quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Sacerdotisa dos Penhascos

Titulo: A Sacerdotisa dos Penhascos
Saga das Pedras Mágicas
Autor: Sandra Carvalho
Edição: Presença
Colecção: Via Láctea
Nº de páginas: 413

"Os Guardiães das Lágrimas do Sol e da Lua vivem finalmente em plena união. Dos seus amores nasceram Halvard e Kelda, os gémeos sobre quem pairam profecias grandiosas e temíveis. Halvard está nas mãos de Sigarr, o Mestre da Arte Obscura, que espera treiná-lo para ser o Guardião do Conhecimento Absoluto, e usar o imenso poder deste em seu proveito. Kelda, no topo da mais alta fraga da Ilha dos Penhascos, entrega o seu corpo dorido e o espírito destroçado à violência da tempestade, enquanto as palavras da sua melhor amiga Oriana lhe ressoam aos ouvidos qual maldição: « Hás-de acabar sozinha e devorada pelo mal como o teu irmão!». Como poderá lutar contra as forças negras do destino, se todos aqueles que ama lhe viram as costas? Será capaz de provar que os pais estavam enganados acerca da sua índole perversa? E resgatar Halvard do jugo dos feiticeiros, cumprir os desígnios da Pedra do Tempo e salvar a sua própria alma? Ou estará condenada a ceder ao apelo da Arte Obscura que pulsa no seu sangue e tombar no abismo?
Este é o sexto volume de uma das séries fantásticas mais acarinhadas pelos leitores portugueses, A Saga das Pedras Mágicas."
Como já foi dito por muitos e nos mais diversos contextos e locais, a Saga das Pedras Mágicas começa com um título visivelmente inspirado no primeiro volume da Saga de Sevewaters da autora Juliet Marillier. Esta é uma realidade inegável e que, confesso, me irritou um pouco ao longo da leitura desse primeiro volume, afinal a cada passo dado só me lembrava que já tinha lido aquela estória algures. Ainda assim, defendo aquele velho pregão "o que é nacional é bom" e é sempre de louvar a ousadia de um autor português que se lança num género que não é o mais bem visto (se é que me faço entender...) principalmente na esfera em que se movem a maioria dos editores, escritores e demais. Por isso insisti, quando saiu o segundo volume comprei-o e li-o e, neste momento, não me arrependo da minha decisão.
Com o tempo, a estória de Catelyn foi-se instalando e apesar de achar alguns volumes melhores que outros (facto que acontece com toda e qualquer saga) já não sou capaz de perder os desenvolvimentos que ocorrem entre os Reinos do Norte e a Ilha dos Sonhos. O leque de personagens é algo vasto mas o núcleo central, a família de Throst e Catelyn, vai-se mantendo relativamente pequeno e constante. Estas, tal como a estória, vão ganhando um rumo próprio e vão-se desenvolvendo ao longo da Saga. Mas o que na realidade acho que é muito bem conseguido pela autora é a transmissão dos sentimentos, as personagens apaixonam-nos porque os sentimentos são transmitidos de uma forma tão real e simultâneamente tão especial que nos identificamos facilmente com elas. Um ponto a favor nesta área penso que foi o desenvolvimento de Trygve. Viamo-lo sempre como o menino responsável, uma personagem boazinha mas neste volume as coisas mudam de figura e o Sacerdote revela-se algo que não seria esperado.
Neste volume a figura central é Kelda, a jovem filha dos Guardiães das Lágrimas do Sol e da Lua, a quem o sangue misto (Arte Luminosa e Arte Obscura) confere um poder que nem sequer chega a ser sonhado pelos que a rodeiam. Na verdade, todos aqueles que lhe são próximos pensam que a jovem não possui qualquer vestígio de magia em si acabando por votá-la a um ostracismo cínico. Com uma ajuda algo sui generis a jovem, que apenas quer salvar o seu irmão gémeo, conseguirá descobrir e controlar as suas capacidades até à chegada do momento certo de as revelar. E é neste momento que as coisas começam a mudar de rumo e nos apercebemos que as profecias da Velha do Tronco Oco e da Pedra do Tempo podem estar a ser muito mal interpretadas, o que nos deixa curiosos em relação ao destino de personagens como Thorson ou Oriana cuja paixão se vê afogada pelos acontecimentos desencadeados por Sigarr e os seus.
Como não podia deixar de ser, o amor anda no ar mas as relações são tudo menos fáceis e esta não será excepção. Entre mal entendidos, profecias mal interpretadas e orgulhos excessivos o romance consegue fluir mas acaba sempre por ser asfixiado. Ainda assim, já se pode prever como acabarão as coisas neste campo. Não digo que este seja um ponto negativo, vou simpatizando com o casal e as peripécias e desventuras que os vão separando só podem ter uma compensação no final. Mas esta, bem como o destino de Halvard e Kelda ficam para um próximo volume no qual a jovem consiga aceitar que a Arte também pode ser "cinzenta" e por si dominada. Ainda assim e mesmo que vos custe a acreditar o que realmente quero descobrir no sétimo volume da Saga é quem é afinal Erebus. Este foi um personagem que pela sua ambiguidade e pela aura de mistério que o envolve, me fascinou terrivelmente. Muitos dirão que o melhor personagem é Lysander ou até mesmo Kelda, alguns falarão do omnipresente Sigarr e da sua persistência, eu só quero descobrir as verdadeiras motivações de Erebus e qual o seu envolvimento no futuro dos demais.
7/10

3 comentários:

Cristina Bernardes disse...

Vou começar a ler... estou ansiosa por ver o que acontece...

Beijos

PallasAthena disse...

Há um selinho no Livreo :D
Bjs.

Marta disse...

Ola
No meu cantinho esta um
Selo: Seu Blog me faz... Viajar..., para ti.
Boas Festas
Beijinho