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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Voo do Corvo

Título: O Voo do Corvo
Série/Saga:  Shadowfell (Shadowfell, #2)
Autor: Juliet Marillier
Edição: Planeta
Tradução: Catarina F. Almeida
ISBN: 9789896574505
Nº de páginas: 400


"Depois de concluir a sua longa e árdua viagem até à base dos Rebeldes em Shadowfell, Neryn tornou-se uma parte vital da rebelião contra o tirânico rei Keldec. Cada passo que dá no sentido de aperfeiçoar os seus dons e afirmar-se como uma Voz poderosa e única na sua geração leva-os mais perto da meta pretendida. Mas, primeiro, Neryn terá de procurar os Guardiães das quatro Vigias para completar o seu treino e o tempo escasseia. Entretanto, Flint, o espião rebelde por quem se apaixonou, foi de novo chamado à corte de Keldec. O laço que os une é tão forte que, mesmo à distância, se procuram em sonhos, partilhando momentos preciosos - ainda que inquietantes - da vida um do outro. 

Os Rebeldes vêem com desconfiança este novo amor. Permitir que a emoção se sobreponha à lógica fria do movimento pode pôr tudo em risco. No fim, o amor poderá revelar-se a força motriz da esperança ou a brecha traiçoeira na armadura da rebelião."


Lembro-me de ter pensado, quando li o primeiro volume de Shadowfell (no final de 2012), que no meu entender, Juliet Marillier estava a caminhar a passos largos para a redenção. Depois de nos ter contado algumas histórias com uma voz que só vagamente tinha algumas semelhanças àquela a que há tantos anos nos vinha habituando, quer-me parecer que a autora reencontrou o seu caminho. Esta série parece-se muito mais com aquelas aventuras e mistérios em Sevenwaters, por exemplo, do que seria de esperar.

Não posso dizer que este segundo volume tenha sido tão cativante como a anterior. Apesar de algumas surpresas e de no final conseguirmos compreender que a protagonista, de facto, evoluiu muito a vários níveis ao longo deste livro, muitas vezes o ritmo da narrativa era tão lento, ou tão acelerado que ficava com a sensação de que não estava a acontecer nada ou de que tudo estava a acontecer de repente quando na verdade se passava precisamente o contrário. Não sei se me fiz entender... O ritmo da narrativa e aquilo que era narrado nem sempre coincidiam, houve alguma falta de harmonia a esse nível. 

Apesar de tudo, a autora consegue redimir-se com a história em si (que graças aos deuses não tem um daqueles amores melosos a interferir), com alguns dos seus personagens e sobretudo com as descrições. Com um ambiente medieval como pano de fundo, as descrições que nos são oferecidas são qualquer coisa de delicioso. Não foram poucas as vezes que consegui estar numa ilha verde no meio de um oceano, ouvindo as gaivotas à minha volta; ou que dei por mim no cimo de uma montanha com a floresta a rodear-me. 
No que aos personagens diz respeito, penso seriamente que Neryn, a personagem principal, é a mais fraca das criações de Marillier para este livro. Tem falta de confiança, é muito ingénua e, por vezes, chega a ser sonsa. Irrita um bocado o leitor que está à espera  de mais da suposta salvadora da nação. Os personagens secundários são muito mais complexos, mais misteriosos, menos sonsos e trazem-nos muito mais surpresas que esta jovenzinha. Gostei especialmente desta nova Tali, tal como dos gémeos.

Uma das características que voltámos a ver muito presente, tanto de forma directa como de forma indirecta, nesta nova narrativa é a eterna dualidade entre o bem e o mal, esperança e desespero... É, na verdade, uma constante em quase todos os livros da autora. Neste volume em específico, há uma oposição permanente entre forças opostas mas também um equilíbrio que se encontra quase sempre em "locais" inusitados - sejam eles lugares físicos, os corações de alguns intervenientes na trama ou, até, um casal real e a sua guarda.

Não posso dizer muito mais sem cair em spoilers (e isso é coisa que ninguém quer) e, na verdade, é muito complicado falar deste livro sem falar da história em si. Apenas posso dizer que o final, apesar de previsível em muitos aspectos, trouxe uma ou duas surpresas que me deixaram com imensa vontade de ler o próximo livro (sai em Julho na versão original) e saber como as coisas podem evoluir a partir deste ponto. Gostei de voltar a "ter um cheirinho" da minha velha Juliet Marillier.

7/10

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Juliet Marillier em Portugal com novo livro

Ultimamente a vida tem-se metido no meio destas coisas que eu gosto de fazer e, como já devem ter reparado, não tenho tido oportunidades de actualizar o blog e o facebook. Na verdade, até tenho andado um bocado desligada e nem me tenho apercebido bem das novidades. Mas esta vale bem a pena!!! Quer dizer, é novidade para mim, pode ser que muitos de vocês já a vejam como uma notícia ultrapassada... Mesmo assim, aqui vai.

Alegrem-se os fãs de Juliet Marillier pois é já daqui a 15 dias (sim, mais coisa menos coisa) que vamos poder ler a tradução portuguesa de Raven Flight - Voo do Corvo. Este é o segundo livro da trilogia Shadowfell e, no que me respeita, estou bastante curiosa.



Além disso, como a autora já havia anunciado aqui... Juliet Marillier estará em Portugal de 6 a 9 de Novembro. Ainda se desconhece toda a agenda da autora mas, tanto quanto consegui saber, parece ser certo que a podemos ver e ouvir (além de recolher alguns autógrafos) dia 7 de Novembro, pelas 18:30, na FNAC do C. C. Colombo.

Ora, são ou não boas notícias?

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Vidente de Sevenwaters

Título: A Vidente de Sevenwaters
Autor: Juliet Marillier
Tradução: Catarina F. Almeida
Edição: Planeta
Nº de páginas: 413

"Sibeal sempre soube que estava destinada a uma vida espiritual e entregou-se de corpo e alma à sua vocação. Antes de cumprir os últimos votos para se tornar uma druidesa, Ciarán, o seu mestre, envia-a numa viagem de recreio à ilha de Inis Eala, para passar o Verão com as irmãs, Muirrin e Clodagh.
Sibeal ainda mal chegou a Inis Eala, quando uma insólita tempestade rebenta no mar, afundando um barco nórdico mesmo diante dos seus olhos. Apesar dos esforços, apenas dois sobreviventes são recolhidos da água. O dom da Visão conduz Sibeal ao terceiro náufrago, um homem a quem dá o nome de Ardal e cuja vida se sustém por um fio. Enquanto Ardal trava a sua dura batalha com a morte, um laço capaz de desafiar todas as convenções forma-se entre Sibeal e o jovem desconhecido.
A comunidade da ilha suspeita que algo de errado se passa com os três náufragos. A bela Svala é muda e perturbada. O vigoroso guerreiro Knut parece ter vergonha da sua enlutada mulher.
E Ardal tem um segredo de que não consegue lembrar-se - ou prefere não contar. Quando a incrível verdade vem à superfície, Sibeal vê-se envolvida numa perigosa demanda.
O desafio será uma viagem às profundezas do saber druídico, mas, também, aos abismos insondáveis do crescimento e da paixão. No fim, Sibeal terá de escolher - e essa escolha mudará a sua vida para sempre."

Penso que para qualquer fã de Juliet Marillier a trilogia original de Sevenwaters foi o ponto alto da escrita da autora. Havia algo naquelas narrativas que nos tocava, que nos deixava acordados até altas horas na expectativa… Apesar de os livros da autora se continuarem a basear nas lendas nórdicas e celtas, penso que o nível das mesmas decaiu e não estou certa de que esta segunda trilogia de Sevenwaters (imposta à autora pelos seus editores) tenha sido uma boa aposta no que respeita à autora, à sua criatividade e até ao que respeita em manter os fãs contentes e ansiosos pela saída de um novo título. Sevenwaters eram a Sorcha e os seus irmãos, a floresta e os seres mágicos que a habitam e, por muita curiosidade que tivesse em seguir os descendentes dos personagens originais não me parece que o resultado conseguido tenha sido o melhor ou mesmo o esperado pelos leitores quando foi anunciado o regresso àquelas paragens.
Não quero com isto dizer que não gostei do livro. Apenas não posso dizer que gostei muito, não me encheu as medidas como era hábito acontecer com esta autora.

Ainda que a narrativa seja feita a duas vozes, a estória centra-se em Sibeal, jovem filha de Sean de Sevenwaters, que cedo descobre a sua vocação e se dedica aos estudos para poder ser druidesa. Antes de proferir os seus votos, Ciarán, o seu mentor, envia-a para Inis Eala deixando-a sem compreender bem a necessidade de ir passar o verão com as irmãs. Como não podia deixar de ser, há um rapaz que desperta em Sibeal sentimentos que ela pensava não lhe estarem reservados e a fazem duvidar de tudo. E aqui devo acrescentar que a visão redutora e até algo machista de que uma mulher para se sentir completa tem que ser esposa e mãe me desagradou sobremaneira. Sei que a narrativa se passa numa época medieval e etc mas o martelar constante nesta ideia era completamente escusado, a não ser que haja por parte de alguém uma tentativa de convencer do mesmo as supostas ”jovenzinhas inocentes” que irão ler o livro. O que, obviamente, também seria de condenar, a meu ver.

O leitor habitual já sabe o que o espera e não se chateia com o romance nem tão pouco com o facto de o final ser completamente previsível, o que desagrada é o facto de a estória de amor não ter a magia esperada, ser desenxabida e rematada de forma algo abrupta (coisa que já tinha acontecido num anterior título da autora). Para além de não haver quase nada mais além da dita relação amorosa e das dúvidas que assaltam a personagem principal. A trama secundária até poderia ser muito mais interessante se fosse mais desenvolvida e o livro só tinha a ganhar com isso mas… não foi o que aconteceu. Até mais de metade do livro não acontece nada, ou tudo acontece muito devagar, e na recta final acontece tudo depressa demais e sem grande espalhafato. Isto é, no final da narrativa os personagens partem numa demanda perigosíssima (apesar de algo mal fundamentada) e, supostamente, cheia de obstáculos, depois da qual terão que enfrentar uma também perigosa viagem de retorno a casa. No entanto, o que nos é rapidamente relatado não é nada disso e deixa um “amargo de boca” que só visto.

Conclusão, deixou muito a desejar e caso venha a ler o terceiro volume será apenas para fechar um ciclo e não pelo prazer que a escrita desta autora já foi, um dia, capaz de me proporcionar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Hoje é só boas notícias :)

Hoje foi um daqueles dias em que as boas notícias se seguem umas às outras. Não é muito comum termos dias assim mas é por isso mesmo que gostamos deles.
A primeira boa notícia do dia é que vamos ganhar mais leitores e, quiçá, conseguir aliciar mais jovens (e não só) para este nosso grande vício que é a leitura. As nossas opiniões, algumas delas, vão começar a ser publicadas em alguns jornais da região em que vivemos. Já sei, já sei...não são grande jornais de tiragem nacional mas estamos felizes com a novidade.

A segunda boa notícia de hoje é que Dança com Dragões de George R. R. Martin será publicado em Portugal já no próximo mês de Setembro. A editora aponta dia 9 de Setembro como a data de lançamento do mais aguardado volume das Crónicas de Gelo e de Fogo. Para quem, como eu, anda a reler as Crónicas estas são de facto boas novas.



Por último, ficámos hoje a saber que vai ser editado, já no próximo mês, mais um título da autoria de Juliet Marillier. Já sabiamos que a autora viria a Portugal em Julho mas desconheciamos que estava na calha a edição de mais um livro que nos transportará de novo a Sevenwaters.
Em A Vidente de Sevenwaters poderemos seguir a historia  de Sibeal - neta de Sorcha e irmã de Clodahg, a protagonista de O Herdeiro de Sevenwaters. Quanto à vinda da autora ao nosso país, terá lugar entre os dias 3 e 7 de Julho e a autora estará na Fnac do Colombo para o lançamento da obra e sessão de autógrafos no dia 6 pelas 18:30. Deixamos aqui a capa e a sinopse para vos ir aguçando o apetite.


"Sibeal sem­pre soube que estava des­ti­nada a uma vida espi­ri­tual e entregou-​se de corpo e alma à sua voca­ção. Antes de cum­prir os últi­mos votos para se tor­nar uma drui­desa, Cia­rán, o seu mes­tre, envia-​a numa via­gem de recreio à ilha de Inis Eala, para pas­sar o Verão com as irmãs, Muir­rin e Clo­dagh.
Sibeal ainda mal che­gou a Inis Eala, quando uma insó­lita tem­pes­tade rebenta no mar, afun­dando um barco nór­dico mesmo diante dos seus olhos. Ape­sar dos esfor­ços, ape­nas dois sobre­vi­ven­tes são reco­lhi­dos da água. O dom da Visão con­duz Sibeal ao ter­ceiro náu­frago, um homem a quem dá o nome de Ardal e cuja vida se sus­tém por um fio. Enquanto Ardal trava a sua dura bata­lha com a morte, um laço capaz de desa­fiar todas as con­ven­ções forma-​se entre Sibeal e o jovem des­co­nhe­cido.
A comu­ni­dade da ilha sus­peita que algo de errado se passa com os três náu­fra­gos. A bela Svala é muda e per­tur­bada. O vigo­roso guer­reiro Knut parece ter ver­go­nha da sua enlu­tada mulher.
E Ardal tem um segredo de que não con­se­gue lembrar-​se — ou pre­fere não con­tar. Quando a incrí­vel ver­dade vem à super­fí­cie, Sibeal vê-​se envol­vida numa peri­gosa demanda.
O desa­fio será uma via­gem às pro­fun­de­zas do saber druí­dico, mas, tam­bém, aos abis­mos inson­dá­veis do cres­ci­mento e da pai­xão. No fim, Sibeal terá de esco­lher — e essa esco­lha mudará a sua vida para sem­pre.”

sábado, 3 de julho de 2010

Sangue do Coração

Título: Sangue-do-Coração
Autor: Juliet Marillier
Tradução: Marta Teixeira Pinto
Edição: Bertrand
Nº de páginas: 399

" Whistling Tor é um lugar de segredos, uma colina arborizada e misteriosa que alberga a fortaleza de um chefe tribal cujo nome se pronuncia na região com repulsa e amargura. Há uma maldição que paira sobre a família de Anluan e o seu povo; os bosques escondem uma força perigosa que prenuncia desgraças a cada sussurro.
No entanto, a fortaleza solitária é um porto seguro para Caitrin, uma jovem escriba inquieta que foge dos seus próprios fantasmas. Apesar do temperamento de Anluan e dos misteriosos segredos guardados nos corredores escuros, este lugar há muito temido providencia o refúgio de que ela tanto precisa. À medida que o tempo passa, Caitrin aprende que há mais por detrás do atormentado jovem e dos estranhos membros do seu lar do que ela pensava. Só através do seu amor e determinação é que a maldição poderá ser desfeita e Anluan e a sua gente libertados..."
Juliet Marillier é uma exímia contadora de estórias, a sua imaginação fluí por caminhos mágicos e de lendas antigas e a sua escrita simples e límpida leva-nos a mergulhar na narrativa de uma forma quase única. Neste novo volume somos levados a Whistling Tor, um local misterioso e onde o sobrenatural impera; aqui nada é o que parece e há muito mais do que à priori imaginamos por detrás de cada personagem. As descrições ricas e os caminhos que trilhamos guiados pela imaginação da autora contribuem muitíssimo para a magia deste livro, para nos fazer realmente sentir no centro da colina envolta pela neblina e pelo mistério.
As personagens, como sempre, são cativantes e revelam evolução e crescimento no desenrolar da estória, sobretudo a personagem de Caitrin que conhecemos como uma rapariga fragilizada que foge do seu passado e ao longo da narrativa vai evoluindo para uma jovem mulher, lutadora e corajosa que defende com todo o coração aquilo em que acredita. Gostei de confirmar que Juliet continua a criar personagens femininos fortes e independentes, mulheres avançadas para a época e mundo que marcam a narrativa, capazes de agirem e pensarem por si.
Gostei bastante da estória, adorei o rumo imprevisto que a narrativa tomou na parte final pois apesar de me perguntar constantemente onde estaria determinada personagem (não posso dizer o nome nem dar mais dados sem spoilers), de me questionar acerca do seu destino, nunca me passou pela cabeça o final descrito. A ideia geral do livro é muito cativante e o desenvolvimento foi bastante bem conseguido, contudo e apesar de Marillier ser Marillier e de os fãs perceberem o que quero dizer com isto, pareceu-me que este foi a sua obra mais fraca. Os ingredientes estão todos lá mas deu-me a sensação de que por vezes a autora se alongava demasiado em pormenores sem importância, que havia um certo "encher chouriços" em determinados pontos da narrativa. Mas... esta é apenas a minha opinião e ainda assim não estragou por ai além o prazer que é sempre ler uma obra desta autora.
7/10

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Novo livro de Juliet Marillier este mês

A mais recente obra de Juliet Marillier, Sangue do Coração, será editada no nosso país no próximo dia 18 de Junho (sexta-feira). A informação já tinha sido avançada há alguns meses pela própria autora mas esta semana a editora confirmou, o fãs portugueses vão poder ler este novo volume ainda este mês.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Herdeiro de Sevenwaters

Título: O Herdeiro de Sevenwaters
Autor: Juliet Marillier
Tradução: Ana Neto
Edição: Bertrand
Nº de páginas: 477

"Os chefes de clã de Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta, um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se transforma.
Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão - o novo herdeiro de Sevenwaters - Clodagh é incumbida de cuidar da criança duarnte a convalescença da mãe.
A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso princípe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes..."
Depois de ter estado esgotado durante alguns meses, lá consegui há uns dias comprar um exemplar de O Herdeiro de Sevenwaters, livro que há muito queria ler. Juliet Marillier sempre nos habituou a histórias de grande qualidade e a deliciosos momentos de leitura, apesar de ultimamente ter optado por uma estilo mais leve dedicado a um público algo mais jovem. O leitor mais conhecedor da obra de Marillier denota facilmente, nesta nova narrativa, traços desta sua mais recente opção de escrita mas mesmo assim o livro não perde muito.
Quando escreve sobre Sevenwaters, Juliet escreve com mais alma, as descrições são mais vividas, os Seres Encantados ganham uma vida e uma presença muito mais acentuadas que nas demais narrativas, até as cores com que imaginamos os cenários enquanto a história desfila perante os nossos olhos ganham um brilho diferente. É precisamente isto que torna este livro especial, o retorno a Sevenwaters. Embora alguns dos personagens já nossos conhecidos não passem aqui de meras referências e até o Outro Mundo esteja agora povoado de criaturas que não conhecemos de todo devido a uma mudança na cena "política" que deixa Mac Dara na liderança, voltar a estes cenários que tão bem conhecemos e que são tão queridos dos fãs desta autora é sempre um ponto positivo.
Gostei bastante do enredo desta narrativa que se passa no mundo dos humanos e no das criaturas encantadas em partes quase iguais, dando-nos assim uma perspectiva da realidade no Outro Mundo um pouco distinta daquela que nos é passada na Trilogia de Sevenwaters. Os seres encantados continuam a gostar de brincar com os destinos humanos mas aqui torna-se claro que nem todos são iguais, que há divergências e problemas de índole por vezes quase política entre eles. Ainda assim, não achei que os personagens humanos fossem tão fortes como os das narrativas anteriores (é difícil competir com Sorcha e os irmãos), são personagens bem construidos e cuja evolução se denota ao longo da narrativa mas não consegui sentir uma grande empatia com um jovem guerreiro revoltado (embora reconheça que até certa altura está fortemente envolto numa capa de mistério que nos aguça a curiosidade) e um rapariguinha com problemas de auto-estima. O personagem que mais interesse me despertou, embora não saiba explicá-lo muito bem, foi Becan. Não percebi muito bem este meu encanto dado que Becan é um bebé que, como tal, nem sequer fala. è muito por sua causa que a história se desenrola e começa a ganhar novos contornos e talvez seja por isso que me agrada.
O final deixa antever um desejo da autora em voltar a pegar no destino destes personagens, talvez através dos filhos deles ou até quem sabe dos próprios. Espero sinceramente que tal seja possível, ler Marillier é sempre uma experiência mágica.
Devo fazer uma referência final para a tradução que, desta vez, achei deveras melhor que as anteriores, não tendo encontrado eu falhas dignas de nota. Como já foi dito noutros blogs, parece que finalmente a Bertrand se dignou a dar a Marillier a atenção que a autora merece no que respeita a tradução e revisão.
8/10

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Segredo de Cibele

  • "Paula viaja até Istambul com o seu pai em busca de um artefacto ancestral. O desejo que Paula tinha em descobrir o reino mágico onde vivera com as suas irmãs foi substituído por objectivos mais práticos: tornar-se comerciante de livros e manuscritos. No entanto, pistas e rumores acabam por convencê-la de que se encontra numa demanda fantástica e que a pessoa responsável por lhe ir dando essas pequenas suspeitas seja a sua irmã desaparecida, Tati. Puzzles, enigmas, testes de força e lealdade, lições sobre o amor, confiança e conhecimento - tudo isso surgirá na viagem de Paula, uma viagem onde o insucesso tem como preço a morte. "
Mais um livro de Juliet Marillier, mais um livro que adorei... De facto não há livro desta autora que me consiga desiludir (e ainda bem). Este é a continuação de "Danças na Floresta" do qual também já falei aqui. Devo confessar que gostei mais deste volume que do anterior, talvez tal se deva ao facto do enredo se focar apenas numa das irmãs, já nossas conhecidas, não havendo uma divisão da história pelos diversos personagens. A acção centra-se em Paula e na viagem que esta empreende com o pai afim de conseguir realizar um negócio que envolve um importante artefacto histórico - a Dádiva de Cibele. Contudo, este objecto revela ser muito importante para diversos personagens e nem todos têm escrúpulos quando se trata de o conseguir ter em seu poder.
Gostei especialmente das descrições da cidade de Istambul, podemos sentir o calor, o cheiro das ruas, a cor e a confusão do mercado, a diversidade que caracteriza os habitantes e visitantes da antiga Constantinopla... É algo soberbo e que não esperava encontrar neste livro. Também me agradou muito a referência da autora a Portugal a qual é feita através do meu personagem preferido, o pirata Duarte de Aguiar - personagem que se vai desenvolvendo e crescendo ao longo da trama e que revela mais uma vez que nada é o que parece e não devemos julgar as pessoas pelo ouvimos dizer acerca delas.
O suspense está muito melhor conseguido neste volume, conseguindo a autora manter o mistério quase até ao final da aventura de Paula por terras desconhecidas. O aparecimento dos habitantes do Outro Reino e o seu modo tão peculiar de actuar, bem como as provas a que sujeitam os personagens principais da trama, são um elemento muito bem vindo e que contribui activamente para alimentar o factor mistério.
Devo referir que o final das diversas personagens é previsível mas nem por isso menos agradável e deixa-nos, como é usual nos livros desta autora, com a sensação de que vivemos realmente todas as peripécias e aventuras que acabámos de ler.
9/10

domingo, 11 de janeiro de 2009

Danças na floresta


"Cinco irmãs aventureiras
Quatro criaturas sinistras
Três presentes mágicos
Dois amantes proibidos
Um sapo enfeitiçado."
Li este livro em tempo record, três ou quatro dias foram o suficiente para descobrir a fantástica história de cinco irmãs que vivem na Transilvânia a espectacular aventura de visitar o Outro Reino.
A leitura é muito fácil e aliciante, facto que se deve à simplicidade da escrita e à capacidade que a autora tem de nos deixar em premanente suspense, sem nunca nos dar a entender realmente o que vai acontecer a seguir. A construção da história é bastante interessante dado que esta resulta da fusão de vários contos tradicionais, que todos nós conhecemos da nossa infância, e ainda de lendas originárias da Transilvânia.
Apesar das personagens principais serem as cinco irmãs, aquela de que mais gostei foi Tadeusz, o vampiro. Sempre tive um tendência para gostar dos vilões e este vampiro é tudo aquilo a que estamos habituados quando na presença de um personagem deste tipo mas com muito charme e mistério. Na verdade, as personagens que achei melhor conseguidas foram mesmo os habitantes do Outro Reino, por não serem personagens previsíveis e por os seus desígnios serem sempre pouco claros, colocando constantemente à prova os demais e exigindo sempre coragem e determinação. As personagens das raparigas são um pouco lineares demais, na minha opinião, conseguimos sempre prever qual vai ser a sua próxima acção mas penso que essa deveria ser a intenção da autora, procurar que as jovens leitoras se identificassem o mais possível com estes cinco elementos femininos.
A moral é simples, não devemos confiar nas aparências pois estas iludem; e quando queremos realmente uma coisa devemos lutar por ela com afinco e determinação, com coragem para ultrapassar os obstáculos,sejam eles quais forem, e para aceitar as consequências dos nossos actos.
No final ficamos coma sensação de que de facto fomos transportados para o Outro Reino e que, agora que estamos de volta à rotina, também nós queremos lá voltar......