quinta-feira, 9 de julho de 2009

Deuses Americanos

Título: Deuses Americanos
Autor: Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença
Tradução: Fátima Andrade
Nº de páginas: 493

"Sombra, acabado de sair da prisão, aceita trabalhar para um estranho, o Sr. Quarta-Feira, que não é nada mais nada menos que a encarnação de um deus antigo. Por estarem a ser ultrapassados por ídolos modernos, os deuses antigos encontram-se em vias de extinção, e Sombra e Quarta-Feira têm de reunir o maior número de divindades para se prepararem para o conflito iminente que paira no horizonte. Mas esperam-nos inúmeras surpresas… Bestseller distinguido com diversos prémios, Deuses Americanos é uma aventura onde o mágico e o mundano, o mito e o real, caminham lado a lado, levando-nos numa viagem repleta de humor ao extraordinário potencial da imaginação humana."
Mais um fantástico livro da Colecção Via Láctea da Presença ao qual não pude resistir (esta colecção tem destas coisas...) principalmente porque o autor é um dos meus preferidos. Contudo, e para começarmos, devo dizer que não é um bom livro para uma primeira abordagem à literatura de Gaiman. Se querem conhecer este autor e nunca leram nada dele sugiro que comecem por Neverwhere, Bons Augúrios ou os Filhos de Anansi (para não falar em Coraline). Esta é mais uma incursão à mente de Gaiman e, atrevo-me a dizer, uma das mais estranhas e surreais.
Com a chegada dos colonos e escravos ao mundo novo deu-se também a chegada dos deuses por eles trazidos, deuses fortes e presentes mas que não faziam parte daquela terra, apenas dos corações daqueles que agora a habitavam. Através desta premissa o autor leva-nos a conhecer a miscelânea cultural e racial que povoa a América do Norte, os deuses importados que coexistem e se sobrepõem aos deuses nativo-americanos e que têm dificuldades em criar raízes numa terra que não foi feita para a sua espécie, numa terra em que são esquecidos com o passar das gerações até atingirem o ponto de extinção eminente.
Actualmente, a sociedade capitalista vive para o consumo, o mundo não sabe em que acreditar optando por virar-se para a informação e as tecnologias de ponta que são veneradas como se de deuses se tratassem. Contudo, neste mundo qualquer avanço ao nível tecnológico se torna obsoleto em curtíssimos lapsos de tempo e até estes novos deuses são esquecidos com facilidade. Os humanos apenas se interessam pelo dinheiro e poder que podem alcançar através dos bens materiais e a crise ideológica é evidente. São estes os pontos chave focados por Gaiman nesta viagem ao coração profundo não só da América mas da Humanidade e que nos deixam a pensar naquilo que vemos acontecer à nossa volta e no que realmente acreditamos.
Embora possa à primeira vista parecer uma leitura pesada não o é, o tom da narrativa é leve e alegre, fortemente marcado pelo humor (às vezes um pouco negro) que é caracteristico deste autor e a tradução está muito boa - aspectos que nos fazem rapidamente chegar à última página sem que de tal nos demos conta.
8/10

5 comentários:

Canochinha disse...

Ainda ontem o encomendei, parece que fiz uma boa aposta :)
Já agora, e nem de propósito, na mesma encomenda vem "A Rosa Rebelde".

Alice disse...

Ora, ora, essa encomenda não podia ser melhor...
Gaiman é Gaiman e só por ai já valia a pena. Mas a Rosa Rebelde também vem ajudar, ainda não acabei mas já não falta muito (ontem acabei por concluir que era melhor dormir um bocadinho...) e até agora estou a adorar. Acho que também vais gostar.
Bj

Canochinha disse...

Obrigado pela dica, fico contente por saber que estás a gostar do livro. Gostei da sinopse e mandei vir, espero gostar também :)

suelen.18 disse...

Adorei!!!

Tmb vou deixar uma dica: o livro A Ordem é Amém que fala sobre um falso pastor que faz coisas horriveis para enganar o povo e ganhar dinheiro, mais Deus esta vendo e tem planos para a vida dele...é ótimo tenho certeza de que vcs vão gostar!!!

ele esta no site: seteseveneditora.com.br

Vitor Frazão disse...

Concordo que talvez não seja a melhor obra para quem queira começar a ler Neil Gaiman, o que não significa que não tenha adorado, particularmente dos momentos de humor que derrubam estereótipos e clichés.

http://cronicasobscuras.blogspot.com/