sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Os Jogos da Fome

Título: Os Jogos da Fome
Autor: Suzanne Collins
Tradução: Jaime Araújo
Edição: Presença
Colecção: Via Láctea
Nº de Páginas: 254
"Num futuro pós-apocalíptico surge, das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Uma anterior revolta fracassada dos Distritos contra Capitol resultou num acordo de rendição em que todos os Distritos se comprometeram a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais com transmissão televisiva onde o lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes adolescentes escapará com vida...
Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem, um desafio desumano que a obrigará a escolher entre a sobreviência e a solidariedade, a vida e o afecto cada vez maior que tem por Peeta, seu companheiro de Jogos. Consegirá Katniss, face a circunstâncias tão avassaladoras, conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam o romance de estreia desta trilogia às mais altas esferas da ficção científica."
Desde que li a sinopse deste livro, à data da sua edição, que me entrou o bichinho da curiosidade, prometia ser uma história interessante e com personagens fortes e, definitivamente, é.
Apesar de não percebermos o que aconteceu ao mundo que conduzisse a Humanidade ao ponto em que nos é apresentada, somos imediatamente levados a esquecer esse pormenor. A sociedade saída da imaginação desta autora, bem como todo o meio geográfico envolvente e as leis que regem essa mesma sociedade, são dignas de nota. O Homem encontra-se num estado de evolução tão avançado, em que o individualismo e a ganância, a sede de poder e de protagonismo, são tão grandes que regrediu a um ponto que apenas nos pode fazer relembrar a Roma antiga. Uma sociedade marcada pelo vício, em que ninguém se importa com as necessidades de quem o rodeia, um povo que pára para se deliciar com a violência e o sofrimento que é o espectáculo provocado pela fragilidade humana e pelo efémera que é a vida.
Os personagens estão muito bem construídos e o leitor não tem qualquer dificuldade em identificar-se tanto com os heróis como com os vilões. Para esta realidade contribui sobretudo a enorme capacidade no que respeita à construção e transmissão de sentimentos revelada pela autora. Tenho que confessar que há cenas com uma carga emocional tão forte que, numa delas, dei por mim de lágrima ao canto do olho insurgindo-me contra o destino do personagem e contra a crueldade viciada dos Homens.
A linguagem é acessível sem ser simples e a narrativa é extremamente envolvente, sem quebras de ritmo, fortemente marcada pelas emoções e pela violência. Embora seja um livro destinado a um público mais jovem, estou convicta que agradará a qualquer leitor, seja qual for a sua idade. Recomendo.
8/10

4 comentários:

Morrighan disse...

Tenho andado a namorar este livro cada vez que vou à FNAC ou Bertrand.

Depois da tua crítica vai mesmo para a wishlist ;)

Boas leituras ***

Ana C. Nunes disse...

Concordo na íntegra, e acredita que a sequela é igualmente viciante.

Nathan disse...

Eu quero este livro em portugues. Sou americano e noa consigo apanhar este livro aqui. ha um site que eu posso compra-lo e tem-nos enviar o livro para mim aqui nos estados unidos?

Alice disse...

Nathan, manda-me um e-mail para o endereço do blog e eu trato-te disso.
bj