terça-feira, 25 de setembro de 2012

Cinquenta Sombras de Grey

Título: As Cinquenta Sombras de Grey
Autor: E.L. James
Editora: Lua de Papel
Nº de páginas: 552
 

As Cinquenta Sombras de Grey é um romance obsessivo, viciante e que fica na nossa memória para sempre. Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo para um jornal universitário. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, sombrio, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta – os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor? As Cinquenta Sombras de Grey é o primeiro volume da trilogia de E.L. James que é já o maior fenómeno literário do ano em todos os países onde foi publicada, da Austrália aos Estados Unidos, da Inglaterra à Nova Zelândia.

 Depois  de tanta coisa à volta deste livro, o que destronou o Harry Potter e a saga Luz e Escuridão, que em muito pouco tempo foi traduzido para mais de 30 linguas e vendeu milhões de exemplares... depois disto e muito mais, eu, que até nem tinha grande vontade de ler o dito, lá me decidi. Não me passaram ao lado as inúmeras críticas, as boas e as más, contudo para falar de algo tenho que saber do que falo.
Nem sei bem o que vos diga… Não sei por onde começar. Talvez pelo facto deste livro, que está a anos luz de ser uma obra-prima ter vendido tantas cópias em tão pouco tempo. A única explicação para isto é a mesma que se pode aplicar a tantos outros produtos  - o sexo vende. Vende mesmo quando as descrições do mesmo são para lá de pobres, uma tentativa falhada de dar a conhecer uma realidade da qual não sabemos absolutamente nada. Não achei as cenas BDSM muito fortes nem muito chocantes nem muito nada, sinceramente só as achei tão más que pior que aquilo só mesmo a relação doentia que a autora criou em torno dos dois únicos personagens em volta de quem gira a estória. São duas almas que vivem como que numa bolha, para as quais não há mais mundo senão a sua própria existência.

A personagem feminina que, segundo a própria autora é baseada na Bella da saga Luz e Escuridão, é um verdadeiro “ pão sem sal”, daquelas que só devem existir na América profunda das campanhas pela virgindade. Ora, estranho é que uma menina tão pudica se vá logo encantar por um homem dominador e arrogante até mais não. Sujeita-se a tudo o que ele quer, faz-lhe as vontadinhas todas e o mundinho dela fica reduzido a ele desde o momento em que o conhece. O personagem masculino, por sua vez, não tem ponta por onde se lhe pegue, cínico, arrogante e prepotente, completamente dominador. A relação entre estes dois, como está bom de ver não podia ser nada de muito saudável. Ela não tem experiência nehuma e ele aproveita-se e domina-a completamente sem ponta de romantismo ou, sequer, de normalidade (o homem que tivesse algum tipo de relação, supostamente afectiva, comigo  e assinasse um mail “CEO da empresa X” levava um par de patins no mesmo instante).  Ridículo. Como ridícula é a consciência da moçoila, a sua “deusa interior” (só pelo nome que lhe dá já se vê o estilo) é completamente histérica, está sempre aos pulinhos e excita-se com tudo e com nada. Irritante.
Sendo a narrativa tão pobre, podia pensar-se que a escrita até seria mais ou menos. Desenganem-se. É paupérrima. Descrições pobres e clichés nas quais se usa uma linguagem que, confesso que não percebi bem porquê ou para quê, é muitas vezes grosseira e ordinária.

Concluindo, a única coisa que este livro tem de aceitável é o mistério em torno do passado do personagem masculino. Tudo o resto parece uma amálgama algo sem sentido de cenas irreais e de fraca imaginação. Percebo que haja gente que goste, que se lê bem e que pode ser uma opção aceitável (para algumas pessoas) para quem quer variar um bocado nas temáticas de leitura mas… não me agradou.


Sem comentários: