terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os Pilares do Mundo - Anne Bishop

Título: Os Pilares do Mundo
Autor: Anne Bishop
Tradutor: Luís Coimbra
Edição: Saída de Emergência
Nº de páginas: 381

Ari, a última descendente de uma longa linhagem de bruxas, pressente que o mundo está a mudar... e está a mudar para pior. Há várias gerações que ela e outras como ela zelam pelos Lugares Antigos, assegurando-se de que o território se mantém seguro e os solos férteis. No entanto, com a chegada da primeira Lua Cheia do Verão, as relações com os seus vizinhos azedam-se. Ari já não está segura. Há muito que o povo Fae ignora o que se passa no mundo dos mortais. Só o visitam, através das suas estradas misteriosas, quando desejam recrear-se. Agora esses caminhos desaparecem a pouco e pouco, deixando os clãs Fae isolados e desamparados. Onde sempre reinara a harmonia entre o universo espiritual e a natureza, soam agora avisos dissonantes nos ouvidos dos Fae e dos mortais. Quando se espalham nas povoações boatos sobre o começo de uma caça às bruxas, há quem se interrogue se os diversos presságios não serão notas diferentes de uma mesma cantiga. A única informação que têm para os nortear é uma alusão passageira aos chamados Pilares do Mundo...



Este livro é a entrada num mundo de Bishop completamente novo, um mundo mais naif, mais ligado aos contos tradicionais e de fadas com que (quase) todos crescemos. Está bastante longe daquilo a que esta autora nos habituou, é uma narrativa algo mais leve, sem aquela aura negra e aquela dose de humor, também ele negro, que já nos são familiares. É um livro algo mais leve, mais doce e mais "inocente", não arrebatador como os demais títulos que conheço de Bishop. Enquanto o lia não me saiam da cabeça algumas das estórias de infância, as lendas celtas e irlandesas que nos falam dos fae... é mágico mas à sua maneira.

Ari é uma jovem considerada estranha por todos e, por isso solitária. Depois da perda da sua família mais chegada vive sozinha numa terra mágica e peculiar que pertence à sua família desde tempos imemoriais. Cedo nos apercebemos que esta rapariga é algo mais do que podemos considerar à primeira vista e que nestas terras há mais do que os olhos podem ver. É aqui que o mundo dos narcisistas fae se cruza com o dos humanos e que o improvável acontece. A estória cedo nos prende pela simplicidade e pela curiosidade no desenrolar das situações pois, apesar de alguns acontecimentos serem bastante previsíveis damos por nós a querer saber COMO se vai chegar àquele ponto.

Gostei muito dos personagens, sobretudo da força dos personagens femininos e dos (poucos) fae que se sentem divididos entre o seu mundo e este porque os amam, a ambos, não de igual modo mas de maneira semelhante. A minha personagem preferida é Morag, ainda que, em minha opinião, tenha demorado demasiado tempo a descortinar o mistério visto que tinha todas as "ferramentas" para tal na garupa do seu cavalo num ou noutro momento da história.
No que respeita a vilões, esta também é uma estória rica. Temos os tradicionais nobres gananciosos que procuram a qualquer custo alcançar mais riqueza e poder; os amantes mesquinhos e pouco atentos; os "homens" que, por qualquer razão, se pensam acima de todos os outros; os meninos (e meninas) "bem" que de bons têm muito pouco; os tios gananciosos que nos criam mas que nos desprezam acima de quaisquer outros; e, por fim, um homem ressentido, ressaibiado e que não compreende a sua herança mas que se dedica a caçar a sua própria "espécie" sem nenhum tipo de remorso, até com prazer. Ainda assim, com esta tão extensa lista, não houve nenhum vilão que me "enchesse as medidas". Ficou muito por explicar sobre Adolfo, sobre os seus discípulos e, sobretudo, acerca das criaturas de cria. É mau mas não é daqueles que teríamos medo de encontrar numa noite escura, pelo menos, ainda não o é.

Por último, não posso deixar de fazer uma chamada de atenção que me custa pessoalmente dado que sou uma verdadeira fã dos livros desta editora; contudo, não é a primeira vez que tal acontece e, nos últimos tempos, é cada vez mais recorrente... a revisão deste livro deixou muito a desejar. Não posso dizer que foi pavorosa mas definitivamente há algum problema nesta área que a editora devia analisar. É extremamente aborrecido comprarmos um livro, ficarmos todos contentes porque temos uma primeira edição, por finalmente podermos ler determinado título e depois o ritmo de leitura ser constantemente cortado por erros e gralhas, o livro não ter um capítulo (não foi o caso deste livro mas de outro desta autora), os verbos estarem mal conjugados e etc. Corta o feeling...

Concluindo, apesar de não ser a "tradicional" narrativa de Bishop e dos erros de revisão (acerca dos quais já contactei a editora), gostei bastante deste novo mundo e da estória em si. Uma estória mais naif que espelha a narrativa, intensa e mágica mas clean e que nos prende logo nas primeiras páginas.

4 comentários:

Arame Farpado disse...

Da sua sua bem fundamentada opinião não pude deixar de me interrogar se este livro não será parecido com A Discovery of Witches de Deborah Harkness, o primeiro livro de uma trilogia ainda a ser escrita e que muito gostei.
De qualquer modo, se gosta do género, recomendaria, caso ainda não o tenha feito, o livro que referi.
Parabéns pelo seu blogue.
Cumps.

Alice disse...

Obrigada, Arame Farpado :)
Não conheço o título que referiu mas vou investigar, parece prometedor. Pode ser que descubra, através deste comentário, uma nova trilogia daquelas que me deixam imenso tempo a desejar que o próximo volume não demore muito a sair.
Ah, passei ainda nem há 2 minutos no seu novo cantinho. Gostei muito.
Cumps.

Arame Farpado disse...

Obrigado, Alice.
Por favor volte sempre e se encontrar algo que não goste esteja à vontade para dizê-lo, só assim evoluimos.
Quanto ao livro recomendo-o sem hesitações. Foi a minha leitura das férias e quando achei que faltava pouco para acabar "fui obrigado" a lê-lo até ao fim. Lá acabei às 06:15h da matina e fui dormir!
Encontro-me, impaciente, à espera do segundo volume.
Cumps!

Carla M. Soares disse...

olá! De facto, de todas as obras da autora que conheço (esta, a Trilogia das Jóias Negras, Sebastian e Belladona) esta parece a mais suave, talvez a menos original. Mesmo assim, é muito interessante. As outras ainda são mais.