quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Herdeiro de Sevenwaters

Título: O Herdeiro de Sevenwaters
Autor: Juliet Marillier
Tradução: Ana Neto
Edição: Bertrand
Nº de páginas: 477

"Os chefes de clã de Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta, um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se transforma.
Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão - o novo herdeiro de Sevenwaters - Clodagh é incumbida de cuidar da criança duarnte a convalescença da mãe.
A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso princípe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes..."
Depois de ter estado esgotado durante alguns meses, lá consegui há uns dias comprar um exemplar de O Herdeiro de Sevenwaters, livro que há muito queria ler. Juliet Marillier sempre nos habituou a histórias de grande qualidade e a deliciosos momentos de leitura, apesar de ultimamente ter optado por uma estilo mais leve dedicado a um público algo mais jovem. O leitor mais conhecedor da obra de Marillier denota facilmente, nesta nova narrativa, traços desta sua mais recente opção de escrita mas mesmo assim o livro não perde muito.
Quando escreve sobre Sevenwaters, Juliet escreve com mais alma, as descrições são mais vividas, os Seres Encantados ganham uma vida e uma presença muito mais acentuadas que nas demais narrativas, até as cores com que imaginamos os cenários enquanto a história desfila perante os nossos olhos ganham um brilho diferente. É precisamente isto que torna este livro especial, o retorno a Sevenwaters. Embora alguns dos personagens já nossos conhecidos não passem aqui de meras referências e até o Outro Mundo esteja agora povoado de criaturas que não conhecemos de todo devido a uma mudança na cena "política" que deixa Mac Dara na liderança, voltar a estes cenários que tão bem conhecemos e que são tão queridos dos fãs desta autora é sempre um ponto positivo.
Gostei bastante do enredo desta narrativa que se passa no mundo dos humanos e no das criaturas encantadas em partes quase iguais, dando-nos assim uma perspectiva da realidade no Outro Mundo um pouco distinta daquela que nos é passada na Trilogia de Sevenwaters. Os seres encantados continuam a gostar de brincar com os destinos humanos mas aqui torna-se claro que nem todos são iguais, que há divergências e problemas de índole por vezes quase política entre eles. Ainda assim, não achei que os personagens humanos fossem tão fortes como os das narrativas anteriores (é difícil competir com Sorcha e os irmãos), são personagens bem construidos e cuja evolução se denota ao longo da narrativa mas não consegui sentir uma grande empatia com um jovem guerreiro revoltado (embora reconheça que até certa altura está fortemente envolto numa capa de mistério que nos aguça a curiosidade) e um rapariguinha com problemas de auto-estima. O personagem que mais interesse me despertou, embora não saiba explicá-lo muito bem, foi Becan. Não percebi muito bem este meu encanto dado que Becan é um bebé que, como tal, nem sequer fala. è muito por sua causa que a história se desenrola e começa a ganhar novos contornos e talvez seja por isso que me agrada.
O final deixa antever um desejo da autora em voltar a pegar no destino destes personagens, talvez através dos filhos deles ou até quem sabe dos próprios. Espero sinceramente que tal seja possível, ler Marillier é sempre uma experiência mágica.
Devo fazer uma referência final para a tradução que, desta vez, achei deveras melhor que as anteriores, não tendo encontrado eu falhas dignas de nota. Como já foi dito noutros blogs, parece que finalmente a Bertrand se dignou a dar a Marillier a atenção que a autora merece no que respeita a tradução e revisão.
8/10

3 comentários:

Jacqueline' disse...

Que engraçado! Este foi também o último livro que li. Poderás consultar a minha opinião na Cozinha... Concordo essencialmente com o que dizes. Acho bastante curioso que também tenhas gostado de Becan. Neste livro não me consegui identificar-me nada com Clodagh, mas Becan foi uma personagem que me fez um carinho especial :)
Quanto ao que dizes sobre a escrita, penso que Sevenwaters merecia continuar com a que tinha antes. As personagens eram melhor trabalhadas e o livro seria mais forte emocionalmente...
Claro que esta é a minha humilde opinião..

[Peço desculpa pelo testamento]

PallasAthena disse...

Esta é sem dúvida, uma das melhores escritoras da actualidade. Adorei todas as suas obras. E estou neste momento com o Herdeiro de Sevenwaters em mãos. Deixarei a minha opinião no Livreo assim que terminar.
Boas leituras. Bjs.

Vitor Frazão disse...

No meu ver, este é um livro de bónus em relação à triologia original, contudo, é Sevenwaters, ou seja, Juliet Marillier no seu melhor, e para os fãs isso, por si só, é suficiente. :)

http://cronicasobscuras.blogspot.com/