segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Décimo Terceiro Conto

Título: O Décimo Terceiro Conto
Autor: Diane Setterfield
Tradução: Manuela Madureira
Edição: Ed. Presença
Nº de páginas: 365
"Vida Winter passou quase seis décadas a iludir jornalistas e admiradores acerca das suas origens, intrigando-os com histórias fantasiosas que mantiveram oculto o seu passado enigmático, tão enigmático como a sua primeira obra, intitulada Treze Contos de Mudança e Desespero, e que continha apenas doze. Porém, tudo isto pode estar prestes a mudar quando Margaret Lea, filha de um negociante de livros antigos e biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa escritora convidando-a a redigir a sua biografia. Pela primeira vez, Vida Winter vai contar a verdade, a verdade acerca de uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret confiar totalmente nela? terá sido ela eleita depositária das confidências por um motivo inocente? À medida que somos seduzidos pelo imaginário rico e intenso que rodeia a família Angelfield e que Vida Winter tece perante nós com a magia de uma verdadeira contadora de histórias, o passado invade o presente e temas como o isolamento, o abandono e a identidade emergem das sombras para dotar o derradeiro conto de um carácter apaixonante. Um romance assombroso, impregmado de ecos de A Paixão de Jane Eyre e O Monte dos Vendavais, que se tornou um bestseller imediato e que será publicado em mais de trinta línguas."
Como aconteceu a tantas outras pessoas, este título não me passou completamente ao lado quando foi editado pela primeira vez mas por um motivo ou por outro acabei por nunca o ler e hoje apenas posso maldizer os motivos que me afastaram, por tanto tempo, de tão bela obra.
Com uma mestria digna de Morfeu, Diane Setterfield tece com as suas palavras uma inebriante teia de sonhos. Alguns bem reais, por sinal, mas que nem por isso perdem a aura de magia que o punho da autora lhes empresta. Mais que a história de uma vida, mais que uma história de sonhos, esta é uma história de histórias com a qual o leitor invariavelmente se identifica. São as histórias nas quais escolhemos acreditar, as que mascaram a verdade que dói, as que pintam a vida com cores mais alegres, aquelas que povoam esta envolvente e tocante narrativa.
De início deliciei-me especialmente com o tom melodioso da narrativa, com o doce desdobrar de frases que nos vão impregnado de uma calma curiosidade. Fui tomada de assalto por uma onda de identificação com Margaret Lea, o seu amor ao antigo, ao que já morreu, o seu gosto por descobrir a história que se esconde por detrás de um objecto antigo ou de um conjunto de palavras um dia importantes mas há muito esquecidas.
Depois, veio o insinuante mistério que me impelia a devorar página trás página com uma ávida voracidade que mal se desvanecia com o revelar de um surpreendente final. E terminada a leitura, este sentimento estranho que leva a que certas passagens e personagens do livro me assaltem o pensamento nos momentos mais inusitados, mesmo depois do (prazeroso) exercício de leitura concluído.
Esta é uma história de histórias que nos marca e não nos deixa nunca. Quem de nós não tem em si um pouco de Vida Winter?
9/10

2 comentários:

Gorduchita disse...

Adorei este livro! Devorei-o em meia dúzia de dias!! :)

Alice disse...

Pois é, lê-se num ápice e depois fica-se com vontade de mais. Infelizmente até à data é o único livro desta autora. Esperemos que escreva mais...