito, na vida da sua locatária, a viver numa luxuosa mansão, a guiar carros topo de gama e a sair com o neto de um senador. A vida quase parece um conto de fadas, até Callie descobrir que a sua locatária não quer apenas divertir-se e que, no mundo perverso da Destinos Primordiais, a sobrevivência é apenas o começo."

Não quero começar sem antes deixar bem claro que a leitura deste livro foi agradável e que pretendo ler o segundo volume - segundo a autora há um segundo volume e já está em fase de escrita. Ainda assim, há muitos pontos que, em minha opinião, não são muito positivos ou que precisavam de esclarecimento. 

Num futuro não muito distante há uma guerra - a Guerra dos Esporos - e (pelo menos nos Estados Unidos) há ataques com armas químicas. A estes ataques apenas sobrevivem os jovens até aos 16 anos (se não estou em erro) e os idosos. Ora bem, é já aqui que a coisa começa a azedar... A premissa do livro é boa, muito boa até. Uma guerra química que dizima grande parte da humanidade. Contudo, não nos é explicado que raio de guerra foi aquela, quais os factores que a ela conduziram, quem bombardeou quem. Pior ainda, é-nos dado a entender que o pai da protagonista é um cientista importante que pode descobrir a cura para a doença dos esporos mas isto não o salva, ao que parece ter a cura para salvar a humanidade não é motivo suficiente para vacinar uma equipa de cientistas (W.T.F!! Tão afinal quem é que merece a porcaria da vacina? Os velhotes todos e os putos que depois ficam todos orfãos?!? Tão e as criancinhas de colo com quem ficam? Mas isto é a vacina da gripe ou quê?!?). Os resultados deste programa  de vacinação são, portanto, desastrosos acabando por ficar a Terra entregue aos idosos e aos muitos e muito jovens órfãos (tão e no governo ninguém se lembrou disto? Ah, cabecinhas de ar condicionado....      Só eu é que acho esta cena muito estranha e "sem pés nem cabeça"?! OMG para onde caminha este mundo?!?).

A grande maioria dos sobreviventes são, então, orfãos que não têm quem os proteja e se vêm abusados e escravizados pelos Terminantes (que é o nome que se dá aos idosos já entrados nos 100) que têm uma boa e prolongadissima vida. Enquanto os Iniciantes (os miúdos) fogem e se escondem como podem, os Terminantes seguem com as suas vidas normais gozando do fausto e da riqueza que foram adquirindo ao longo dos anos. Viver tantos anos trás as suas maleitas e os seus aborrecimentos e com o dinheiro que possuem os Terminantes procuram novas formas de distracção e de alcançar o prazer. Ora, o lugar ideal para o fazerem é na Destinos Primordiais (raio de nome!!) onde se pode alugar o corpo de um jovem e viver durante uns tempos como bem nos apetecer (um pouco como aquele novo filme que anda agora ai na moda, o RPG ou lá o que é). É aqui que entra a Callie. Sozinha há dois anos (sim, a guerra só foi há dois anos e os cromos dos cotas já nem se preocupam com nada, é só farra e diversão e compras em lojas caras e fingir que não aconteceu nada) com um irmão doente a rapariga tem que fazer alguma coisa. Acaba por deixá-lo aos cuidados de um amigo e vender-se à Destinos Primordiais. E a acção começa...

Acontece que o raio da acção, os personagens e todo o mundo estão criados em função do personagem de Callie. Na verdade, tenho as minhas dúvidas que a história, com os seus personagens fracos e estereotipados e com todo o world builder por explicar, se aguentasse sem a personagem principal. E esta personagem nem é excepcionalmente boa. É verdade que vai evoluindo ligeiramente ao longo da narrativa e que não é nenhum bebé chorão mas ainda assim construir uma narrativa toda à volta dela e daquilo que ela faz ou quer...!!! Nem sequer há grande desenvolvimento de histórias paralelas (bem, não há histórias paralelas para ser mais precisa) que possam sustentar a narrativa e o seu universo sem a Callie. E depois há o triângulo (mais a dar para o quadrado) amoroso muito fraquinho e sensaborão (e por falar nisso, para onde raios foi o último vértice sem dizer nada a ninguém? Grande maneira de despachar um personagem...). Até eu que não sou nada dada a estas coisas dos amores achei a situação má e mal explicada. Nem vou adiantar mais porque a cena é tão previsível que logo às 20 páginas do livro o leitor percebe só que, ao contrário do esperado, as coisas não aquecem muito mais que aquilo!!!

Concluindo, tirando esta mistela mal explicada e uma belíssima ideia de fundo o que dá ao leitor vontade de continuar a ler o livro é a fluidez e clareza da escrita de Lissa Price, aliada às descrições que achei muito vividas. Já ao nível da narrativa temos o mistério despertado pela locatária de Callie e por um personagem do qual não posso falar sem "spoilar" muito e, claro está, o twist final. Esta foi a única parte do livro de que gostei verdadeiramente pelo simples facto de me ter conseguido surpreender, o final. Penso que foi por causa dele que decidi que daria outra oportunidade à autora.

Embora a mim não me tenha agradado sobremaneira (há por ai distopias muito melhores mas também as há piores...!!) reconheço que para o público alvo, para a malta mais adolescente e que começa a mergulhar agora nos mundos distópicos, pode sem grandes dificuldades ser um grande livro. Quem quer algo mais de um livro, algo menos previsível e melhor explicado... deve procurar noutro lado, pese embora a leitura tenha sido agradável.
5/10

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Vidente de Sevenwaters

Título: A Vidente de Sevenwaters
Autor: Juliet Marillier
Tradução: Catarina F. Almeida
Edição: Planeta
Nº de páginas: 413

"Sibeal sempre soube que estava destinada a uma vida espiritual e entregou-se de corpo e alma à sua vocação. Antes de cumprir os últimos votos para se tornar uma druidesa, Ciarán, o seu mestre, envia-a numa viagem de recreio à ilha de Inis Eala, para passar o Verão com as irmãs, Muirrin e Clodagh.
Sibeal ainda mal chegou a Inis Eala, quando uma insólita tempestade rebenta no mar, afundando um barco nórdico mesmo diante dos seus olhos. Apesar dos esforços, apenas dois sobreviventes são recolhidos da água. O dom da Visão conduz Sibeal ao terceiro náufrago, um homem a quem dá o nome de Ardal e cuja vida se sustém por um fio. Enquanto Ardal trava a sua dura batalha com a morte, um laço capaz de desafiar todas as convenções forma-se entre Sibeal e o jovem desconhecido.
A comunidade da ilha suspeita que algo de errado se passa com os três náufragos. A bela Svala é muda e perturbada. O vigoroso guerreiro Knut parece ter vergonha da sua enlutada mulher.
E Ardal tem um segredo de que não consegue lembrar-se - ou prefere não contar. Quando a incrível verdade vem à superfície, Sibeal vê-se envolvida numa perigosa demanda.
O desafio será uma viagem às profundezas do saber druídico, mas, também, aos abismos insondáveis do crescimento e da paixão. No fim, Sibeal terá de escolher - e essa escolha mudará a sua vida para sempre."

Penso que para qualquer fã de Juliet Marillier a trilogia original de Sevenwaters foi o ponto alto da escrita da autora. Havia algo naquelas narrativas que nos tocava, que nos deixava acordados até altas horas na expectativa… Apesar de os livros da autora se continuarem a basear nas lendas nórdicas e celtas, penso que o nível das mesmas decaiu e não estou certa de que esta segunda trilogia de Sevenwaters (imposta à autora pelos seus editores) tenha sido uma boa aposta no que respeita à autora, à sua criatividade e até ao que respeita em manter os fãs contentes e ansiosos pela saída de um novo título. Sevenwaters eram a Sorcha e os seus irmãos, a floresta e os seres mágicos que a habitam e, por muita curiosidade que tivesse em seguir os descendentes dos personagens originais não me parece que o resultado conseguido tenha sido o melhor ou mesmo o esperado pelos leitores quando foi anunciado o regresso àquelas paragens.
Não quero com isto dizer que não gostei do livro. Apenas não posso dizer que gostei muito, não me encheu as medidas como era hábito acontecer com esta autora.

Ainda que a narrativa seja feita a duas vozes, a estória centra-se em Sibeal, jovem filha de Sean de Sevenwaters, que cedo descobre a sua vocação e se dedica aos estudos para poder ser druidesa. Antes de proferir os seus votos, Ciarán, o seu mentor, envia-a para Inis Eala deixando-a sem compreender bem a necessidade de ir passar o verão com as irmãs. Como não podia deixar de ser, há um rapaz que desperta em Sibeal sentimentos que ela pensava não lhe estarem reservados e a fazem duvidar de tudo. E aqui devo acrescentar que a visão redutora e até algo machista de que uma mulher para se sentir completa tem que ser esposa e mãe me desagradou sobremaneira. Sei que a narrativa se passa numa época medieval e etc mas o martelar constante nesta ideia era completamente escusado, a não ser que haja por parte de alguém uma tentativa de convencer do mesmo as supostas ”jovenzinhas inocentes” que irão ler o livro. O que, obviamente, também seria de condenar, a meu ver.

O leitor habitual já sabe o que o espera e não se chateia com o romance nem tão pouco com o facto de o final ser completamente previsível, o que desagrada é o facto de a estória de amor não ter a magia esperada, ser desenxabida e rematada de forma algo abrupta (coisa que já tinha acontecido num anterior título da autora). Para além de não haver quase nada mais além da dita relação amorosa e das dúvidas que assaltam a personagem principal. A trama secundária até poderia ser muito mais interessante se fosse mais desenvolvida e o livro só tinha a ganhar com isso mas… não foi o que aconteceu. Até mais de metade do livro não acontece nada, ou tudo acontece muito devagar, e na recta final acontece tudo depressa demais e sem grande espalhafato. Isto é, no final da narrativa os personagens partem numa demanda perigosíssima (apesar de algo mal fundamentada) e, supostamente, cheia de obstáculos, depois da qual terão que enfrentar uma também perigosa viagem de retorno a casa. No entanto, o que nos é rapidamente relatado não é nada disso e deixa um “amargo de boca” que só visto.

Conclusão, deixou muito a desejar e caso venha a ler o terceiro volume será apenas para fechar um ciclo e não pelo prazer que a escrita desta autora já foi, um dia, capaz de me proporcionar.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Vingança em Sevilha" Matilde Asensi - Novidade Planeta

Está já disponível em Portugal, com chancela da Planeta, "Vingança em Sevilha" o novo romance de Matilde Asensi,a autora de "O Último Cantão".

Sinopse:
"Sevilha 1600
Uma Cidade, uma familia e uma dívida por saldar.

Catalina Solís usando o charme e a astúcia levará a cabo a sua grande vingança, numa das cidades mais ricas e importantes do mundo, a Sevilha do século XVII. Cumprirá desse modo o juramento feito ao pai adoptivo, de acabar com os Curvo, donos de uma fortuna sem igual, conseguida com a prata roubada nas Américas.
A sua dupla identidade – como Catalina e como Martín Olho de Prata – e uma enorme astúcia permitir-lhe-ão desenhar uma vingança sem precedentes, baseada no engano, sedução, força, surpresa, duelo, medicina e intriga.
Nesta arriscada aventura, conta com a companhia de amigos e de uns malandrins com um forte instinto de sobrevivência, dispostos a dar a vida por esta lendária personagem tão extraordinária."

Matilde Asensi escreveu "Vingança em Sevilha," o grande romance de Sevilha, com base numa ampla e rigorosa investigação e um trabalho que evoca as vozes de tempos de aventura, de um mundo dominado pelas aparências, pela corrupção e leis do sangue. Tempo de grandes riquezas e de grande miséria, quando Espanha era o centro do mundo.
Um romance de acção trepidante, que mantém vivo o interesse do leitor, com descobertas e surpresas em cada página.
A protagonista, Catalina Solís, é considerada a nova Alatriste da ficção ibérica.

Podem ler o primeiro capítulo aqui


Mais informações sobre a autora em www.matildeasensi.net

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Novidades para finais de mês...

E como no fim do mês também há novidades (e, espera-se, a carteira não se queixa tanto), deixo-vos aqui algumas sugestões:
A sua chegada foi profetizada. O Braço Esquerdo de Deus marca o início da aposta da Porto Editora no género Fantástico.
“Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção.”O Braço Esquerdo de Deus tem como cenário o Santuário dos Redentores, um lugar vasto e isolado – um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo – servir a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro − agora chamam-lhe Cale. É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga.Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço. Não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.
Com O Braço Esquerdo de Deus, primeiro volume de uma trilogia, Paul Hoffman confirma-se como uma das novas grandes vozes da literatura de Fantasia."



"Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Mas o que é normal quando se é um Caçador de Sombras? A mãe em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente começa a ver lobisomens, vampiros, e fadas?A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine que, além de louco, simboliza o Mal e, para piorar o cenário, também é o seu pai. Quando o segundo dos Instrumentos Mortais é roubado o principal suspeito é Jace, que a jovem descobriu recentemente ser seu irmão. Ela não acredita que Jace de facto possa estar disposto a abandonar tudo o que acredita e aliar-se ao diabólico pai Valentine… mas as aparências podem iludir."


"Cassandra Palmer consegue ver o futuro e comunicar com espíritos – dons que a tornam atraente para os mortos e os mortos-vivos. Os fantasmas dos mortos não costumam ser perigosos; apenas gostam de conversar… e muito. Os mortos-vivos já são outra conversa.
Tal como qualquer rapariga sensata, Cassie tenta evitar os vampiros. Mas, quando o mafioso sugador de sangue a quem fugira há três anos a reencontra com intuitos de vingança, Cassie é obrigada a recorrer ao Senado dos vampiros em busca de protecção. Os senadores dos mortos-vivos não irão ajudá-la sem contrapartidas. Cassie terá de colaborar com um dos seus membros mais poderosos, um vampiro mestre perigosamente sedutor. E o preço que ele exige poderá ser ser superior ao que Cassie está disposta a pagar… "
Podem ler um excerto aqui

"Sobrevivendo à custa de uma dieta de bolos embalados, sardinhas em lata e vodka, nos tempos difíceis da era Nixon, Andrew Whittaker é editor de uma revista literária, senhorio negligente e candidato a romancista. Com a sua revista, Andrew espera atear as chamas da excelência literária.Mas a vida não é simples. Os inquilinos de Andrew começam a cansar-se dos canos entupidos e das ratazanas, a ex-mulher exige-lhe dinheiro, e há um escritor canadiano frustrado que o persegue. Depois de romper com toda a comunidade artística local, Andrew decide organizar um festival literário para ajudar a salvar a revista moribunda. Mas será esse o seu momento de glória ou a derrota final?"

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Nas livrarias esta semana: Doce Valentine, de Adriana Trigiani

"Valentine Roncalli tem 33 anos e está prestes a mudar a sua vida. É a ela que caberá recuperar a velha empresa familiar para o século XXI e resgatá-la da ruína.
Angeline Shoe Company, fabricante de luxuosos sapatos de casamento desde 1903, é uma das últimas empresas familiares de Greenwich Village e está à beira do colapso financeiro.Enquanto tenta conciliar o seu incipiente romance com o atraente chef Roman Falconi, o seu dever para com a família e um desafio de criação colocado por uns prestigiados armazéns, Valentine regressa a Itália com a avó para aprender novas técnicas e procurar materiais únicos para construir um glorioso par de sapatos que derrote os dos seus rivais.
Ali na Toscana, em Nápoles e na ilha de Capri, um segredo de família é revelado ao mesmo tempo que Valentine descobre a sua voz artística revolucionando a sua vida e o negócio da família de forma inesperada."
Sobre a autora:
Adriana Trigiani é uma dramaturga premiada, argumentista e realizadora de documentários. Autora da muito vendida série Big Stone Gap e dos romances Lucia, Lucia, The Queen of the Big Time e Rococó, também escreveu e irá realizar a adaptação do seu primeiro livro Big Stone Gap, para além de escrever Viola Chesterton Chronicles, uma série juvenil da HarperCollins. Vive em Nova Iorque com o marido e a filha.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Talentosa Flavia De Luce

Título: A Talentosa Flavia De Luce
Autor: Alan Bradley
Tradução: Inês de Castro
Edição: Planeta
Nº de páginas: 325

"Um policial com um detective inesperado: uma menina de onze anos, com um feitio muito especial e um invulgar talento para fórmulas químicas. Estamos no Verão de 1950 e Buckshaw é a decadente mansão inglesa onde Flavia mora com a sua família, o pai viúvo, coleccionador obsessivo de selos, e duas irmãs, nem sempre muito simpáticas… Com uma inteligência aguçada para a idade, Flavia vive num mundo próprio. Refugiada num velho laboratório vitoriano onde já ninguém vai, entretém-se a inventar venenos inofensivos que servem, no entanto, as suas pequenas vinganças domésticas. Uma menina com cara de anjo mas alguma maldade…Subitamente, Buckshaw é atingida por uma série de acontecimentos inexplicáveis. Um pássaro morto é encontrado no degrau da porta, com um selo de correio espetado no bico. Algumas horas depois, Flavia descobre um homem caído no meio dos pepinos e vê-o exalar o seu último suspiro. Para a pequena, que fica ao mesmo tempo chocada e encantada, a vida começa realmente a sério quando o homicídio chega à velha mansão."
Flavia De Luce, inusitada e precoce detective, é uma lufada de ar fresco no mundo da criminologia (e também do crime...). O maior "problema" desta jovem de 11 anos, além de uma certa aversão a limpeza e higiene pessoais, ara fazer frente às duas irmãs mais velhas, a sua maior paixão é a química - venenos em particular - até ao dia em que assiste à morte de um homem, ali bem no talhão dos pepinos, mesmo por baixo da janela do seu quarto. Em vez de a amedrontar, este episódio delicia-a, levando-a a investigar incessantemente este mistério.
Como pode uma criança de 11 anos deslindar um crime? Flavia está longe de ser uma vulgar criança de 11 anos tal como as vemos hoje. Se é verdade que na década de 50 os mais pequenos eram forçados a deixar a infância para trás mais cedo do que actualmente, é igualmente verdade que a mais nova das irmãs De Luce tem gostos algo estranhos e conhecimentos muito acima da média. Por outro lado, quando os miúdos metem os seu pequenos narizinhos em determinados assuntos tendemos a não lhes dar a importância e atenção devidas. Invariavelmente, eles ficam sempre a saber mais do que deviam...
Com uma escrita muito rica, ainda que bastante simples, o autor leva-nos por uma viagem à Inglaterra de George VI, ao seu complexo sistema social repleto de convenções e regras, passando pelas feridas ainda mal cicatrizadas da guerra e pelas consequências da mesma. Tudo isto de uma forma tremendamente subtil. A trama está muito bem conseguida, são enganos atrás de enganos, não tendo o autor caído no velho cliché de conhecermos o criminoso apenas no final da narrativa. Todos os pequenos pormenores são importantes e os enganos e mistérios levam o leitor atento a pensar, pensar até conseguir por si mesmo ver que certas personagens escondem algo, não são o que parecem e que o assassino só pode ser aquele mesmo...(não posso dizer, isso era spoiler a mais, desculpem).
O humor é elemento que não falta nesta narrativa, Flavia tem uma mente algo retorcida e um pensamento pejado de "tiradas" que espelham bem o seu humor negro. As situações com as irmãs mais velhas são muitas vezes hilariantes, conseguindo-me levar a revisitar o meu passado (não que alguma vez tenha tentado envenenar alguém, entenda-se.). A descrição consegue ser muito rica sem se tornar maçuda, o que é um aspecto muito importante dado que descrição a mais tende a quebrar o ritmo. É raro o leitor ter esta sorte, não apenas com a descrição mas também com os personagens que estão muito bem construídos e com os diálogos.
Espero sinceramente que o autor continue a dedicar-se aos livros para adultos e que voltemos a encontrar a menina De Luce em breve.
8,5/10