terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os Anões

Título: Os Anões

Autor: Harold Pinter
Tradução: José Lima
Colecção: Autor Nobel – Revista Sábado
Nº de páginas: 254

Os Anões é o único romance que Harold Pinter escreveu durante a sua longa e notável carreira, coroada em 2005 com a atribuição do Prémio Nobel de Literatura. Originalmente concluído em começos da década de 1950, depois revisto em 1989, o livro descreve as vidas e preocupações de quatro jovens londrinos na Inglaterra do pós‑guerra.
Através da evolução, tumultuosa e destrutiva da sua amizade, Pinter explora o modo como as vidas comuns são moldadas pelas limitações e fronteiras da sexualidade, da intimidade e da moralidade, ao mesmo tempo que põe a nu as profundas verdades existentes em acontecimentos aparentemente correntes.
Divertido, vivo, e perturbante, Os Anões é um romance escrito num estilo brilhante por um escritor cuja imaginação marcou as nossas vidas e o nosso tempo.

Não sei bem que dizer quanto a este livro, terminei-o com a estranha (e nada agradável) sensação de que não tinha percebido bem o que se passava, qual o seu propósito... Creio que não foi só a história que contribuiu para esta sensação, a própria escrita também não ajudou muito.

A história segue três personagens, todos um pouco diferentes, mas, a meu ver, bastante parecidos (o mesmo tipo de discurso, o mesmo estilo de falar – o que pode ser problema da tradução e não do original). Len, matemático e músico que trabalha numa estação de autocarros. Pete, empregado de escritório. Mark, um actor falhado e engatatão. Ao longo do livro estes três amigos analisam-se mutuamente, por vezes parece que existe uma tentativa para ser superior aos outros. Virginia, namorada de Pete, desestabiliza a dinâmica do grupo e acaba por ser um elemento importante que altera a amizade entre eles.

Quanto ao estilo de escrita, acho que isto explica muito: Pinter escreveu apenas um romance, tudo o resto foram peças de teatro. E nota-se! Os diálogos prolongam-se por páginas e páginas, tal como em peças de teatro. Só que, ao contrário de uma peça em que temos o suporte visual e portanto vemos sempre quem diz o quê, no livro não é possível acompanhar quando se tem 4 páginas de diálogo ininterrupto com apenas 3 ou 4 indicações de quem está a falar. E como o estilo de fala é muito semelhante em todas as personagens, por vezes a única forma de me situar era mesmo contar travessões.

O romance estreou primeiro como peça de teatro e creio que é capaz de funcionar muito melhor assim. Terei de ver a peça para confirmar as minhas suspeitas.

Boas leituras!

5/10


2 comentários:

efilipe disse...

Também li e fiquei com a mesma ideia: não percebi nada, ou quase nada. Afinal não fui a única. Ufa!

Pequeno Ser disse...

Fiquei mesmo com a dúvida se o problema seria meu ou do livro, assim já fico mais descansada por saber que não fui só eu a ter problemas!